Nas Bancas

Fernanda Serrano: "É sempre mais fácil desistir de um casamento do que persistir”

A atriz conta como mantém o equilíbrio familiar junto de Pedro Miguel Ramos e dos três filhos.

Cristiana Rodrigues
29 de março de 2014, 14:00

Cada vez que marcamos encontro com Fernanda Serrano já sabemos o que nos espera: muitas gargalhadas e horas de conversa a fio. O assunto é inesgotável e difícil é escolher a parte da entrevista a publicar. Decidimos centrar a conversa no casamento de nove anos com Pedro Miguel Ramos e no amor pelos três filhos de ambos, Santiago, de oito anos, Laura, de seis, e Maria Luísa, de quatro. À margem deste tema, a atriz esclareceu ainda notícias que vieram a público esta semana sobre uma redução no seu ordenado e supostas dívidas de Pedro, e mostrou-se contente por ter participado no filme Eclipse em Portugal, que já está em cartaz.
– Não havendo casais perfeitos, em que é que o seu casamento estará mais perto da perfeição?
Fernanda –
Não está, pois, como se diz, não existem casamentos perfeitos e não acredito em pessoas perfeitas. Temos, sim, tentado manter o balanço sempre positivo e ter maior número de dias felizes do que cinzentos, que também os há, como em qualquer união. Temos de ter uma grande capacidade criativa e estabelecer muito bem as prioridades. As nossas, as da família e as de cada um, e fazer uma avaliação o mais honesta possível.
– Parece ser um trabalho exaustivo...
Por vezes é, pois o desgaste, o trabalho e o mundo, por si só, podem gerar fatores intrusivos e, se não estivermos atentos e certos do que temos e queremos, podemos destruir rapidamente o que com tanto amor, entrega e empenho demorou a construir. No entanto, como sempre ouvi os meus pais dizerem, “um casamento é uma carta fechada”.
– Como é que gerem os altos e baixos do casamento?
Temos de saber lidar com o dia-a-dia e todos os dias pensar que é mais um dia bom. É sempre mais fácil e rápido destruir e desistir do que persistir e acreditar. É aí que a boa gestão entra em ação.
– Alguma vez lhe apeteceu desistir do casamento?
Não acredito em alguém que diga que alguma vez não lhe tenha passado isso pela cabeça... Há que saber definir muito bem as prioridades e ter bom senso e calma.
– Com três filhos, ainda menos deve ser...
Os meus amores são o motor de tudo na minha vida. É a eles que dedico o melhor de mim. A minha vida é quase na sua totalidade em função destes meus grandes amores, é para eles que vivo, respiro, trabalho, sorrio e acordo todos os dias com vontade de fazer mais e melhor. Quero ser a melhor mãe do mundo e quero que eles confirmem isso quando um dia forem pais e, ao olharem para trás, tenham o mesmo que eu tenho, a minha maior e melhor referência de vida: os meus pais. Sempre presentes em todas as fases. Souberam educar, amar, cuidar e tiveram a coragem de me deixar ir, na altura certa, conhecer novas coisas, ter responsabilidades para que aprendesse a ter segurança em mim e fazer de mim a mulher destemida que sou. Tudo isto é tão importante! Espero conseguir exercer as mesmas competências e não defraudar as minhas expectativas.
– Por falar em expectativas, o Pedro tem sido o marido que esperava?
No fundo, e contrariamente ao que supunha inicialmente, sim, acho que sim.
– E enquanto pai, também tem superado expectativas?
Ele odeia que eu o diga, mas não. Preci­sava de mais um valente workshop ou de mais um filho ou dois para ser reeducado. [risos] Mas a culpa também foi minha, obviamente. Homens!
– Ainda vos falta construir muito em comum?
Sim, muito. No entanto, também já passámos por muito, o que nos aproximou ainda mais.
– O Pedro e os seus filhos exigem-lhe mais tempo do que aquele que lhes pode dar?
Não. Acho que estou sempre lá, embora saiba que isso é impossível de acontecer, mas sinto que, regra geral, sou uma mãe muitíssimo presente e atenta. Até então, não recebi quaisquer “reclamações”!
– Como é que ao fim de um dia de trabalho, que lhe exige muita energia, chega a casa e corresponde aos desejos da família?
