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Isabel Rilvas condecorada pela Força Aérea Portuguesa

No âmbito das celebrações do centenário da aviação militar em Portugal, Isabel Rilvas foi condecorada pela Força Aérea Portuguesa. Apaixonada pelas atividades aeronáuticas, a filha dos condes de Rilvas foi uma pioneira na aviação e no paraquedismo.

Marta Mesquita
11 de março de 2014, 15:36

Isabel Rilvas, de 79 anos, nun­ca foi militar, mas o seu desejo de voar e os seus feitos aeronáuticos aproximaram-na dos militares que gentilmente a tratam, ainda hoje, por Isabelinha Rilvas. Mas se na Força Aérea Portuguesa a filha dos condes de Rilvas é sobejamente conhecida, na sociedade civil o seu invejável currículo aeronáutico permanece desconhecido para muitos.
Dona de uma força de vontade indomável, Isabel Rilvas tirou o brevet de piloto particular de aeroplanos em 1954. Depois disso, pode dizer-se que o céu foi o seu limite. Participante de sucesso em festivais aeronáuticos, Isabel Rilvas foi a primeira mulher piloto acrobata da Península Ibérica. Mas os seus feitos não se ficaram apenas pela pilotagem, já que se tornou também a primeira mulher paraquedista civil na Península Ibérica, mostrando ainda a sua bravura ao realizar os primeiros saltos de paraquedistas civis em Angola e Moçambique. Não obstante estas conquistas, deve-se destacar ainda o facto de a antiga piloto ter preconizado e impulsionado a constituição de um grupo de enfermeiras militares paraquedistas, formadas em junho de 1961. Mais tarde, em 1981, Isabel Rilvas tornou-se ainda a primeira portuguesa a obter o brevet de balão de ar quente.
Por tudo isto, e no âmbito das celebrações do centenário da aviação militar em Portugal, a Força Aérea Portuguesa quis prestar uma homenagem à antiga piloto e paraquedista, con­decorando-a com a medalha de mérito aeronáutico de 1.ª classe, numa cerimónia que decorreu no Museu do Ar, em Sintra. “Para  nós, a senhora dona Isabel Rilvas é um exemplo pela sua perse­verança, irreverência e pela maneira como pôs o seu coração em tudo aquilo que fez. E devemos-lhe algo de que nos orgulhamos muito que são as nossas enfermeiras paraquedistas. As condecorações não se pedem, não se compram, merecem-se”, partilhou o general José António de Magalhães Araújo Pinheiro, chefe do Estado-Maior da Força Aérea. A homenageada  agradeceu a distinção: “Nunca pensei receber esta homenagem e muito menos uma condecoração. Com gratidão, humildade e com uma inesquecível saudade pelos que vi partir num derradeiro voo, agradeço esta condecoração a quem tanto gostou de voar durante 25 anos sem interrupção.”
A assistirem a este momento estavam os filhos de Isabel Ril­vas, Leonardo Mathias, atual secretário de Estado Adjunto e da Economia, e Maria Cortez de Lobão, que nasceram do seu casamento com o embaixador Leonardo Mathias. “A minha mãe sempre demonstrou ter uma grande força de vontade, que espero seguir e passar aos meus filhos. Ela nunca desiste e considero que essa é uma mensagem muito importante”, salientou Leonardo Mathias. “A minha mãe tem um carácter íntegro e extraordinário. Pelo caminho teve muitas dificuldades e obstáculos, mas ultrapassou-os, porque o sonho foi sempre maior”, finalizou Maria Cortez de Lobão.

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