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Andreia Dinis revela: "A minha maior ambição na vida é ser uma mulher feliz"

A atriz de ‘Sol de Inverno’ mostra as suas fragilidades, medos e conquistas.

Marta Mesquita
30 de novembro de 2013, 16:00

Andreia Dinis, de 35 anos, é uma das atrizes que integram o elenco da novela da SIC Sol de Inverno. No papel de Ana Mendes, está a viver um dos seus maiores desafios profissionais, que a tem obrigado a sair da sua zona de conforto e a lidar com emoções que a deixam “desfeita”, como admite.
Mas se na novela Andreia é uma mulher sufocada pela rotina diária e frustrada por não se sentir realizada, na vida de todos os dias a atriz é uma mulher feliz ao lado do companheiro, Daniel Teixeira, e da filha, Flor, de três anos. E foi precisamente sobre as mulheres que é, dentro e fora do ecrã, que Andreia conversou com a CARAS.
– Está a ser um desafio interpretar o papel de Ana Mendes em Sol de Inverno?
Andreia Dinis
– É um papel diferente de todos os que já fiz. A Ana é uma personagem complexa e muito rica, porque vive muitas emoções e estados de espírito. Não é linear e exige que eu, atriz, tenha uma predisposição muito grande para todos esses estados de espírito, o que tem sido muito enriquecedor para mim. A Ana acaba por ser uma personagem com uma maturidade maior do que todas as outras que fiz. Chego ao fim do dia cansada, porque há choros e gritos acompanhados de uma grande revolta interior.
– Na novela, a Ana abandona o marido e o filho. Acredito que esta atitude da sua personagem tenha mexido consigo, uma vez que também é mãe...
– Quando fiz a cena em que a Ana se despede do filho, ela não podia dar a entender que aquilo era uma despedida. Depois de gravarmos, fiquei desfeita, abalada. Vivi intensamente essa cena, porque ali eu era a Ana. Quando estava a abraçar aquele filho, pensava na minha filha e em como seria se estivesse a despedir-me da minha filha. Foi avassalador.
– Incomoda-a pensar que, se calhar, o público não vai gostar da sua personagem?
– Não, isso não me incomoda nada. Se me disserem “não gosto de si” é sinal de que estou a fazer bem a minha personagem! É difícil o público identificar-se com a Ana.
– Quais são os seus truques para não levar uma personagem tão forte como esta para casa
– Assim que saio das gravações deixo lá a Ana e venho só com o cansaço. No meu dia-a-dia não penso nela, até porque somos completamente distintas. E temos gerido bem as coisas no que diz respeito à carga horária. Tenho tempo para a minha vida e para descansar.
– A sua personagem não conseguiu suportar a rotina. E como é que a Andreia e o Daniel, que estão juntos há 17 anos, lidam com a rotina? Evitam-na ou até convivem bem com ela?
– Não há fórmulas secretas. Vivemos um dia de cada vez. Como todos os casais, temos momentos em que estamos bem, outros menos bem. Ajuda muito sermos um casal cúmplice. A mim, incomoda-me muito mais a rotina de quando não estou a gravar e não sei o que poderei estar a fazer na semana a seguir do que a rotina de quando estou a gravar. O que nos custa mais é lidar com a nossa instabilidade profissional, sobretudo a partir do momento em que a Flor nasceu. Com a maternidade tornei-me muito mais insegura em relação ao futuro. Mas hoje em dia, já quase não há trabalhos estáveis. Tento relativizar as coisas.
– Mas essa instabilidade não a impede de ter sonhos e ambições...
– Sim, é verdade, mas não tenho muitos sonhos. A minha maior ambição é ser feliz e para isso preciso que a minha família também o seja. Para ser feliz não preciso de ter muito dinheiro ou de ter mais protagonismo em projetos televisivos. Preciso de ter trabalho, saúde, bem como todos os que estão à minha volta. De alguma maneira, no meio desta instabilidade só quero ter a estabilidade para poder viver o dia-a-dia.
– Esses receios levam-na a adiar a decisão de ter outro filho?
– Também, mas é um misto de coisas. Confesso que acho um ato de coragem quem decide ter outro filho quando ainda tem um muito pequeno. A Flor exige muito de nós, pede muita atenção. Para estudar, por exemplo, não posso estar ao pé dela! Está numa fase super gira e, tirando as birras, está muito querida. Vem, dá-me um abraço e diz-me: “Mãe, és linda! Dás-me duas gomas?” É uma fase muito engraçada, muito espontânea. Mas preferia que não fosse filha única.
– Nestes últimos três anos, viveu os melhores e os piores momentos da sua vida, com o nascimento da sua filha e com a morte da sua mãe. Acredito que todas estas emoções a tenham mudado...
– Foram três anos muito intensos e tive de aprender a viver com essas emoções. Os piores momentos pelos quais passei ainda estão muito presentes, ainda me afetam muito e nem sei se algum dia vão deixar de afetar... Mas depois tenho a Flor, que é o melhor do mundo. Às vezes sinto-me mais frágil, outras mais forte, mas a verdade é que deixei de ter um dos pilares mais fortes da minha vida. Tive o melhor exemplo que poderia ter tido.
– Sente-se realizada?
– Nunca me sinto plenamente realizada e isso é bom, porque não me permite estagnar. Querer mais faz parte da nossa aprendizagem. Quero crescer mais como atriz, por exemplo. E tem sido bom perceber que em cada projeto amadureço. É bom ouvirmos que estamos a fazer um excelente trabalho. Gosto de ter esse reconhecimento, porque dou sempre o meu melhor.  Não estou totalmente realizada, mas sinto-me bem na minha pele.

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