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Reuters

Manoel de Oliveira completa 105 anos

O mais velho cineasta do mundo em atividade nasceu a 11 de dezembro de 1908, no Porto.

Redação CARAS
11 de dezembro de 2013, 13:39

Manoel de Oliveira festeja hoje o seu 105.º aniversário e, apesar daidade, continua cheio de ideias e vontade de trabalhar. Ao longo da suacarreira, que teve início em 1931 com a estreia da curta-metragem documental Douro, Faina Fluvial, já realizou 32longas-metragens.
Para assinalar a data serão feitas várias homenagens na sua cidade natal, entreelas a inauguração da exposição Manoel deOliveira – 105 revistas, organizada pelo Museu da Imprensa. O evento deverácontar com a presença do cineasta.

Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu a 11 de dezembro de 1908 na Cedofeita,no Porto. Muito cedo foi para Espanha, para a cidade de A Guarda, na Galiza,onde frequentou um colégio de jesuítas. O próprio já referiu que nunca foi bomaluno e que encontrou no desporto um escape e chegou mesmo a ser campeãonacional de salto à vara.
À parte disso, dedicou-se também ao automobilismo e a uma vida boémia, onde astertúlias com amigos como José Régio,Agustina Bessa-Luís ou Luís Amaro de Oliveira, eram umaconstante.
Com apenas 20 anos deu os primeiros passos na escola de atores do Porto e, em1928, participou num filme de Rino Lupo.Cinco anos depois participou no segundo filme sonoro português, A Canção de Lisboa, realizada por Cottinelli Telmo, em 1933.
A aventura no mundo da ficção começou em 1942 com Aniki Bóbó, um filme que retratava a infância das crianças queviviam na Ribeira do Porto. Na altura, foi um fracasso comercial e só algunsanos mais tarde foi reconhecido como uma das melhores obras do cinemaportuguês.
O insucesso fê-lo abandonar o cinema e dedicar-se aos negócios da família.Regressou 14 anos depois, em 1956, com OPintor e a Cidade.
Foi nos anos 60 que o seu trabalho começou a ter reconhecimento internacional:primeiro com uma homenagem no Festival de Locarno, na Suíça (1964), e depoiscom a exibição da sua obra na Cinemateca de Henri Langlois, em Paris (1965).
Na década seguinte, com O Passado e o Presente (1971), inaugurou a época dosprémios e elogios pelo seu trabalho. Seguiram-se Benilde ou a Virgem Mãe (1975), Amorde Perdição (1978) e Francisca(1981).
Em 1985 foi galardoado com o Leão de Ouro, no Festival de Veneza, pelo filme Le Soulier de Satin.
Dois anos depois realizou o documentário APropósito da Bandeira Nacional, um filme sobre a exposição do seu filho, opintor Manuel Casimiro de Oliveira,em Évora.
Desde essa altura manteve um ritmo de trabalho imparável, com umalonga-metragem por ano.
Em 1988 levou Os Canibais ao Festivalde Cinema de Cannes e dois anos depois, no mesmo evento, apresentou Non ou a Vã Glória de Mandar, que lhevaleu uma menção especial do júri. Nos anos que se seguiram sucederam-se ashomenagens, em Veneza (1991), Tóquio (1993), São Francisco e Roma (1994) e cadavez mais o trabalho de Manoel de Oliveira passou a ser reconhecido em todo omundo.
Foi galardoado pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) em 1995, com o PrémioCarreira, no âmbito das comemorações do centenário do cinema português.
Em 1997, a SIC e CARAS atribuíram-lhe o Globo de Ouro de Melhor Realizador. E em2009 o cineasta voltou a ser distinguido durante a gala dos Globos de Ouro como Prémio de Mérito e Excelência.
Já com 103 anos, recebeu o doutoramento honoris causa pela Universidade deTrás-os-Montes e Alto Douro e este ano a Medalha de Conhecimento e Mérito doInstituto Politécnico de Lisboa.
No ano passado, o realizador estreou OGebo e a Sombra, rodou uma curta-metragem, O Conquistador Conquistado, na sequência do convite da cidade deGuimarães enquanto Capital Europeia da Cultura.
Manoel de Oliveira é casado, desde dezembro de 1940, com Maria Isabel, de 95 anos, dequem tem quatro filhos: Manuel Casimiro,José Manuel, Isabel Maria e Adelaide. Nos últimos anospassou por vários momentos delicados ao nível da saúde, sobretudo devido aproblemas cardíacos e respiratórios.

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