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Passaram 50 anos sobre a morte de John F. Kennedy

Veja uma seleção de imagens do 35.º presidente dos Estados Unidos, assassinado em 1963, durante uma visita Dallas.

Ana Paula Homem
22 de novembro de 2013, 15:04

Às 12h30 do dia 22 denovembro de 1963, a multidão que se aglomerava no centro de Dallas para verpassar a comitiva do presidente John Kennedy [JFK] ouviu um tiro, logoseguido de mais dois. Enquanto isso, nos bancos do Lincoln Continental 1961descapotável onde seguiam o presidente e a mulher, Jacqueline [Jackie],e o casal anfitrião – o governador do Texas, John Connally, e a mulher, Nellie–, instalava-se o horror: primeiro, foi o governador que descaiu para ocolo da mulher, logo imitado pelo presidente. As imagens de Jackie Kennedy aacolher o marido nos braços e, logo a seguir, reagindo à imensidão do que seestava a passar, a catapultar-se para a traseira do carro, foram vistas até àexaustão nos últimos 50 anos. Continuam, porém, tão incompreensíveis comonaquele dia. Por um lado, porque prevalece a sensação de que os serviçossecretos ocultaram a verdade sobre o atentado. Sensação intensificada pe­loassassinato, dois dias depois, nos corredores da esquadra de Dallas, do alegadoatirador furtivo, Lee Harvey Oswald, que fora preso 80 minutos depois docrime. Mas, acima de tudo, porque o assassínio brutal e prematuro, àqueima-roupa, mas em público, de um presidente que personificava o american deramdeixou na América um sentimen­to de impotência e de fragilidade quase tãogrande como o que provocaria, quatro décadas depois, o 11 de setembro de 2001.
John Fitzgerald Kennedy nasceu a 29 de maio de 1917, em Brookline,Massachusetts, no seio de um clã que, na América dos self-made men,ascenderia a um estatuto de quasi-nobreza. Porque tanto o seu pai, JosephKennedy, como a sua mãe, Rose Fitzgerald, descen­diam de imigrantescatólicos irlandeses que construíram não só sólidas fortunas como boasreputações nas suas comunidades e papéis de destaque na política local: o paide Joseph inte­grou a Assembleia Municipal de Boston e chegou ao Senado doMassachusetts, o pai de Rose cumpriu dois mandatos como mayor de Boston.Um estatuto que ficou consolidado quando, em 1938, Joseph Kennedy, democratainfluente, foi nomeado pelo presidente Roosevelt embaixador dos EUA emLondres. Por essa altura, Joseph alimentava a ambição de chegar à presidênciado seu país, mas o sonho caiu por terra quando se mostrou publicamentefavorável a um entendimento entre os EUA e Hitler. Passou então aapostar tudo no filho mais velho, Joe, mas este morreria em combate, numacidente aéreo em Ingla­terra, em 1946. E foi nessa altura que John, o segundofilho – que regressara da guerra com uma medalha “por conduta extremamente heroica”– se tornou o delfim.
Com o pai a mover as influências certas, e feito o percurso que o levou dapolítica local até ao Senado, JFK tinha 43 anos quando, em 1960, se apresentoucomo candidato democrata à presidência dos EUA. Jovem, belo, elegante, atléticoe enérgico (apesar de ter vários problemas de saúde, conseguiu sempreocultá-los), inteligente e instruído, parecia sentir-se bem na sua pele em qualquercircunstância. Em suma, era quase tão carismático como uma estrela deHollywood.
Como se não bastasse, Johntivera o extremo bom gosto (e bom senso) de se casar com uma mulher que lheassentava como uma luva: bonita, elegante, culta, educada e cheia de estilo,Jacqueline Bouvier tinha ainda por cima ancestrais franceses, o que aumentavaconsideravelmente o seu potencial de charme perante os americanos. Durante acampanha, ao lado de Jackie (grávida de John John, que nasceu 17 diasdepois de o pai ser eleito), e da filha de três anos, Caroline, JohnKennedy transmitia a enternecedora imagem do marido e pai perfeito e feliz.
Vencido o republicano RichardNixon por uma escassa vantagem, os Kennedy instalaram-se na Casa Branca emjaneiro de 1961, para uma permanência que não lhes pouparia horas difíceis.Jackie, que antes de Caroline tinha tido um nado-morto, daria à luz um terceirofilho que morreria com dois dias. Esse desgosto, e as constantes (mas abafadas)infidelidades do marido deixá-la-iam muito deprimida.
Quanto ao presidente, a suaimagem seria fortemente abalada pelo fracasso da invasão da Baía dos Porcos, em1961, mas recuperou o prestígio em 62, quan­do venceu o braço-de-ferro com Khrushchevna crise dos mísseis cubanos, certamente a fase mais quente da Guerra Fria. Ese é certo que começou por apoiar militarmente o Vietname do Sul, também éverdade que quando morreu planeava a retirada gradual das tropas até ao finalde 1965 (foi o seu sucessor, Johnson, quem retrocedeu nessa decisão).Kennedy conquistou ainda a simpatia dos negros envolvendo-se pessoalmente nasua luta pelos direitos civis. E nos cerca de mil dias que durou o seu mandato,o PIB cresceu a uma média de 5,5 por cento ao ano, a inflação estabilizou em1%, o desemprego diminuiu e a produção industrial cresceu.
Ou seja, a sua reeleição em1964 parecia garantida. Era, aliás, para seduzir o eleitorado do sul, que nãovia com bons olhos o apoio que dava aos negros, que Kennedy estava em Dallas namanhã em que foi morto. Trans­formado em mártir, ganhou nesse dia a aura demito de quem deixa expectativas por cumprir.

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