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Paula Neves e Ricardo Duarte: "Queremos muito ter filhos, mas não está a ser fácil”

A atriz revela a fase complicada que ela e o marido estão a passar. Juntos há 13 anos, o casal ainda não conseguiu concretizar o sonho de ter filhos, apesar de Paula já se ter submetido a tratamentos.

Inês Neves
2 de fevereiro de 2014, 10:00

A propósito da passagem do ano, marcámos encontro com Paula Neves e Ricardo Duarte. E, numa conversa aberta e franca, a atriz falou, pela primeira vez, da fase complicada que ela e o marido estão a passar: “O monstro da infertilidade”, como lhe chama.
– Onde vai ser o fim de ano?
Paula Neves – Com esta produção toda até parece que vou para uma festa glamorosa, mas não. Vai ser um glamour de botas de montanha e casacos e camisolas bem quentes porque vamos para o Alentejo, para o sítio de uns amigos nossos que se chama Amor de Criança, na zona da Zambujeira. Já o ano passado fomos para lá. Fazemos a festa em casa, assamos cabrito no forno... É tão engraçado, é uma coisa muito mais caseira, rural.
– A Paula vai para a cozinha e põe as mãos na massa?
– Curiosamente, antes só cozinhava quando era mesmo necessário, agora ando a ganhar um gosto pela cozinha fantástico. Adoro comprar as verduras e as coisas que quero usar, depois ir para casa e ter uma tarde inteira para fazer um prato, acompanha­da de um copo de vinho... estou a adorar esse programa.
– Sozinha ou o Ricardo acom­panha-a?
– Antes quem cozinhava lá em casa para nós era o Ricardo, mas agora ele está numa fase de trabalho muito complicada e não tem tempo. Portanto, ou eu me chegava à frente ou deixávamos de comer. E com isso descobri um gozo tremendo pela cozinha. Portanto, agora acontece termos fins de semana em que os nossos dias são passados na cozinha a experimentar coisas.
– Um bom programa a dois...
– É verdade. Adoramos. E gos­tamos muito de fazer as nossas próprias pizas, a nossa própria pasta, o pão... ainda há tempos passámos o dia todo na cozinha e fizemos uma tarte de maçã à americana, ravioli, daqueles com gema de ovo que se abre e derrete, canelones recheados...
– Mas tirou algum curso de cozinha?
– Não. Vou à Internet, o Ri­cardo ajuda-me nalgumas coisas, porque sabe mais do que eu... mas acho que tenho mesmo olho para aquilo. Só ainda não sou capaz de cozinhar todos os dias.
– Vocês parecem o casal per­feito, que não discute...
– De todo. Não temos muito o hábito de discutir, o ato em si. Mas acontece um dia acordo eu mal disposta e noutro acorda ele. Falamos mal e o outro fica aborrecido. Mas discussão, o confronto verbal, não temos esse hábito. Acho até que as maiores discussões que já tivemos foram por mensagens escritas, mesmo estando os dois na mesma casa, um vai para a sala e outro para o quarto, e teclamos furiosamente. É uma forma de controlar o tom com que as coisas são ditas, é uma forma de pensar...
– É uma forma diferente de discutir...
– Às vezes até conseguimos dizer mais facilmente as coisas que queremos sem estarmos com os nervos do confronto. Eu sou muito nervosa, para mim é muito difícil ter uma discussão saudável. Se entro nesse campo, rapidamente levanto o tom, uso outro tipo de vocabulário...
– Chegaram então à conclusão de que é melhor discutirem por telemóvel...
– Foi. Nós funcionamos muito por mensagens, mesmo durante o dia, é a forma como contactamos um com o outro, por isso, também é uma forma natural para nós de discutir. Mas nós somos mesmo muito compatíveis. Éramos amigos antes de sermos namorados e acho que isso faz toda a diferença. Sempre gostámos muito um do outro... O amor e a paixão vieram depois. Por isso, a amizade está lá sempre, é a nossa base.
– E como fazem as pazes? Qual dos dois cede primeiro?
– Na altura da discussão sou muito orgulhosa, tenho reações exageradas, mas depois passa-me depressa. Nós não temos aquela coisa de fazer as pazes, passado umas horas ou no dia a seguir já ninguém se lembra.
– Ele tem de ter muita paciência quando a Paula acorda mal disposta...
– Tem. Ele sabe disso, sabe que eu sou assim, e lida da melhor forma possível com isso: ignorando-me completamente. Nesses dias preciso de espaço e tempo. Sou muito irregular em termos de humor, sou muito hormonal. Eu própria tenho a perfeita noção de que sou assim, por isso, nessas alturas evito relacionar-me com os outros. Ele respeita-me imenso e aceita-me como sou. E isto é uma coisa que gosto muito na nossa relação, os nossos pontos francos nunca, mas nunca, são usados pelo outro como ‘arma’ de ataque, são sempre coisas protegidas.
– Sendo tão explosiva, nunca quis separar-se?
– Já tivemos os nossos conflitos fortes. Houve uma vez que chegámos a estar separados. Nunca ninguém soube, nem os meus pais nem os dele. Estivemos um mês separados. Custou-me imenso. Ele é o homem da minha vida, sou apaixonada por ele e isso não passa.
– Desde que estão juntos que toda a gente vos pergunta quando vão ter filhos...
– Nós temos planos para a vida que não coincidem com os planos que a vida tem para nós. Queremos ter filhos, temos essa vontade, mas não está a ser fácil. Não sei o que nos vai acontecer, não sei o que a vida nos reserva, está a ser um processo complicado, difícil, em termos racionais e emocionais, principalmente. Nunca achei que isto me pudesse acontecer, sempre achei que isso dependia da minha vontade, que quando quisesse tinha. E já lá vai bastante tempo...
– Já recorreram a trata­mentos?
– Já estamos nessa fase. Ainda suaves... só a partir de agora é que vamos lidar mais de frente com isso, com o ‘monstro’ que é a infertilidade. Parece que não há nada que nos impeça, mas no entanto não acontece. O médico disse-nos que já não podia fazer mais nada, que nos ia indicar um sítio onde já se usa a palavra infertilidade. E eu estou a ter algumas dificuldades a lidar com esse conceito.
– E já foram a esse tal sítio? Já fizeram alguns testes?
– Ainda vou fazer. Não está a ser fácil...
– Já falaram em adotar?
– Não, é muito cedo, não estou preparada. Para já, não sou daquelas pessoas que tem o sonho de adotar. Sempre achei que ia ter os meus filhos. Quando uma pessoa não está a passar pelo problema, é fácil de falar em tratamentos de infertilidade, de inseminações, adotar, não adotar, parece que está tudo no mesmo patamar... mas agora que estou dentro do problema, não é assim. São processos diferentes, etapas e eu ainda não cheguei à etapa em que se pensa em adotar.
– Ainda não perdeu a esperança de engravidar...
– Ainda não. Nem sequer ga­nhei força para enfrentar isto... Não é fácil. Mas a vida há de ter um plano para nós.
– Por vezes, estes contratempos da vida criam tensões na vida de um casal...
– Eu tenho imenso medo que isso aconteça, dessa tensão toda que provoca ao casal. Mas por enquanto, até ver, o Ricardo está lá. Ele deixa-me estar nervosa, sabe que só um de nós pode estar nervoso e que o outro tem de estar calmo. O Ricardo não dramatiza. Por ele, é: se ti­vermos filhos, temos, senão, somos felizes só os dois. Eu é que ainda não consigo pôr a situação nesses moldes.

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