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Rita Ribeiro abre o coração: “Estou disponível para deixar entrar alguém na minha vida”

“Espero que 2014 seja um ano para uma boa colheita, porque já semeei muita coisa e sinto que está na hora de começar a colher”, afirma a atriz.

Joana Brandão
2 de março de 2014, 10:00

Ao longo de 40 anos decarreira, foram muitos os papéis que Rita Ribeiro interpretou em peçasde teatro, musicais, cinema e televisão. Mas desengane-se quem achar que já aviu fazer de tudo. Gisberta, que esteve em cena em fevereiro no teatroRivoli, é o seu primeiro monólogo. Trata-se da história real de uma mãe cujofilho foi brutalmente assassinado por 14 adolescentes. Oito anos após a morteda transexual Gisberta, que foi submetida a três dias consecu­tivos deviolência física e psicológica, a história de Angelina, a mãe, é trazidaà cena por Rita, que espera “não deixar cair no esquecimento a história deGisberta, e de todas as Gisbertas, e fazer com que mães e pais passem a teroutra perceção das opções dos filhos”.
A viver um momento de paz e harmonia, a atriz fala com orgulho da família queconstruiu. Bisavó aos 58 anos, Rita tem nas filhas, Joana e Maria,nos netos, Gonçalo e Tiago, no bisneto, Salvador, e namãe, Maria José, as bases da sua vida. Maternal, diz que “gostava deser lembrada por ser bonita, como na música Você É Linda, de CaetanoVeloso, e também por ter feito a diferença na vida de algumas pessoas”.
O regresso aos palcos portuenses, com um monólogo, foi um grande desafio?
Rita Ribeiro – Há muito tempo que ambicionava fazer um espetáculo comoeste. Por vezes, durante a vida, perdemos as pessoas porque as queremoscontrolar e moldar. E esta peça retrata um pouco isso de forma ficcionada. Estamãe perdeu um filho em vida, e voltou a perdê-lo na morte, o que dá origem a umgrande vazio e muito arrependimento. Mas não se fala só disso neste espetáculo,a história é um pretexto para falar de sentimentos, do amor filial. Para mimfoi uma grande aprendizagem fazer este espetáculo, como creio que é para quem ovê. Estou grata pela minha vida, que é muito bonita, mesmo com momentos detristeza. Este espetáculo fez-me
valorizar o amor que tenho à minha volta e que sinto pelas minhas filhas.
– E como estão elas?
– A Maria está quase a fazer 17 anos, é uma mulher linda em todos osaspetos e uma amiga incondicional. Está a estudar para ser educadora deinfância, e à noite está a tirar teatro e tele­visão. A Joana herdou a minhapaixão pela restauração, assim como os meus netos, e foi avó há seis meses. Omeu bisneto é o nosso sol e veio lembrar a toda a família o encanto que é avida. O ano de 2013 foi muito importan­te para mim, porque aconteceu quasetudo. A minha mãe esteve doente, mas já melhorou, e hou­ve uma grandeaproximação da família. No ano passado também viajei com as minhas filhas pelaprimeira vez. Fomos à Disney e foi a melhor prenda que poderia ter recebidodepois de um ano tão intenso. Agora, espero que 2014 seja um ano para uma boacolheita, porque já semeei muita coisa e sinto que está na hora de começar acolher.
Sente-se disponível para voltar a amar, para deixar entrar alguém na suavida?
– Nunca deixei de amar, mas nos últimos anos estive a aprender a amar-me e tudoo que vier agora é para complementar esta tranquilidade e alegria. Portanto,sim, estou disponível para deixar alguém entrar na minha vida, para a colorirainda mais.
Essa tranquilidade de que fala é o segre­do para a sua boa forma aos 58anos?
– Não só, também faço psicoterapia, meditação, ioga e muitas cami­nhadas que meajudam a encontrar o equilíbrio. Cada vez mais tenho a certeza de que os nossospensamentos são altamente tóxicos e, se deixarmos, a mente pode controlar anossa vida. Por isso, tenho de estar atenta e não deixar que nada nem ninguémme desestabilize. Quando fiz 40 anos comecei a sentir que tinha de mudar aminha vida e só havia dois caminhos: um muito melhor e outro muito pior. Quandoa vida está sempre em mudança, temos de dançar conforme a vida vai dançandoconnosco. Essa é a grande inteligência emocional, a de nos conseguirmos adaptare mudar. Essa flexibilidade reflete-se no aspeto exterior, leva-nos a aceitardesafios e a querer mudar. Se nos acomodarmos, verbo que detesto, somosabafados, a vida suplanta-nos. E a vida é uma coisa tão bela!

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