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Atriz há quatro décadas, Marina Mota revela: "O drama desgasta-me imenso"

Aos 50 anos, a atriz diz que apesar de estar solteira e com vontade de voltar a apaixonar-se, vive uma fase serena, provavelmente típica da idade.

Andreia Cardinali
30 de novembro de 2013, 10:00

Começou a cantar aos oito anos e nunca mais deixou de sentir o calor do palco e a emoção dos aplausos. Hoje, aos 50 anos, Marina Mota é uma das atrizes mais reconhecidas do país, em especial na revista à portuguesa, onde cresceu e da qual tem “memórias infindáveis e muito especiais”. Foi sobre o seu percurso profissional, mas também sobre o amor que tem pela filha, Erika, e pelos netos, Alexia e Gabriel, e a vontade que tem de voltar a apaixonar-se, que a atriz falou com a CARAS. Já sobre o processo em que é acusada de fuga ao fisco no valor de um milhão de euros, através de offshores, no âmbito da Operação Furacão, disse apenas: “Sobre esse assunto não vou falar. Mais uma vez revela que eu devo ser uma figura muito mediática, pois segundo sei, e consta no processo, fala-se de pessoas muito mais importantes do que eu. É sinónimo da minha importância, neste caso no mau sentido, mas não vou comentar.”
– Começou a cantar muito cedo...
Marina Mota –
Sim, costumo dizer que não estou nesta profissão por escolha minha, mas sim porque a profissão me escolheu. Comecei a cantar por brincadeira, em 71, num concurso no antigo Cinema Odéon. Dois anos depois, ganhei o Mercado da Primavera, gravei o meu primeiro disco e nas férias comecei a cantar para as comunidades portuguesas nos Estados Unidos, no Brasil, na Bélgica, no Canadá... Continuava a estudar e cantar era um hobby, nunca pensei profissionalizar-me.
– Como é que lidou com a fama tão jovem?
Fui muito bem educada pelos meus pais e tenho uma formação moral que me ajudou imenso, ou seja, o importante para mim era, sem dúvida, o partilhar aqueles momentos. Cantar fado era um hobby divertido e foi sempre encarado assim. Anos depois, o teatro também surgiu da mesma forma. Fui para o Teatro Nacional para cantar fado, acharam que eu tinha gracinha para representar e pronto, foi assim. Também nunca sonhei ser atriz.
– Mas depois o teatro, sobretudo o de revista, tornou-se uma paixão...
Sem dúvida. É onde me realizo, é de facto o género teatral mais abrangente que conheço, mais diversificado, mais versátil, permite-nos fazer todos os géneros num só.
– Teve a sorte de viver os anos áureos da revista...
Acho que vai acontecer à revista o que aconteceu com o fado. Quando comecei a cantar fado também era considerado uma canção menor e hoje é Património da Humanidade. Demoraram um tempo... A revista é um bocadinho a mesma coisa, se calhar vai é demorar ainda mais tempo.
– O projeto que protagoniza agora, ‘Grande Revista à Portuguesa’, de Filipe La Féria, acompanha de certa forma o seu percurso...
Sim, é verdade. Eu cresci com a revista. Aliás, quando disse que a minha vida mudou, mudou também a nível pessoal, porque foi quando me estreei no Teatro que conheci o Carlos Cunha. Casámo-nos e tivemos uma filha nesse tempo do Parque Mayer.
– E agora a Erika também segue os passos dos pais...
Sim, o que foi uma surpresa para nós. Ela nasceu e cresceu no meio sem demonstrar a mínima apetência e agora, aos 30 anos, é que lhe apeteceu...
– Dá-lhe conselhos?
Só a aconselho a fazer o que ela quiser para ser feliz. Não sei se esta é a profissão indicada para se começar aos 30 anos, mas ela sabe isso e acho que vai saber defender-se.
– Desde que terminou a relação com o Oceano, não se lhe conheceu nenhum namorado...
Porque pelo menos para já não houve ninguém que merecesse a justiça de ser comparado ao Carlos ou ao Oceano.
– Está então solteira?
Solteiríssima. E infelizmente não estou apaixonada, mas tenho muita fé que isso aconteça. Sinto uma falta incrível de estar apaixonada, pois é um estado que me anima.
– Como é que tem lidado com o avançar da idade?
Para já, posso dar-me por feliz, porque as rugas ainda não me chatearam muito [risos]. Hoje há muita coisa que podemos fazer para nos cuidarmos um bocadinho. Mas também temos que nos ir habituando à ideia de que o corpo envelhece.
– Será pessoa para recorrer a cirurgias?
Se precisar, farei todas as que me apetecer, sem dúvida nenhuma. Elas existem para serem feitas. Mas na cara tenho algum receio...
– Por ser um instrumento de trabalho?
Exatamente. Tenho medo de olhar para mim e não me reconhecer. Mas quando me sentir menos bem comigo, farei o que for preciso.
– É mais conhecida como atriz de comédia...
Já fiz vários dramas, mas digo sempre que prefiro fazer comédia. Trabalho com emoções e tento dar credibilidade às minhas personagens, sejam elas dramáticas ou cómicas. E quando faço coisas dramáticas, para que tenham credibilidade eu tenho que as sentir. Quer isto dizer que o drama me desgasta imenso!
– E o rótulo de atriz de comédia nunca “castrou” oportunidades noutras áreas de representação?
Não, não, de maneira nenhuma. Até porque na revista tive oportunidade de fazer tudo, daí ser completamente fã deste género. E já cheguei a um momento em que acho que já não tenho de mostrar a ninguém que sou capaz de fazer isto ou aquilo.

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