Por vezes chego a casa quase vazia, sem energia, cansada, mas como qualquer outra mãe, vou às minhas reservas e antes de meter a chave à porta, preparo o meu maior e melhor sorriso e inicio um novo ciclo do dia, o de dona de casa, por vezes também desesperada [risos], de mãe, de mulher e de chefe de família. Mas gosto disto. Dá-me prazer controlar tudo, corresponder às necessidades e expectativas deles. Não há supermulheres, mas há valentes aprendizes!
– É uma mulher feliz?
É um conceito, isso, uma expressão, um estado ou uma fase? Não sei. Sempre vivi com essa questão. Às vezes, não me sinto dessa forma, porque também temos um lado lunar e o meu é muito eficaz e teimo­so. Embora não pareça, tenho muitos dias cinzentos, gente chata à minha volta, e tudo isto me faz pensar se realmente sou ou estou feliz. No entanto, quando olho para dentro de casa e vejo três crianças maravilhosas a sorrir, com saúde, com amor e energia, quando olho para a minha extensa família e amigos próximos, sempre perto, para o meu percurso, para tudo o que passei e com sucesso, faço o que gosto e tenho o reconhecimento maior do público, penso que seria de uma extrema ingratidão e insensatez da minha parte não agradecer todos os dias o que recebi, o que conquistei.
– Vamos então falar dessas três crianças ‘maravilhosas’...
São os três muito diferentes entre eles, mas têm alguns pontos em comum. São todos muito doces e têm um sentido de família e amizade muito apurado. Existe sempre um que é mais estudioso, obviamente, e porque os mais velhos já sabem ler, agora tenho de ocultar estas ‘informações’, mas regra geral são bons alunos, muito obedientes e di­vertem-se horrores. Para mim, é o importante.
– Como é que se dá com cada um deles?
Sou bastante permissiva, mas com limi­tes estipulados, que eles conhecem e sabem que não podem ultrapassar. Estudo com eles, gosto de saber as amizades que têm, fomento muitas atividades com amiguinhos e sobretudo divirto-me muito com eles. Eles acompanham-me em tudo, ou quase tudo. Tenho ali já uns companheirões de festa...
– Há pouco, em conversa informal, dizia-me que a Laura é talvez a mais protegida...
Coisas de mãe, mas é dos três a que me preocupa sempre mais. E talvez porque a fase de gestação da Laura coincidiu com a fase em que estava a desenvolver uma doença que desconhecia, isso deixa-me e deixar-me-á sempre muito apreensiva em relação a tudo. Aliás, quando elas forem maiores irei fazer os testes que já estão disponíveis para perceber se em termos genéticos há que ter alguma preocupação acrescida. Sou uma hiper apologista da prevenção [do cancro], como não poderia deixar de ser.
– Sente um ‘peso’ maior em cuidar dela por causa disso?
Inevitavelmente, sim. Não sei se se atenuará ou não, só o tempo o dirá. Também espero que não se torne obsessivo da minha parte.
– Para terminar a conversa tenho mais duas questões. A primeira prende-se com as notícias sobre a redução do seu ordenado e uma alegada dívida do Pedro...
Desde há dois anos que tem sido feito um reajuste aos ordenados dos funcionários da TVI, incluindo atores. Foram reduções feitas de forma gradual. O importante é estarmos a trabalhar em projetos que nos fazem felizes e o contínuo reconhecimento do público. As supostas dívidas do Pedro são sempre geradas da mesma forma feia, sem fundo de verdade e sempre pela mesma publicação, o que é estranho. Mas ele irá repor a verdade junto das entidades competentes, em tempo próprio.
– A outra questão tem a ver com os seus projetos profissionais. Já tem ideia de quando regressa à televisão?
Com conhecimento efetivo, ainda não. Aguardo instruções da TVI e uma sinopse que não tardará a aparecer. Entretanto, está em cartaz o meu novo filme, Eclipse em Portugal, que me deu um especial gozo fazer por ser um guião nunca antes experimentado. Uma tontice pegada de fazer doer a barriga de tanto rir, com um elenco inesperado e louco.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras