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Luís Norton de Matos publica romance com o apoio da mulher e das filhas

Junto da mulher, Joana, e das filhas, Bárbara, Carolina e Maria, Luís Norton de Matos contou o processo que deu origem a este seu primeiro romance, ‘A Noite em que te Vinguei’.

Andreia Cardinali
23 de novembro de 2013, 16:00

Conhecido pelo seu trabalho na área do futebol, primeiro como jogador, depois como treinador, Luís Norton de Matos, de 59 anos, tem estado simultaneamente ligado aos media: foi fundador e diretor da revista Foot, colaborador de diversos jornais e televisões e até locutor de rádio. Mas há uma faceta sua que permanecia desconhecida até agora: a de autor de ficção. O romance policial A Noite em que te Vinguei confirma que a escrita é um dos seus talentos. A seu lado neste percurso variado, Luís Norton de Matos tem tido a mulher, Joana, de 39 anos, os filhos, Luís, de 38, Bárbara, de 34, Carolina, de 24, e Maria, de 15. Foi precisamente junto das mulheres da sua vida – o filho não pôde estar presente – que o autor nos contou como se sente feliz com tudo o que a vida lhe tem reservado.
– A escrita sempre fez parte da sua vida...
Luís Norton de Matos – Sim, praticamente desde que me conheço. Desde os anos 70 que escrevo para revistas e jornais e costumo dizer que na minha vida há três polos interligados: cinema, música e leitura. E é dessa forma que vejo este livro, como uma junção de tudo. Na minha cabeça, é um filme que pus em palavras.
– Conte-me o processo que culminou neste livro...
Fui escrevendo folhas soltas ao longo de anos, sem pressões nem prazos, mas com a vontade de um dia as publicar. Fui guardando e um dos capítulos deste livro, por exemplo, foi escrito há mais de 20 anos. Com a era dos computadores comecei a estruturar tudo melhor e fui construindo devagarinho. Em Dakar [onde viveu quatro anos], altura em que passei a ter mais tempo para mim, construí a maior parte deste livro. A Joana gostou muito do que leu e estava sempre a incentivar-me a mostrá-lo a alguém. Quando vim para Portugal, dei-o a ler a uma editora e gostaram muito. Pensei que afinal o livro até poderia ter alguma qualidade. Foi graças a esses incentivos que este livro acabou por sair da gaveta.
– Mas já veio de Dakar há um ano, e o livro só agora saiu...
Sim, pois quando já estava tudo mais ou menos aprovado para avançarmos, fui convidado para o Benfica [como treinador da equipa B] e como gosto de separar as coisas, achei que não faria sentido publicar um livro enquanto estivesse a trabalhar no clube e guardei-o. Quando saí, em maio, voltei a pegar em tudo e agora acredito que o livro está muito melhor, pois estive os meses de verão a trabalhar nele. Reescrevi os últimos quatro capítulos e acho que a história ficou mais equilibrada e com mais suspense.
– O livro conta a história de um ex-futebolista que decide vingar-se...
Sim. Este livro é ficcional, mas também tem um pouco de inspiração na minha vida, pois nós não conseguimos fugir àquilo que são as nossas experiências e vivências. Construí um enredo de algum suspense entre o mundo jornalístico e do desporto, que foi o que vivi, mas há uma grande história de amor. Não gosto de déspotas, de pessoas que se servem do poder para espezinhar os outros, de prepotência, e este livro é muito contra tudo isso.
– Vai haver um segundo livro?
Não sei. Ainda tenho muitas ilusões relativamente ao futebol, um mundo que é viciante e que sempre fez parte do meu caminho principal. Tenho uma hipótese de voltar a treinar e, se isso acontecer, não farei mais nada, nem sequer tenho cabeça para escrever. Tudo dependerá do que acontecer a nível profissional. Escrever vou sempre fazê-lo, publicar é que não sei, porque tenho medo. Primeiro, não sei como é que este livro corre, porque se for um fiasco poderei perder a vontade de escrever, e se for um sucesso traz uma responsabilidade enorme.
– Dedicou este livro à Joana, que partilha as suas aventuras há 20 anos...
Por isso mesmo. Quando a Joana me conheceu eu já tinha coisas escritas e sempre me incentivou a escrever um livro. Há 17 anos, quando nos casámos, disse-lhe que quando fizéssemos 20 anos de estarmos juntos ela teria o livro. Por ironia do destino, foi mesmo o que aconteceu [risos]. A Joana tem sido uma companheira incansável e estamos sempre juntos. É a primeira a fazer a mala para qualquer lado onde tenhamos de ir. Sempre foi o meu grande suporte.
– Passou por dois divórcios, mas conseguiu voltar a encon­trar a pessoa certa ainda bastante cedo...
Casei-me muito cedo da primeira vez, à semelhança do que fazem muitos jogadores de futebol, e fi-lo por amor. Tive dois filhos excecionais, mas não resultou. Aos 30 voltei a casar-me, com uma mulher de 20. Também o fiz por amor e tenho uma filha maravilhosa, a Carolina, mas também não deu. Aos 40 voltei a casar-me com outra mulher de 20, a Joana... Aos 39 anos já tinha três filhos e passado por dois divórcios, por isso, penso que fui abençoado pela sorte de ter encontrado uma alma gémea que agora já está comigo há 20 anos e com quem tive uma filha maravilhosa. Foi amor à primeira vista. Eu e a Joana não nos largámos mais. Construímos uma relação de muita amizade, amor, cumplicidade e tolerância.
– Sente que conseguiu ser um pai presente para cada um dos seus filhos?
Sim, tenho bem definido na minha cabeça os compartimentos da minha vida. Nunca deixei os meus filhos para trás, foram sempre uma prioridade na minha vida. A Bárbara e o Luís viveram comigo parte da adolescência deles, por opção, e estive sempre presente e muito cúmplice. Vivemos todos muito em clã. Com a Maria, a única vantagem em relação aos outros é que estou com ela diariamente. Não faço distinção entre eles e sou um pai muito ‘galinha’. Somos muito unidos e a família é o suporte de tudo.
Durante esta sessão fotográfica deu para perceber que há uma grande cumplicidade entre a Joana e todas as suas filhas...
Sim e acho que isso é a maior riqueza que um pai pode ter. Sinto uma tranquilidade, uma estabilidade e uma calma fantásticas nesta fase da minha vida. Tenho de agradecer à vida tudo o que me tem dado. Tenho muito amor à minha volta.

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