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Fátima Lopes admite: “Se não tenho tempo para a família, fico desequilibrada”

A apresentadora e escritora revelou à CARAS o que faz de si uma mulher realizada.

Marta Mesquita
24 de novembro de 2013, 16:00

Fátima Lopes, de 44 anos, apresentou recentemente o seu quinto livro, Mães e Filhas com História, no qual explora as vidas de dez duplas de mães e filhas. Esta aventura literária levou a apresentadora a analisar aquele que é o papel mais importante da sua vida: o de mãe. Ao lado dos filhos, Beatriz, de 13 anos, e Filipe, de quatro, que já nasceu do seu casamento com Luís Morais, a apresentadora tem descoberto que é uma mãe muito parecida com a sua e que tem conseguido equilibrar na perfeição a disciplina com o mimo.
Fá­tima Lo­pes pode orgu­lhar-se de se sentir preenchida tanto a nível pessoal como profissional. A conduzir diariamente em direto o programa A Tarde é Sua, na TVI, a apresentadora garante que se sente realizada, contudo, não esconde a ambição de agarrar novos desafios.
Numa manhã passada em Sintra, a apresentadora e autora revelou à CARAS as emoções que fazem de si uma mulher feliz e “apaziguada” com as escolhas que tem feito.
– Neste livro, a Fátima aventurou-se num novo registo literário...
Fátima Lopes
– Saí bastante da minha zona de conforto, mas a ideia era mesmo essa, porque queria desafiar-me. Depois dos quatro romances, queria fazer uma coisa diferente, e como sou uma apaixonada por livros históricos e pelo tema mães e filhas, este cruzamento pareceu-me maravilhoso. E eu não costumo virar a cara a um desafio por medo. O que faço é perceber se tenho mesmo vontade de fazer alguma coisa. Se tiver, avanço. Aprendi e diverti-me muito a escrever este livro! Foi uma felicidade conhecer estas mulheres sobre as quais escrevi.
– A Fátima também é mãe e filha. De que forma estas histórias que escreveu mexeram consigo?
– Todas as histórias mexeram comigo, mesmo aquelas cuja realidade é muito diferente da minha. Aquilo que me aconteceu de mais curioso com este livro foi dar por mim a fazer uma espécie de autoanálise dos meus papéis de mãe e de filha. E acho que fiquei uma mãe diferente depois deste livro. Tornei-me uma mãe mais apaziguada e fiquei mais tranquila em relação ao equilíbrio que tenho de ter entre o educar e o dar colo.
– E é a mãe mais da educação ou do mimo?
– Das duas coisas. Educo os meus filhos e estabeleço-lhes regras. É fun­damental balizar os nossos filhos, orientá-los, dar-lhes fronteiras. Uma criança que cresce sem saber a importân­cia da palavra ‘não’, vai ter muitas dificuldades em enfrentar os trope­ções da vida. Por amor, temos de educar. Mas também sou muito a mãe do colo, dos abraços, dos beijinhos, do rebolar no chão e de encostar os meus filhos ao meu peito... Sou uma pessoa muito afetiva.
– É uma mãe muito diferente da sua própria mãe?
– Não... Quando estava no papel apenas de filha, havia coisas que a minha mãe fazia que eu não compreendia. Quando chegou a minha vez de ser mãe, percebi que fazia todo o sentido certas coisas que ela fez ou disse. As mães querem uma coisa: proteger os filhos. E eu faço exatamente isso com a Beatriz e o Filipe. Hoje, analiso muitas das minhas atitudes e vejo que são iguais às da minha mãe. Sou uma seguidora da educação que ela me deu, só não sei se conseguirei fazer tão bem. A minha mãe é a minha fonte de inspiração e está sempre lá sem eu sequer precisar de pedir.
– Acredito que a relação que tem com a Beatriz seja muito diferente da que tem com o Filipe...
– Sim, mais pelo facto de terem idades diferentes do que pelo sexo. Tenho uma adolescente e uma criança pequena. Para o Filipe, neste momento, o importante é dar colo e ele é um menino muito ‘lapa’. Tem uma relação muito forte comigo e com o pai. Quan­do à noite eu e o pai lhe vamos dar um beijinho à cama, o Filipe puxa-nos, abraça-nos e diz: “Ai, meus queridinhos!” E eu acho isso delicioso! Com a Beatriz já é diferente. As meninas são mais fáceis em algumas coisas, mas noutras são mais desafiantes. Por um lado, elas acatam melhor as regras, por outro, são mais complicadas e querem discutir todos os porquês.
– Na fase da adolescência, os filhos têm quase sempre uma atitude desafiadora para com os pais. Já vai havendo alguns confrontos entre si e a Beatriz?
– Já sinto isso há uns bons anos, hoje em dia tudo começa muito mais cedo. E esses confrontos com as mães são normais, porque é uma forma de se afirmarem e de estabelecerem qual é o seu território. Eu e a Beatriz confrontamo-nos bastante, mas isso não desgasta a nossa relação nem nos impede de chegar à fase do mimo e do abraço. Sou uma mãe tesa com ela, mas também lhe dou muito mimo. E conheço-a muito bem... Basta-me olhar para os olhos dela para perceber que se passa alguma coisa.
Para o ano, a Fátima completa 20 anos de carreira. Está realizada com a sua vida profissional ou, neste momento, ambiciona algo mais?
– Eu ambiciono sempre mais e no dia em que isso não acontecer devo estar morta. Vou ser daquelas pessoas que aos sessenta e tal anos ainda têm muitas coisas para fazer. A carreira é um processo de permanente crescimento e de aprendizagem. E não tem nada que ver com o que os outros pensam, porque não me preocupo minimamente com isso. Mas sinto-me realizada com o que estou a fazer, que me tem permitido ter disponibilidade para estar com as pessoas de quem gosto. Se não tenho tempo para a família, fico desequilibrada. Tenho uma relação muito clara com os meus diretores, que sabem exatamente com o que podem contar da minha parte.
– Sim, o Luís tem sido um grande companheiro. Estamos juntos há dez anos e casados há oito. Ele percebe os desafios a que me proponho e compreende que em fases de muito trabalho, por exemplo, tem-me menos. E quando se passa isso com ele eu também compreendo. Entre nós há um grande equilíbrio.
– Diz que não se preocupa com o que os outros pensam de si. Sempre foi assim?
– A experiência ensina-nos que se começamos a dar muita importância ao que os outros pensam sobre nós, a nossa vida pára. Não é possível agradar a gregos e troianos. Agora, há pessoas a quem faço questão de perguntar o que acham do meu trabalho e essas opiniões podem levar-me a mudar muita coisa. Apesar de ter quase 20 anos de carreira, continuo a considerar-me bastante humilde, porque sento-me à mesa com a minha equipa e temos uma reunião aberta em que todas as pessoas podem manifestar-se sobre a minha prestação.
– Mas há, com certeza, coisas que a magoam...
– Há muitas coisas que me magoam. A falta de verdade, de honestidade, o cinismo e a inveja são coisas que não suporto! Quando a questão tem que ver com a falta de lealdade ou de valores, não dou segundas oportunidades. Há coisas das quais não abro mão. O que distingue as pessoas não é o dinheiro que têm ou não têm e sim os seus valores.
– A idade tornou-a mais into­lerante?
– A idade tornou-me mais exigente. Abaixo de determinado limiar de qualidade, não quero.

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