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António e Sandra Leal mudam de vida e trocam Estoril por Santa Comba Dão

Problemas de saúde de Sandra levaram o casal a deixar Lisboa e a mudar radicalmente de vida. Cinco anos depois, estão os dois felizes com essa decisão.

Joana Brandão
22 de dezembro de 2013, 10:00

Porque queria dedicar-semais ativamente aos seus projetos musicais, mas, principalmente, porqueprecisava de melhorar a qualidade de vida da mulher, Sandra, que desdeos 18 anos estava limitada por uma doença intestinal crónica, há cinco anos AntónioLeal decidiu mudar-se do Estoril para Santa Comba Dão. Desde então, muitacoisa mudou na vida do casal. A agitação natural de uma cidade deu lugar à pazdo campo e hoje o conceito que António e Sandra têm do tempo é diferente. Ali,o músico e a tradutora reaprenderam a viver e, com surpresa, revelaram-se umaequipa de sucesso também a nível de trabalho. Prova disso é ContraCanto,musical que estrearam com êxito este ano e com o qual vão partir em digressãoem 2014.
O que motivou uma alteração tão radical de vida?
António Leal – Tinha muitos projetos que queria concretizar e, como játrabalhava com o Filipe La Féria há 13 anos, achei que estava na alturade materializar as minhas ideias. Esta vontade coincidiu com o agravar doestado de saúde da Sandra, por isso resolvemos sair dos grandes centros urbanospara ela recuperar alguma qualidade de vida.
Sandra, qual era o seu problema de saúde?
Sandra Leal – Desde os 18 anos que vivia com uma doença intestinalcrónica. O meu estado foi-se agravando ao longo dos anos e em 2001 fiz aprimeira intervenção cirúrgica. A situação complicou-se e os últimos dez anosforam vividos em sofrimento, sem dormir e com a infeção a afetar-me a coluna ea mobilidade. Até que em 2012 tive de ser intervencionada pela quarta vez.Apesar de ter sido a operação mais traumática e mutilante, fiquei curada.Durante todo este moroso processo, o António teve um papel importantíssimo,esteve sempre ao meu lado.
António – No ano passado a situação foi muito complicada. A Sandraestava a morrer e foi o tudo por tudo! Estou certo de que a nossa mudança foimuito impor­tante para a recuperação dela.
– Foi uma grande prova de amor do António...
Sandra – Sem dúvida. O processo não foi fácil, assustava qualquer um,mas o António não vacilou um segundo, esteve sempre presente.
Aqui vivem mais um para o outro. Esta mudança refletiu-se na vossa vidacomo casal?
– Passei a ter mais tempo de qualidade com o António. Quando ele trabalhava como Filipe [La Féria] era muito complicado estarmos juntos. Além disso, agoraposso colaborar com ele, há mais partilha a nível profissional. Ou seja, anossa linguagem aproximou-se, e depois de algumas experiências, descobrimos quefazemos uma boa equipa.
Profissionalmente, imagino que a vida do António seja ago­ra bastantediferente da que tinha em Lisboa?
António – Lá, vivia a um ritmo frenético, mas no início senti bastantenostalgia, porque me faltava a estrutura para fazer os espetáculos a que metinha habituado nos últimos 13 anos. Mas graças à Fundação Lapa do Lobo,consegui apoio para trabalhar os meus grandes espetáculos aqui. Claro que,financeiramente, ganhava mais em Lisboa, mas sou muito mais feliz aqui.
E qual é o seu maior proje­to neste momento?
– A par do trabalho que tenho vindo a desenvolver no Con­servatório deMúsica e Arte do Dão, onde tenho mais de 50 alunos, e da companhia de teatroque montei – não existia nenhuma na zona – consegui concretizar o ContraCanto,que escrevi, encenei e dirigi. Trata-se de uma peça de teatro musical que contaa história do país entre 1967 e os dias de hoje. A música é do José Afonsoe em palco estão o Hugo Rendas, a Paula Sá, o Carlos Martins,a Joana Leal, a Sissi Martins, o Rúben Madureira e o ArturMarques. Este projeto é muito importante para mim, porque me ajuda a mantera independência estrutural e artística.

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