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Recuperada da leucemia, Sofia Lisboa proporciona reencontro dos Silence 4

Como forma de agradecimento, a cantora reuniu o grupo no IPO de Lisboa, onde passou os últimos três anos.

Cláudia Alegria
22 de março de 2014, 12:00

Não foi um concerto, foi uma hora de emoções fortes embaladas por nove músicas dos Silence 4, escolhidas a dedo por Sofia Lisboa. Tudo aconteceu no auditório do Instituto Português de Oncologia de Lis­boa, aquela que foi a segunda casa da vocalista dos Silence 4 nos últimos três anos e onde encontrou um “exército de pessoas” que a ajudaram a ultrapassar uma leucemia diagnosticada em análises de rotina quando estava grávida de três meses, o que a im­pediu de levar a gestação para a frente. Sofia quis retribuir todo o carinho e dedicação que recebeu de médicos, enfermeiros, auxiliares e voluntários, e pediu aos restantes elementos da banda de Leiria que se voltassem a reunir, 13 anos depois da última atuação. No final do showcase – o primeiro de cinco encontros marcados para o início deste ano – conversámos com Sofia Lisboa.
– Foi difícil conter as emoções perante esta plateia?
Sofia Lisboa –
  Toda a plateia tinha os olhos a brilhar e, por vezes, tinha de desviar o meu olhar... Mas a ideia era isto ser muito alegre, uma comemoração. Já que há tantas tristezas diariamente aqui no IPO, este seria um dia diferente.
– Como foi cantar estas músicas depois deste percurso de 13 anos? Foram certamente sentidas de uma forma diferente...
É mais sério no sentido em que as letras entram na minha vida de uma forma diferente. Identifiquei-me muito com algu­mas delas durante este meu período tortuoso e poder cantá-las hoje, após 13 anos, e sobretudo após este episódio na minha vida, é uma dupla felicidade.
– A forma como descobriu a doença foi dramática. O que aconteceu no momento em que ouviu o diagnóstico?
Fui de um extremo a outro. Estava numa fase muito boa da minha vida, grávida, e passei de um dia de extrema felicidade para outro de extrema infelicidade. [emociona-se] E tive de reagir. Mas fui muito bem acompanha­da, puxaram-me cá para cima e, ao longo do tempo, fui acreditando que era possível recuperar.
– E a prova é o que se passou esta tarde...
Sim. Enquanto eu cá estiver, ninguém me tira estes momentos.
– O tema Angel Song tornou-se particularmente especial...
Naquela altura, para poder andar para a frente e pensar que poderia vencer, disse a mim própria que, estando grávida, tinha sido um anjo que me tinha avisado que eu estava doente. Acredito que tive muitos anjos que me ajudaram a atravessar este período. Uns ainda estão cá, outros nem por isso, mas estão sempre dentro do meu coração.
– Foi importante para si não conter emoções e passar a mensagem de que é possível vencer?
Para mim é a melhor forma. Nós queremos falar, queremos exorcizar as coisas até enjoar, ajuda-nos, é uma forma de purga, de deitar cá para fora o veneno.
– Nesta história há um porme­nor importante: a sua irmã aju­dou-a, doando medula óssea...
Sim, no meio da desgraça fui abençoada. É como se eu vivesse duas vezes e foi ela quem me deu a segunda vida.

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