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Matthew McConaughey: Quando a persistência compensa

É um dos favoritos na corrida ao Óscar de Melhor Ator, pelo papel em “O Clube de Dallas”.

Redação CARAS
2 de março de 2014, 16:00

O papel de Ron Woodroof, um texano cuja vida sofre uma reviravolta quando lhe é diagnosticado o vírus do HIV, tornou-se um momento marcante na carreira do norte-americano Matthew McConaughey, de 44 anos, que tem somado prémios por este desempenho no filme O Clube de Dallas e surge como um dos favoritos para o Óscar de Melhor Ator. A história, inspirada num caso verídico, é emblemática da pouca informação que havia sobre a sida nos anos 80, que equivalia então a uma sentença de morte. Woodroof fez história ao procurar medicamentos alternativos aos que o governo dos EUA aprovava na altura, acabando por encontrá-los no México e facilitando-os ilegalmente a outros doentes. No fundo, uma história sobre o poder transformador da resiliência, que McConaughey, casado com a brasileira Camila Alves e pai de três filhos, interpreta de forma exemplar: decidiu perder mais de 20 quilos a favor da verosimilhança da personagem. 
– Qual é a sensação de saber que pode ter um Óscar nas mãos daqui a uns dias?
Matthew McConaughey – É óti­ma! Isto é a minha carreira, é aquilo que faço, não é um passatempo. Não é o que me motiva a trabalhar, mas é muito bom saber que o filme recebeu tantas nomeações, até porque começámos a rodar sem dinheiro suficiente. Dez dias antes da data em que era suposto começarmos a filmar, caiu um dos financiamentos. Pediram-nos para esperarmos uns meses, mas eu tinha acabado de perder mais de 20 quilos para o papel! Incentivei a equipa a seguir em frente e fomos. Basicamente, o filme deve-se a um grupo de gente determinada.
– Tem alguma da teimosia da sua personagem?
– Sim, se se tratar de algo em que acredito, claro. Bom, o Ron era incrivelmente teimoso, mas estava a lutar contra uma enorme oposição e a resistir à morte. Acho que qualquer um de nós pode ser muito mais obstinado do que imagina se se encontrar numa situação como essa.
– Já recuperou completamente o peso que perdeu para o papel?
– Praticamente. Estou a manter-me um pouco mais magro do que estava antes até saber que papel farei a seguir.
– O que é que sentia quando se via ao espelho tão magro?
– Foi um processo que eu não sabia bem onde iria parar, mas que achava que tinha de concretizar para fazer o Ron. Pensei que bastariam 15 quilos, mas acabaram por ser 21. Lembro-me do dia em que decidi que já estava. Acordei e disse: “É isto!” Faltava uma semana e meia para a rodagem e aumentei ligeiramente a quantidade de comida que estava a ingerir para manter o peso.
– Esse processo deve ter implica­do muita força de vontade...
– Bom, bastou-me acreditar que precisava mesmo de fazer aquilo e relativizar as dificuldades. Sempre que dava por mim em frente ao frigorífico aberto a pensar que me apetecia isto ou aquilo, rapidamente afastava isso da minha mente dizendo para mim próprio: “Não estás propriamente a morrer à fome, num país africano sem comida ou num campo de concentração, estás a comer refeições decentes. Estás a comer pouco, mas não vais morrer à fome.” E isso dava-me forças para enfrentar o desafio.
– E a sua família, não mostrou preocupação?
– Não. Somos uma família de aventureiros. Eles sabiam que estava a fazer isto da forma mais saudável possível. Se estavam assustados, não me disseram nada. Enfim, suponho que também não me tenham dito nada porque sabiam que isso não iria fazer-me mudar de ideias. Não estava aberto a discussão, era simplesmente uma coisa que eu estava a fazer para o meu trabalho. Eles sabem que não sou burro e que tinha consultado um médico antes de começar. E isto acabou por se tornar uma jornada espiritual para mim.
– Em que sentido?
– Tomei consciência do quanto o corpo pode ser resiliente. Sabe aquilo que se diz, que se perdermos um dos cinco sentidos os outros ficam mais apurados? Aconteceu algo do género: o que perdi do pescoço para baixo, ganhei dele para cima. Passei a necessitar de dormir menos, escrevi mais do que em algum outro momento da minha vida. Se somarmos o tempo que passamos a preparar refeições e a conviver enquanto as comemos, chegamos a uma média de seis horas por dia. Decidi que tinha de ocupar esse tempo de forma útil, ou seria um inferno. Não podia simplesmente pôr-me a olhar para a janela à espera que o tempo passasse. E foi assim que me pus a ler tudo o que era possível sobre o Ron. E fico contente por poder dizer que nunca me aborreci. E nunca me tornei complacente. Se tivesse tido mais seis meses para ler sobre ele, poderia ter continuado a estudar aquela pessoa.
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