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Rosarinho Castel-Branco Sommer: "Os meus filhos são uma bençâo"

A mentora do projeto Portugal INaGlass – Loja do Produtor recebeu-nos na sua casa de família, em Alter do Chão, junto dos filhos, Salvador e Frederico.

Andreia Cardinali
25 de janeiro de 2014, 10:00

Assim que entra na sua casa de família, em Alter do Chão, o sorriso de Rosarinho Castel-Branco Sommer, de 38 anos, ganha vivacidade. Foi ali que viveu parte da sua infância e adolescência e é ali que regressa sempre que pode. Apaixonada pela terra, não fosse descendente de agricultores e de uma das famílias mais conhecidas daquela vila alentejana, Rosarinho é uma mentoras do projeto Portugal INaGlass – Loja do Pro­dutor, criado com o objetivo de elaborar uma rede de comercialização para os vinhos de um conjunto de produtores de referência.
Feliz com o seu percurso profissional e pessoal, Rosarinho tem nos filhos, Salvador, de 15 anos, e Frederico, de 12, fruto do casamento já terminado com Nuno Oom de Sacadura, os seus principais companheiros, mas também a sua maior lição de vida, já que o filho mais velho sofre de síndrome de Asperger, um transtorno do espetro autista. Entretanto, refez a sua vida ao lado de Rui Borges, de 60 anos, relação que prefere resguardar.
– Mora em Cascais, mas as suas raízes estão aqui, em Alter do Chão...
Rosarinho Castel-Branco Sommer –
Sim, sem dúvida. Alter é a minha matriz, apesar de não ter nascido aqui. A minha mãe nasceu aqui, as pessoas ainda a tratam por menina na rua, quando a encontram, o meu avô João Frade Caldeira de Castel-Branco era um lavrador muito reconhecido na região e foi na época presidente da Câmara de Alter do Chão. O seu nome vem referenciado no famoso livro Álbum Alentejano como um dos principais agricultores do concelho.
– É daqui que tem as melhores memórias?
Esta é uma casa de família do ramo Cal­deira Castel-Branco, pertenceu ao primeiro visconde de Alter, António Mendo Caldeira de Castel-Branco Cotta Falcão, meu trisavô. É uma casa cheia de histórias, guardo boas memórias de brincar aqui com os meus primos. É aqui que encontro o meu equilíbrio, que estou com a família.
– O facto de a sua família estar ligada à produção agrícola é que desencadeou a sua paixão pelos vinhos?
– Toda a minha família está ligada à agricultura em diferentes áreas de produção desde sempre: azeite, cortiça, cereais... A minha bisavó era produtora de vinho em Cabeço de Vide, foi sempre algo que suscitou a minha curiosidade, mas é na área comercial que me sinto realizada, é um negócio essencialmente de pessoas. Costumo dizer que adoro pessoas [risos].
– É uma das mentoras do projeto Portugal INaGlass. Como surgiu esse conceito?
O projeto INaGlass – Loja do Produtor visa a criação de uma rede de comercialização para os vinhos de um conjunto de produtores de referência. Surgiu da necessidade de criar um canal de vendas que ligue diretamente o produtor ao cliente e consumidor. É um ambicioso projeto de rede de retalho de distri­buição sobretudo internacional. Reunimos três particularidades muito defendidas por todos os governos: agricultura, associativismo e exportação.
– Como responsável pela área comercial da empresa que também faz exportação, calculo que tenha de viajar bastante. Como concilia isso com as responsabilidades da maternidade?
Graças a Deus tenho uns pais que são os melhores avós do mundo e participam diariamente nesta gestão. São os avós, por exemplo, que todos os dias os vão buscar ao colégio. Também conto com o apoio do meu ex-marido nas minhas ausências, já que temos uma relação fantástica, e com a minha sogra, que considero uma das minhas melhores amigas.
– Mesmo assim, suponho que haja momentos em que seja difícil equilibrar a vida pessoal com a profissional...
Por vezes é difícil, mas com os apoios que encontro na família, tudo se torna mais fácil. Refiz a minha vida e o Rui tem sido um grande pilar para os meus filhos.
– Percebi que apesar de o Salvador sofrer de síndrome de Asperger, tem os mesmos cuidados com ele que tem com o Frederico. Sempre foi assim, ou teve de haver um processo de adaptação?
Os cuidados tenho os mesmos, mas confesso que tenho sempre um sentido de proteção maior com o Salvador, muito embora saiba que é o meu filho mais seguro. Com apenas 15 meses o Dr. Miguel Palha diagnosticou-lhe síndrome de Asperger, apesar de ligeiro. Nun­ca tinha ouvido falar, fui ler e procurar tudo, foi como se me tivessem puxado o tapete de debaixo dos pés. Hoje em dia o Salvador é um miúdo igual a todos os outros, mas com algumas particularidades: tem uma paixão por História, sabe tudo e expõe os factos de uma forma incrível. À minha revelia outro dia foi inscrever-se na Juventude Popular, a ala jovem do CDS-PP, e defende de forma muito carismática as suas convicções. Não quero que o Salvador se sinta o centro do mundo, mas ele enche o mundo de toda a gente.
– Como é a relação entre eles?
Ótima, apesar de terem interesses muito diferentes. O Frederico adora futebol, é um miúdo muito cool, ao estilo da maior parte dos miúdos da idade dele. Os meus filhos são uma bênção.
– E são muito protetores consigo?
Sim, lembro-me de uma história quando eram pequeninos e o pai os foi buscar para passar o fim de semana e eles estavam preocupados por me deixar sozinha... Desde aí, quando os entregava ao pai pedia sempre a uma amiga para estar comigo [risos].
– Que tipo de mãe é?– Talvez um bocadinho mais autoritária que permissiva. Costumo dizer que quando acaba a cerimónia começa a falta de educação. Tenho regras que eles têm de respeitar.
– Sente-se feliz e realizada, ou tem sempre necessidade de buscar algo mais?
Não sou feliz todo o dia, mas sou feliz to­dos os dias! Há vidas baseadas no ter e outras no fazer. Eu baseio a minha no fazer.

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