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Tomás Barbosa: “Esforço-me para não dar o ar de que sou um menino de berço de ouro”

O nutricionista, filho do também nutricionista Humberto Barbosa, abriu as portas da sua casa na Quinta Patino e falou da forma como encara a vida.

Andreia Cardinali
30 de março de 2014, 12:00

Filho do nutricionista Hum­berto Barbosa, Tomás Bar­bosa, já segue as pisadas do pai e é hoje, aos 25 anos, um jovem de sucesso. Ciente das suas responsabilidades na Clínica do Tempo, Tomás garante que não é privilegiado pelo pai e que, ao contrário do que algumas pessoas pensam, “não nasci em berço de ouro. Os meus pais sempre me disseram que se eu não me esforçasse não teria nada de mão beijada.”
Foi na sua casa, na Quinta Pa­tino, que o nutricionista falou da forma como se dedica de corpo e alma ao seu trabalho e como sonha um dia criar uma família com os mesmos valores que a sua.
– A paixão pelo nutricionis­mo foi influência do seu pai?
Tomás Barbosa – Foi incutida por ele de uma maneira original. Quando eu tinha dez anos o meu pai levou-me a uma consulta e eu achei muita piada ao fascínio que as pessoas mostravam quando lá iam. Saíam de lá muito satisfeitas. E eu percebi que também queria fazer as pessoas mais felizes e saudáveis.
– Ser filho de quem é facilita ou dificulta?
Facilita, mas é também muito exigente e isso faz com que eu sinta um pouco de receio de não corresponder às expectativas. É um desafio... Ter o meu pai como o mestre da nutrição em Portugal faz com que me esforce para tentar ser pelo menos igual a ele.
– Trabalham em família.
E é muito bom, mas o meu pai exige mais de mim do que das outras pessoas, o que me faz tentar ser o melhor. Não sou beneficiado de maneira alguma. Nós conseguimos diferenciar muito bem a parte familiar da profissional e dentro da clínica não se fala de família e sim de trabalho. Mesmo que ele se aborreça comigo ou com os meu irmãos na clínica, em casa está tudo bem.
– Que tipo de relação tem com o seu pai?
Muito boa. Tenho muito respeito por ele, mas vemo-nos como melhores amigos. Os meus irmãos já são casados e eu, como sou o único solteiro, tento que ele fuja um pouco à rotina e fazemos imensos programas os dois.
– Não tem tempo para namorar?
Comecei a trabalhar há cinco anos e para me lançar profissionalmente tenho de dar tudo e mais alguma coisa. Tenho horários tão complicados que quando chego a casa só quero ver um filme e dormir. Aos fins de semana saio com os amigos, mas nesta fase da minha vida a minha grande paixão é a clínica. Claro que tenho o sonho de arranjar a mulher ideal, casar e ter filhos, mas vou ficar à espera disso, até porque acredito no destino [risos].
– Essa vontade de ter uma família terá certamente a ver com os valores que lhe foram transmitidos...
Sem dúvida, fui educado assim. Os meus pais têm um casamento perfeito e na minha ótica são pais perfeitos. Os meus irmãos também têm casamentos super saudáveis e obviamente que, estando habituado a isso, é também aquilo que desejo para mim. 
– Com o seu ritmo profissional, consegue ter tempo para si?
À exceção dos dias de sema­na e do sábado de manhã, em que trabalho, tenho um dia e meio para mim, para desligar do trabalho e ter a vida normal de um rapaz da minha idade.
– O seu pai deve ter muito orgulho por ter os três filhos a dar continuidade ao seu trabalho...
Sim. Acho que ele fez um excelente trabalho no sentido de garantir que um dia mais tarde terá os três pilares da clínica bem seguros. A parte clínica é tratada por mim, a da imagem pelo meu irmão e a jurídica pela minha irmã. Por acaso correram-lhe bem os planos [risos].
– Calculo que em casa siga os conselhos que dá aos seus pacientes...
Podia ser o ‘faz o que eu digo e não faças o que faço’, mas eu tento ter muito cuidado com a alimentação e fazer alguma atividade física para acelerar o metabolismo e queimar mais calorias. O nutricionista tem de estar em forma e ser o espelho do seu trabalho. De segunda a sexta tenho cuidados e ao fim de semana como o que me apetece. Tem de haver um equilíbrio para que as pessoas não fiquem desgastadas e voltem a engordar.
– Sente-se feliz com o que já alcançou?
Claro que sim, mas um dos meus maiores defeitos é ser ambicioso. Tenho uma vida muito estável, com carro, casa e trabalho, mas para mim não há limites. Com trabalho e dedi­cação, tenho a certeza de que novos desafios vão surgir.
– Mas tem noção de que é um privilegiado...
Claro que sim. Arranjar trabalho assim que terminei o curso, conseguir que o banco me concedesse um empréstimo para a minha casa, faz de mim um privilegiado, mas também me mato a trabalhar, esforço-me sempre ao máximo e tento fazer mais do que os meus colegas para não dar o ar de que sou um menino de berço de ouro.
– E é?
Não, isso não corresponde de todo à realidade. A educação que os meus pais me deram foi sempre mediante o meu comportamento. Se era o melhor aluno era recompensado, mas se não fosse, também era castigado. Os meus pais sempre me disseram que se eu não me esforçasse não teria nada de mão beijada, teria de ir à luta como todas as pessoas. A educação que recebi correu bem para mim e para os meus irmãos e será com certeza aquela que vou dar aos meus filhos.
– Mas as pessoas costumam vê-lo dessa maneira, como um menino de berço de ouro?
Há quem veja. Claro que as pessoas, ao verem-me num carro um bocadinho acima da média, a trabalhar com 25 anos e a sentir-me realizado, acham isso. Mas sinto que quem me conhece e gosta de mim não pensa assim e esses sim, é que contam.
– Vive sozinho há quatro anos. É fácil ou sempre que possível regressa a casa dos pais?
Como temos uma relação familiar muito forte, eu e os meus irmãos almoçamos três vezes por semana em casa dos meus pais e reunimo-nos sempre ao domingo. Por isso, também me sabe bem estar em casa. 
– Morar sozinho trouxe uma liberdade diferente?
Não me posso queixar da liberdade que os meus pais me de­ram, pois sempre me ensinaram a aprender com os erros. Acho que viver sozinho não é um desafio.

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