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No Brasil, Maria João Costa admite: “Não gosto de uma vida previsível”

A editora acaba de lançar um livro sobre o romance das brasileiras Daniela Mercury e Malu Verçosa.

Marta Mesquita
12 de janeiro de 2014, 12:00

A viver há mais de um ano e meio no Rio de Janeiro, Maria João Costa, de 37 anos, acaba de editar Daniela & Malu – Uma História de Amor, o livro escrito por Daniela Mercury e a mulher, Malu Verçosa, sobre o seu próprio romance e que promete ser um sucesso de vendas tanto no Brasil como em Portugal. Tendo como mote a publicação deste livro, a editora executiva da Leya no Brasil conversou com a CARAS sobre a sua vida no Rio de Janeiro e revelou como tem lidado com as saudades da família e do namorado, o diretor do jornal Expresso, Ricardo Costa.
– Como é que acha que o público vai receber este livro sobre a história de amor de duas mulheres?
Maria João Costa
– Acho que com curiosidade. A Daniela Mercury é uma cantora muito querida em Portugal. O anúncio do seu relacionamento com Malu Verçosa no Instagram apanhou todos de surpresa e foi feito num momento em que estavam de passagem por Portugal, o que fez, de certo modo, com que o assunto se tornasse mais próximo do público nacional, pois a imprensa portuguesa comentou-o amplamente.
– Este livro deve ser lido como uma bio­grafia, um romance ou um testemunho a favor do casamento homossexual?
– Como uma história de amor. É disso que se trata. Elas partilham com o público a intimidade da sua relação, falam das dúvi­das que sentiram com o processo, dos medos associados, da sua relação com a família e filhos, de como viveram toda esta atenção mediática... Enfim, é um livro que nos passa a mensagem de que no final só o amor conta e que não importa onde o encontramos. Sem amor a vida não vale a pena. É um livro feito de memórias afetivas, onde se incluem os poe­mas e as mensagens de amor que trocaram.
– Acredito que ao longo do processo de escrita tenha conversado muito com as duas. Foi bom conhecê-las mais profundamente?
– Foi muito interessante poder acompanhar esta história de perto. Afinal de contas, este foi, no Brasil, um momento histórico! O casamento de Daniela e Malu foi tão poético e bonito que é impossível não o sentir como natural. E foi muito bom poder conhecê-las. Ambas são mulheres inteligentes, interessantes e com per­sonalidades fortes e eu gosto de pessoas assim. Curiosamente, em vez de colidirem, acho que se acrescentam e complementam. A Malu é muito pragmática, a Daniela é sonhadora!
– O que mais a marca neste livro?
– A liberdade delas para serem e fazerem apenas aquilo que acham que é o certo, in­diferentes às críticas.
– Está há mais de um ano e meio no Brasil. Como está a correr esta aventura profissional?
– Apesar de falarmos a mesma língua, culturalmente somos mais diferentes do que pensamos. A adaptação à vida editorial deste lado foi mais complexa do que pensava, mas agora tudo está mais fluído e as ideias já surgem naturalmente.
– Arrepende-se de ter deixado a sua família, namorado e amigos? Ou é uma experiência que merece esse sacrifício?
– Não sei se sacrifício é a palavra certa, porque sempre quis passar por esta experiência. Não gosto de uma vida previsível. É evidente que tenho saudades das pessoas de quem gosto e há momentos em que é difícil estar longe e me questiono se vale a pena a mudança, especialmente quando alguém próximo fica doente. Mas a mudança não é definitiva, não tenciono ficar aqui a minha vida toda. Sei que esta minha experiência no Brasil é uma fase que devo aproveitar, pois pode ser irrepetível. Em simultâneo, acho que qualquer pessoa que passa por uma experiência destas cresce muito do ponto de vista pessoal. Estas mudanças agitam muito as águas e isso às vezes é bom, pois obriga-nos a olhar para a vida de outra forma.
– E como definiria o seu estilo de vida carioca?
– É inegável que o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa do ponto de vista geo­gráfico. De facto, há poucos lugares tão incríveis como este. E temos a praia todos os dias e a qualquer hora: na areia ou no calçadão. Nesse sentido, a minha vida melhorou, porque não tem preço ter bom tempo o ano inteiro, acordar e em minutos estar a pedalar junto ao mar. É uma cidade que nos desperta a vontade de ter uma vida saudável, se bem que boémia, o que, na prática, não combina muito.
– E vem a Portugal com frequência?
– Tenho essa sorte. Vou várias vezes por ano, o que atenua muito as saudades de casa.

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