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João Baião confessa: “A ser pai um dia, gostaria de ter um filho biológico”

Com 50 anos feitos no mês passado, o apresentador garante que teve – e tem – uma vida muito feliz e recheada.

Inês Neves
10 de novembro de 2013, 14:00

A propósito da peça GrandeRevista à Portuguesa e do seu 50.º aniversário, marcámos encontrocom João Baião no Teatro Politeama, onde o ator e apresentador faz umaespécie de balanço de uma vida que apelida de “recheada e feliz”.
– Fez 50 anos no dia 8 de outubro...
João Baião – Vai-me custar muito envelhecer, porque gosto de ter estaenergia, de ser capaz de fazer as coisas, e às vezes já começo a sentir a dorno joelho... já começo a sentir o peso da idade, mas sinto-me bem, em ótimaforma. Não sinto que tenha 50 anos. Desde que as doenças não apareçam, estátudo bem! Sou feliz. Tenho uma família que amo e que me apoia, tenho amigos queconsegui conquistar ao longo da vida e a quem me mantenho fiel – e eles a mim–, tenho a profissão que sempre ambicionei e tenho saúde!
– Está sempre assim tão bem disposto ou essa é a sua capa para o público?
– Sou mesmo assim. Acho que as capas se gastam. Na minha vida não pretendo pôrcapas em nada, gosto de ser autêntico, sincero, natural, de reagir e estar nascoisas da forma como as sinto e como sou. Fingir, só no palco.
– A vida corre-lhe bem, portanto...
– Sim, porque faço aquilo de que gosto. Este foi sempre o meu sonho desdepequeni­no, o meu ideal de vida, comunicar, ser ator, apresentador, estar nomundo da comunicação. Depois, tenho alguma recetividade do público, que merecebe de braços abertos.
– Com a peça no Politeama e o programa Praça da Alegria, na RTP,trabalha de manhã à noite...
– É verdade, é mesmo trabalhar de manhã à noite sem dia de folga. Mas eu gostoassim, gosto de estar ativo. Sei que é importante o descanso, estarmos connoscopróprios para recarregar baterias, tal como também tem de se encontrar dealguma forma para estar com os amigos e a família. A família reclama sempre aausência, principalmente a minha mãe.
– Ainda é um menino da mamã?
– Acho que nunca fui. Até porque tenho uma irmã gémea, portanto, acho que nuncahouve a oportunidade de ser o menino da mamã. O meu irmão mais velho ficava atomar conta de nós para os meus pais poderem ir trabalhar, ficava à janela aver os amigos a jogar à bola e a andar de bicicleta... Sou muito apegado àminha mãe, telefono-lhe todos os dias, mas se calhar não a visito tantas vezesquanto ela gostaria... É a vida, e sei que ela está sempre comigo, tal como osmeus irmãos e os meus sobrinhos.
– Dava muitas dores de cabeça ou era uma criança calminha?
– Fui mais complicado que a minha irmã, era um bocadinho birrento, quando metiauma coisa na cabeça, acabava por criar algumas complicações. Jogava à bola,fazia ginástica, gostava muito de brincar na rua e, de vez em quando, apareciatodo sujo, com os ténis todos rotos, e aí a minha mãe abor­recia-se umbocadinho. Além disso, tinha ainda os escuteiros. E arranjava sempre forma dejuntar os meus amigos para organizar festivais da canção, para fazerespetáculos, teatro. Tive uma infância mesmo muito feliz, tal como foi a minhaadolescência.
– Haja energia para fazer tanta coisa...
– É verdade, sempre fui muito ativo, fazia tanta coisa ao mesmo tempo e nuncachumbei um ano, fiz tudo certinho até ao nono ano. Depois foi preciso optar, ouestudava de noite e trabalhava durante o dia... Mas como à noite já tinha oteatro, optei por não estudar e trabalhar durante o dia.
– Não se arrepende de ter deixado os estudos?
– Não, porque era uma necessidade. Tinha de trabalhar, sou filho de famíliashumildes, portanto, tinha de ajudar os meus pais. E de noite não podia deixarde fazer teatro para estudar. Sempre tive o apoio dos meus pais, sempre meestenderam o tapete para fazer aquilo que queria, para tentar o meu sonho.Diziam-me só para eu manter os pés bem assentes na terra e perceber a nossarealidade.
– Entretanto, por certo deixou os seus pais bastante orgulhosos...
– Sim, sei que a minha mãe tem muito orgulho em mim, nos filhos que tem. Seique o caminho foi bem escolhido e dou por bem empregue a opção que tomei.
– Veio de uma família muito humilde e hoje em dia movimenta-se num meiocompletamente diferente. Não se deixa deslumbrar com o sucesso, a fama e odinheiro?
– Acho que tenho tido essa capacidade de manter os pés bem assentes na terra.Obviamente que a facilidade de chegar a algumas coisas, nomeadamente a alguns‘brinquedos’, me deslumbrou um bocado, mas sem nunca me deslumbrar ao ponto deficar cego por ter mais algum poder económico e esquecer de onde venho. Claroque ter mais poder económico me ajudou imenso a adquirir algumas coisas quesempre quis, todos nós temos as nossas futilidades, mas nunca me deixei levarpor desvarios muito para além daquilo que é a nossa realidade.
– E sempre ajudou financeiramente a sua família?
– Sempre ajudei a minha família, claro. Enquanto vivi na casa da minha mãe,dava grande parte daquilo que ganhava para a ajuda da casa e mesmo depois desair continuei a ajudar. Gosto de mimar a minha mãe, até fora das datastradicionais.
– É um homem de muitos caprichos?
– Não tenho caprichos nem vícios. Gosto de algumas coisas, mas não souobcecado. Gosto de automóveis, de telemóveis, de tecnologias, gosto de sapatos,de malas, de relógios, mas não deixo que isso condicione a minha vida. Só vouaté onde posso ir, até onde sei que me sinto confortável, nada de me deslumbrarpor coisas que sei que não tenho hipótese.
– Alguma vez desejou ou deseja ser pai?
– Gostava de ser pai. Nunca estabeleci metas, as coisas foram acontecendonaturalmente na vida... logo se vê. Também pensei na adoção, mas a ser pai umdia, gostaria de ter um filho biológico.

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