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Miguel Vieira: “Tenho um grande amor pelo meu trabalho”

O estilista de São João da Madeira deu à CARAS a última entrevista do ano, em que faz um balanço extremamente positivo dos seus 25 anos de carreira.

Joana Brandão
8 de fevereiro de 2014, 12:00

Com uma infância conservadora, diz que foi sempre um filho exemplar. Sonhava ser bombeiro, automobilista e, hoje, aos 44 anos, ainda sonha ser arquiteto. Formou-se em Controlo de Qualidade e fez uma especialização na vertente têxtil. Foi aí que nasceu a paixão pelos fios e tecidos, tinha então 18 anos. Atualmente, Miguel Vieira é um dos estilistas portugueses mais conceituados e respeitados. A comemorar 25 anos de carreira, e embora o futuro lhe seja bastante promissor, o estilista aceitou o convite da CARAS para olhar para trás: a marca Miguel Vieira, o cancro que venceu há sete anos, a vontade de se casar e ter filhos e as memórias que guarda destes anos dedicados à moda em Portugal, país do qual nunca desistiu, foram alguns dos assuntos abordados nesta conversa.
Em 1988 lançou a marca Miguel Vieira. Qual o balanço que faz destes 25 anos de moda?
Miguel Vieira – Muito positivo! Ao longo destes 25 anos consegui cimentar a minha marca e a partir de agora acho que a coisa pode explodir, pode dar-se um boom que me poderá ligar a multinacionais, a parceiros pelo mundo. Temos todas as condições para sair de Portugal e tornar a marca Miguel Vieira internacional.
Chega agora ao fim o ano de celebração de uma efeméride,  mas também de muito trabalho. Participou, recentemente, em eventos de moda em Milão, na Sérvia, na Rússia...
– Sim! Este ano superou todas as expectativas! Apesar da grande crise que se vive em Portugal, as minhas coleções aumentaram, assim como a procura, e tudo funcionou muito bem. Este foi também um ano em que viajei muito e levei a minha marca e o nome do nosso país além-fronteiras. Recebi muito convites para fazer desfiles, exposições e muitas outras coisas...
Sente que está a fechar um ciclo e que 2014 é tempo de recomeçar?
– Não. Quando, perante várias portas, decidi que a moda ia ser a minha vida, coloquei-me perante uma grande escadaria. Comecei a subi-la e já vou a um quarto do caminho, mas ainda me falta muito para crescer. Portugal não é um país com tradição no mundo da moda, como tal, torna-se tudo mais complicado. Se tivesse nascido noutro país, já estaria mais à frente nesse caminho. No entanto, nunca quis abdicar de Portugal, foi aqui que nasci, portanto estou contente por ter contribuído para a moda portuguesa e por ter uma carreira com pilares tão bem cimentados.
Hoje, a sua marca é abrangente e é possível vestirmo-nos da cabeça aos pés de Miguel Vieira. O que é que ainda lhe falta fazer?
– Só me falta fazer cosmética e perfumaria para ter tudo o que é preciso para o look total num desfile. Já fui abordado sobre isso, mas são necessários investimentos avultados, porque é um mundo que envolve grandes marcas.
Ao olhar para trás não podemos esquecer o grande teste a que foi sujeito: um cancro. Como recorda essa luta?
– Foram tempos difíceis, mas fui sempre muito acarinhado por todos, e também pela imprensa, à qual faço um agradecimento público. Foram sempre muito cor­diais comigo e, nesse momento, mostraram que me respeitavam, porque podiam ter explorado o assunto. Um dia, quando deixar esta vida, gostava que se lembrassem do Miguel Vieira como marca, mas também como uma pessoa que sempre tentou ser linear e ter uma postura correta.
Em algum momento dessa batalha pensou em desistir?
– Aqueles são momentos mui­to complicados, mas eu consegui superá-los, tal como a maior parte das pessoas. É uma coisa negra, mas não é um buraco assim tão grande. Temos de nos abstrair do que se está a passar. Apesar de estar muito debilitado – passei por fases bastan­te complicadas – tentei sempre ser forte. Obviamente, repensei muita coisa: entrar num hospital é complicado e IPO é uma palavra com muito peso! Mas quem sofre mais são a família e os amigos, porque aos doentes é-nos ocultada muita coisa. E sim, pensei em desistir, perguntei-me se teria forças para continuar. Mas consegui superar tudo e hoje quase nem me lembro.
Trabalha muito, mas tem sempre tempo para os amigos. Sobra algum bocadinho para si?
– Para mim há pouco tempo, infelizmente. Porque gosto muito do que faço e tenho um grande amor pelo meu trabalho. Estação após estação tenho cada vez mais coisas para fazer... O meu tempo livre é quase nenhum. Passo muito tempo em viagens, em hotéis, e embora tenha muitas pessoas à minha volta, a verdade é que passo muito tempo sozinho.
E continua a adiar o plano de se casar e ter filhos?
– Quando estive doente refleti bastante sobre esse assunto e sobre as opções que fiz na vida. Essa parte ainda não se proporcionou, mas ainda sou novo, não é um projeto posto de parte.

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