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Mosteiro do Prior do Crato dá guarida ao Castelo da CARAS

Fortaleza, paço do Prior do Crato, igreja e mosteiro da Ordem dos Hospitalários, Santa Maria de Flor da Rosa, a dois quilómetros do Crato, foi adaptado a pousada pelo arquiteto Carrilho da Graça.

Redação CARAS
7 de dezembro de 2013, 18:00

Mandado erigir em meados do séc. XIV por D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira – superior da Ordem dos Hospitalários (designada por Ordem de Malta a partir de 1503) e o primeiro a usar o título de Prior do Crato –, o Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, a dois quilómetros do Crato, torna-se, a partir de 1356, casa-mãe daquela poderosa ordem religiosa e militar. Considerada a mais importante igreja-fortaleza conventual do nosso país, esta volumosa edificação granítica de estilo gótico, que se eleva na planície alentejana com dimensões de gigante quando comparada com o casario branco da aldeia de Flor da Rosa, que cresceu a seus pés, é tão imponente e robusta que se diria quase inexpugnável. Porém, foi sem luta que nos abriu os seus seculares portais, para nela instalarmos este ano o Castelo da CARAS.
Mas voltemos por breves instantes ao séc. XIV, para melhor percebermos a importância deste mosteiro. O vasto senhorio do Crato, que incluía 25 comendas e abrangia terras tão distantes como a Sertã, Oleiros, Pedrógão Pequeno ou Proença-a-Nova, foi dado aos cavaleiros hospitalários por D. Sancho II, em 1232, mas só em 1340 D. Álvaro, que era filho do influente arcebispo de Braga, D. Gonçalo Pereira, e em 1335 se tornara mestre dos Hospitalários, decidiu transferir para ali a sede da ordem, mandando construir o Mosteiro de Santa Maria, que ficaria concluído em 1356.
Apesar de não ser consensual, segundo alguns historiadores terá sido neste mosteiro – ou, pelo menos, numa das casas vizinhas –, que nasceu, em 1360, o mais famoso dos 32 filhos naturais de D. Álvaro: D. Nuno Álvares Pereira, herói da crise de 1383/85 e futuro Condestável do reino. Mais consensual é o facto de D. Nuno ter vivido os seus primeiros anos entre estas espessas paredes, aqui aprendendo as artes da guerra, mas também as letras, bebendo nos romances de cavalaria existentes na biblioteca do mosteiro os ideais que orientariam a sua vida.
Extremamente danificado pe­lo terramoto de 1755 e por um temporal em 1897, e extintas as ordens religiosas no séc. XIX, em 1910 o mosteiro foi classificado Monumento Nacional. Na década de 40 sofreu uma intervenção de restauro, mas não lhe seriam dadas novas funções. Praticamente abandonado durante as décadas seguintes, só ganhava vida por ocasião do 15 de agosto, quando o seu terreiro acolhia as festas em honra de Nossa Senhora das Neves e S. Bento.
Nos anos 90, porém, tudo mudou. Transformado pelo traço do arquiteto João Luís Carrilho da Graça (Prémio Pessoa 2008), o mosteiro ganhou nova vida quando abriu ao turismo como Pousada de Portugal.
Carrilho da Graça, que é natural da vizinha cidade de Portalegre, adaptou, sem lhes alterar a traça, a zona do paço acastelado e as dependências monacais, e acoplou ao edifício secular uma ala contemporânea. Sabiamente, fê-lo num prolongamento da parte posterior do alçado esquerdo, deixando que a fachada principal ficasse visual­mente intocada.
No interior, sob as austeras paredes de pedra onde o Con­destável cresceu, é hoje possível aos hóspedes fazer uma viagem ao passado sem, no entanto, abdicarem de uma série de requisitos de conforto indispensáveis nos nossos dias. E sem se esquecerem por completo de que o seu tempo é o século XXI, pois o mobiliário e as peças decorativas apostaram assumidamente no minimalismo.
Entretanto, mais recentemente, em 2009, a ala que não está afeta à pousada – o que inclui não só a igreja (onde se encontra o túmulo de D. Álvaro Gonçalves Pereira) e a sacristia, mas também algumas salas monacais – foi igualmente recuperada, passando a estar aberta ao público como espaço museológico.

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