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Daniel Oliveira: “Nunca procurei nenhum dos cargos que me foram propostos”

Aos 32 anos, além de diretor do canal SIC CARAS, coordenador de programas da SIC e apresentador do ‘Alta Definição’, Daniel acaba de lançar o primeiro romance.

Inês Neves
6 de dezembro de 2013, 11:34

Semanalmente partilha com os telespectadores o lado mais pessoal dos seus convidados em Alta Definição, mas quando toca a falar da sua vida, Daniel Oliveira é reservado. Ainda assim, o apresentador mostrou-nos o desejo de ser pai e falou do seu percurso, que o levou de jornalista a diretor do novo canal SIC CARAS.
– É coordenador de programas, tem um programa seu, é diretor do canal SIC CARAS e acaba de lançar o primeiro romance. Como arranja tempo para tanta coisa?
Daniel Oliveira – Tem a ver com a necessidade de fazer acontecer coisas, de estar sempre em ação e de ter, julgo eu, alguma agilidade na produção de todas essas tarefas para que tudo o que vem de novo complemente aquilo que já fazia. Roubo algumas horas ao descanso, mas, com método, tudo se consegue.
– É costume dizer-se que quem faz muita coisa ao mesmo tempo não faz nenhuma bem feita. Não se aplica ao seu caso?
– Faço várias coisas, mas cada uma a seu tempo. Não preparo o Alta Definição e escrevo um livro ao mesmo tempo, por exemplo. Quando estou a gravar o programa, só faço isso. Agora, há outras tarefas que é possível conciliar, como, por exemplo, estar a editar o Alta Definição e a escrever a apresentação do canal SIC CARAS, como aconteceu. Coloco sempre o máximo empenho em todas as tarefas, depois, cabe ao público avaliar se está bem feito ou não.
– Aos 32 anos, é diretor de um novo canal. É raro alguém tão novo ocupar tal cargo...
– Não cheguei aqui de repente, é uma evolução natural do meu percurso. Comecei a trabalhar há 16 anos, mas há 13 que exerço cargos de coordenação. Depois, acho que seremos sempre julgados pelos resultados, seja qual for o nosso percurso, e com as equipas que fui tendo conseguimos criar formatos e programas que se autossustentaram e que se impuseram na televisão portuguesa. Por isso, relativizo a questão da idade. Acho que o canal é tão mais importante do que o lado pessoal, que prevalecerá sempre em relação a esses estados de alma pessoais, até porque não leva a lado nenhum eu achar que aos 32 anos já sou diretor de um canal. O que me interessa é fazer bem, portanto, não me vale de nada conseguir a oportunidade se não tiver capacidade de a executar bem.
– Tem sede de poder ou de vencer?
– Querer vencer não é bem ter sede de vencer. Quero vencer como um stand de au­tomóveis quer vender carros, como alguém que faz revistas as quer vender. Quero vencer as minhas próprias metas, independentemente dos outros, quero conseguir fazer aquilo a que me proponho. Quero vencer não no sentido lato de estar na competição, quero vencer no sentido de ultrapassar barreiras.
– E há limites para se vencer? Chegou até aqui pelo caminho certo, tem a consciência tranquila?
– Claro, tenho a consciência tranquilíssima. Tanto que nunca procurei nenhum dos cargos que me foram propostos. Sempre respeitei os profissionais com quem trabalhei, sempre fui muito próximo das equipas com quem trabalhei, sempre fui um elemento que está lá a ajudar e não que está acima, procuro nunca me sentir superior, nem às pessoas que trabalham comigo, nem à minha tarefa.
– Já chegou muito longe, mas tem algu­ma meta a atingir?
– Não. Quero continuar a fazer o que tenho feito. Gostaria de fazer entrevistas para sempre. A realidade acaba sempre por nos ultrapassar, portanto, nunca coloquei metas a mim mesmo, quero é fazer bem e estar à altura dos desafios que me são propostos.
– Quando frequentava a primeira classe, a professora queria passá-lo para a terceira. Aos 16 anos, começou a trabalhar por vontade própria e a ir atrás de entrevistas exclusivas. Acha-se de alguma forma sobre­dotado?
