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Cate Blanchett: A simplicidade de uma vencedora

Aos 44 anos, a atriz australiana pode orgulhar-se de já ter trabalhado com a maioria dos mais conceituados profissionais de Hollywood. É uma das favoritas na corrida ao Óscar de Melhor Atriz, pelo trabalho em “Blue Jasmine”.

Redação CARAS
2 de março de 2014, 14:00

O papel de Jasmine, que interpreta no filme Blue Jasmine, de Woody Allen, tem rendido a Cate Blanchett, de 44 anos, diversos prémios – ganhou, por exemplo, o Golden Globe e o troféu atribuído pelo sindicato dos atores de Hollywood – e posi­ciona-a como uma das favoritas na corrida ao Óscar de Melhor Atriz, que disputa com Meryl Streep, Judi Dench, Amy Adams e Sandra Bullock. A concretizar-se o prémio, não será o seu primeiro Óscar, pois estreou-se nas estatuetas douradas em 2005, quando recebeu o troféu de Melhor Atriz Secundária pelo papel em O Aviador. Do seu currículo constam mais quatro nomeações para os prémios máximos do cinema, pelo trabalho nos filmes Elizabeth, Diário de um Escândalo, Elizabeth: a Idade de Ouro e Não Estou Aí (ambos no mesmo ano). Com uma carreira sólida e muito profícua, tem vários novos filmes rodados e em fase de pós-produção ou prontos para estrear. Um deles, Os Caçadores de Tesouros, chega esta semana a Portugal.
Entretanto, dedica-se a gerir a Companhia de Teatro de Sydney, em parceria com o marido, o dramaturgo e argumentista Andrew Upton, também ele australiano, e a educar os três filhos, Dashiell John, de doze anos, Roman Robert, de nove, e Ignatius Martin, de cinco. O casal viveu durante alguns anos em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, mas há sete anos anos decidiu regressar ao seu país, onde continua a residir. “Tenho imensas saudades de Brighton, até da chuva. E sobretudo dos amigos. Mas a certa altura da nossa vida temos de fazer opções. Deram-nos, a mim e ao meu marido, esta oportunidade de dirigir uma companhia de teatro e os nossos pais não estão a ficar mais novos... A Austrália é um país magnético e criativo, por isso, sentimo-nos compelidos a regressar”, explica.
A atriz nasceu em Melbourne a 14 de maio de 1969, com o nome Catherine Elise Blanchett, filha de uma professora australiana e de um oficial da marinha americana e mais tarde executivo de publicidade, que morreu de ataque cardíaco quando ela tinha dez anos. “A primeira memória que tenho do meu pai é dele deitado numa cama, quando eu tinha 18 meses. Mais tarde percebi que estava a recuperar do seu primeiro ataque cardíaco, que sofreu aos 32 anos. Morreu aos 40, mas acho que só tive noção das verdadeiras consequências dessa morte prematura quando o meu marido chegou ele próprio aos 40 anos. Eu estava eufórica na festa de aniversário, como se me tivessem tirado um peso de cima.” Quando fala do marido, Cate Blanchett costuma contar que não foi de todo um caso de amor à primeira vista. “Quando fomos apresentados, houve até alguma animosidade. Ele achou que eu era fria e eu achei-o arrogante.” O convívio posterior acabou por desfazer a ideia inicial e Blanchett relatou recentemente, numa entrevista televisiva: “Uma noite, estávamos a jogar póquer e ele estava a contar-me que se sentia atraído por uma amiga minha. Então, de repente, beijámo-nos. Três semanas depois pediu-me para me casar com ele.”
A representação não foi a primeira opção profissional de Cate Blanchett, que começou por estudar Economia e Belas Artes. Até que durante umas férias no Egito foi convidada para ser figurante num filme. O gosto pela representação despertou e decidiu estudar Arte Dramática em Sydney. Formou-se em 1992 e estreou-se no teatro. Seguiram-se algumas séries televisivas e finalmente o cinema. Elizabeth, de 1998, foi um ponto de viragem na sua carreira: com a nomeação para o Óscar veio também a projeção internacional e os realizadores mais conceituados. Martin Scorsese, Steven Spielberg, Ridley Scott, Barry Levinson, Joel Schumacher, Jim Jarmusch, Ron Howard, Wes Anderson, Alejandro González Iñárritu, Todd Haynes ou David Fincher são alguns dos nomes de peso por quem tem sido dirigida. É óbvio que valoriza o trabalho de autor, pelo que aceitou o papel principal em Blue Jasmine de imediato: “Quando se recebe um telefonema do Woody [Allen], aceita-se logo, mesmo antes de se saber que papel é, porque é um autor e um dramaturgo incrível. Já tinha perdido a esperança de vir a trabalhar com ele, achei que não estava interessado. Assim que li o guião, achei-o fantástico. Impecavelmente estruturado, simultaneamente absurdo e trágico... Tinha ouvido que ele é monossilábico na relação com os atores, mas sempre que lhe fiz perguntas, respondeu, quer fossem perguntas interessantes ou não. Foi ótimo trabalhar com ele!” A opção revelou-se certeira, a avaliar pela receção entusiástica ao trabalho que fez neste filme.
A entrega dos Óscares é já esta noite e a CARAS acompanha a cerimónia em direto e dá-lhe a conhecer todos os pormenores a partir da 1h00 da manhã.

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