– Não, acho que tudo tem a ver com trabalho e sorte. Todos temos ferramentas diferentes para fazermos as coisas... Não vejo as coisas dessa forma, acho que seria estar a sobrevalorizar-me muito. Parte do meu sucesso tem a ver com trabalho, empenho e investimento pessoal numa série de tarefas e no próprio crescimento enquanto homem.
– Há quem diga que quando se tem sucesso no trabalho se descura a vida pessoal. É o seu caso?
– A vida pessoal, mas não a vida familiar. E quando digo vida pessoal refiro-me a ter menos tempo para mim, mas estando com os meus, o tempo é meu também. Como não sou muito de sair à noite e ter uma vida desregrada, sempre fui certinho, consigo ter tempo para essas coisas. Acho que tem a ver com método e prioridades. A família não é pequena e de certeza que há pessoas que gastariam que estivesse mais próximo, mas procuro estar próximo daqueles que me são mais chegados. Sou muito chegado à minha família. Eles são o nosso chão, a nossa base, e isso não pode ser descurado, e por mim nunca o foi em função do trabalho. Gostaria de ter mais tempo para ler, para ir ao cinema, para dormir... mas não me queixo, porque tiro tanto prazer das coisas que faço que sinto que sou um privilegiado nesse sentido.
– Parece ser um pouco workaholic
– Não, rejeito completamente essa imagem. Um workaholic vive para o trabalho, é dependente dele e está lá muitas vezes sem nada para fazer. Eu trabalho muito porque tenho muito para fazer, mas quando não tenho nada para fazer, não estou a trabalhar.
– O Daniel e a Andreia estão juntos há três anos, partilham casa e trabalham juntos...
– Não trabalhamos diretamente juntos, eu sou coordenador do programa que ela apresenta, mas a marcação das peças não é feita por mim. Tenho um acompanhamento da escolha dos temas, mas não de quem os vai fazer. Não interfiro mais no trabalho dela do que no das outras pessoas do programa. Se está bem feito, ótimo, senão, tem de ser corrigido. Quem me conhece sabe que eu levo o trabalho tão a sério que jamais deixaria que a vida pessoal minasse a profissional.
– Então, não há espaço para favoritismos?
– De todo. E quem trabalha diretamente comigo sabe que é assim. Para mim, não há outra forma de trabalhar, seja em relação à Andreia, seja em relação a algum amigo. E connosco isso sempre foi muito simples. Como comecei a trabalhar muito novo, esse sentido de responsabilidade sobre as coisas esteve sempre muito presente.
– E levam trabalho para casa?
– Tento não levar. Sobretudo não falamos de trabalho em casa, no trabalho que diz diretamente respeito aos dois. E mesmo o trabalho que é só meu, tento não levar para casa. É uma forma de não interferir na relação. Porque já são tantas horas de trabalho que preciso desse tempo em casa para viver uma vida que não esteja direcionada para o trabalho.
– O que falta para darem o passo seguinte?
– Mas porque é que tem de faltar? Essa gestão de relações de fora para dentro para mim não faz sentido. Eu e a Andreia tomaremos os passos que acharmos indicados na altura que acharmos indicados. Vemos várias vezes esse interesse por quem está à nossa volta, mas como não sou influenciável, isso para mim é apenas objeto de sorriso.
– Ambiciona ser pai? Gosta de crianças?
– Sim, gosto. Tenho dois sobrinhos que adoro e, de uma forma geral, como gosto de me dar às brincadeiras, acho que tenho boa relação com os mais novos. Vejo-me facilmente no papel de pai, mas um dia... Com os meus sobrinhos tenho exclusivamente a parte do entretenimento, não a responsabilidade de educar de forma permanente, portanto, esse papel de pai será muito diferente do de tio amigo. O meu trabalho não é impeditivo para que isso aconteça, tem simplesmente a ver com a gestão que eu e a Andreia fazemos da nossa relação.

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