Nas Bancas

Ao lado do marido, Rosalina Machado reconhece: "Gosto muito da minha vida"

O casal de empresários abriu as portas da sua casa em Sintra e posou ao lado da família.

Marta Mesquita
10 de novembro de 2013, 16:00

Rosalina e Francisco Ma­chado são casados há mais de 40 anos. Amigos, confi­dentes, cúmplices e parceiros nos negócios, os empresários têm, lado a lado, vivido desafios, ultrapassado dificuldades e realizado sonhos, sendo o maior deles a construção de uma família unida e feliz. Com o filho, João Pedro, a nora, Cláudia, e os netos, Catarina, de nove anos, e Diogo, de sete, Rosalina e Francisco vivem uma harmonia familiar única, como a CARAS testemunhou durante um fim de semana passado na sua casa, em Sintra.
Depois da sessão fotográfica, numa conversa franca e sem tabus, a empresária partilhou as emoções que fazem dela uma mulher profundamente apaixonada pela vida que tem.
– Tem uma relação muito especial com esta casa...
Rosalina Machado
– Esta casa está muito relacionada com a vontade de voltar ao sítio onde o meu marido passou a sua infância e juventude. Os pais do Francisco tinham uma quinta em Sintra e o meu marido tem muitas recordações dessa altura. Ainda pus a possibilidade de comprarmos a quinta onde o Francisco cresceu, mas percebemos que não era viável, porque a quinta era enorme e mantê-la seria impossível. E então surgiu a oportunidade de comprarmos esta casa e já lá vão 40 anos. Aqui é onde me sinto à vontade, onde não tenho horas, onde brinco com os cães, onde uso ténis, jeans e apanho o cabelo... É o sítio onde não me importaria de acabar os meus dias.
– A Rosalina deixou o comando da Ogilvy & Mather em 2009 e atualmente dedica-se aos negócios da família [na FTM Holdings, com interesses em áreas diversas, sobretudo no imobiliário e na metalomecânica, e fábricas em Portugal e no estrangeiro]. Está realizada com a sua vida profissional ou sente saudades da antiga rotina de trabalho?
– Não sinto saudades. Ao lon­go da minha carreira tentei sempre marcar pela diferença. Não gosto de dizer que assumi uma gestão feminina, mas a verdade é que as mulheres que trabalham em gestão conseguem criar um ambiente mais familiar e afetivo. Nunca me sentei numa cadeira à espera que as coisas acontecessem. Mas agora, que trabalho na empre­sa familiar, sinto que há uma grande diferença. Hoje, sou eu que mando na agenda e durante anos foi a agenda que mandou em mim. Tem de haver um equilíbrio entre o trabalho e a vida privada. Claro que às vezes fal­ta o tempo para se viver de uma maneira tranquila esses dois mundos, mas, no meu caso, se abdiquei de alguma coisa ao longo desses anos foi de mim própria, porque não tinha tempo para fazer aquilo de que gostava.
– E agora, que tem mais tempo para si, o que é que gosta de fazer?
– Gosto de andar a pé, ler, ouvir música, ter um dia em que posso andar de jeans, camiseta e ténis a arrumar gavetas, que é uma coisa que adoro! Conquistei o direito de ter esses dias. Gosto muito da minha vida!
Percebe-se que a Rosalina é uma mulher forte e que tem uma atitude muito otimista perante a vida. Mas, com certeza, tem também algumas fragilidades...
– Mal das pessoas que não riem e não choram! Nós temos de saber chorar. Sinto-me frágil perante o sofrimento dos outros. Sinto muito as dores dos outros, curiosamente, até com os animais. Ainda há dias chorei e muito, porque morreram três dos nossos cães. Chorei em casa, fora de casa e no veterinário, que até ficaram a olhar para mim a pensar: “Aquela que foi apelidada como a dama de ferro está a chorar por causa de um cão.” E não me envergonho nada.
– Portanto, não sente pudor por mostrar publicamente as suas fragilidades...
– Não. Mesmo profissionalmente, assumi sempre isso. Nunca escondi quando não sabia algo ou tinha dúvidas. E continuo a ter muitas dúvidas na vida! Só os ignorantes é que não têm dúvidas.
– Tem muitos sonhos por realizar?
– Nunca tive muitos sonhos... Ou melhor, nesta altura até tenho um sonho. Toda esta transformação que a Igreja Católica está a sofrer, uma transformação que, aliás, era precisa, leva-me a querer conhecer pessoalmen­te o Papa Francisco. E acho que o vou conseguir. Também já vi Nelson Mandela uma vez, mas não tive um contacto pessoal, e gostava de conhecer, antes que ele parta, o Fidel Castro. Isso sim, são apontamentos extraordinários que não se esquecem.
– Um outro apontamento extraordinário nos dias de hoje é conseguir manter um casamento feliz há 44 anos. Qual é o segredo?
– O Francis­co é muito bem disposto, tem imenso humor e é um homem com quem se pode discutir desde música a política. Nós falamos sobre tudo e esse é um dos motivos da longevidade do nosso casamento. Temos muito respeito pela personalidade um do outro. Há uma verdadeira aceitação das características de cada um. As grandes paixões acabam por ser destruídas com o tempo, desaparecem. No início de uma relação, esse amor é importante, mas com o tempo tudo isso se transforma numa amizade e no respeito por aquilo que cada um é.
– Tem também  uma relação muito próxima com os seus netos. O que é que acha que eles pensam sobre si?
– Acho que os meus netos me veem como uma companheira das suas brincadeiras. Às vezes sinto que tenho a idade deles. Eles dão-me uma juventude que eu não tenho. Com eles aprendi a não pensar tanto na vida e a acreditar que há tempo para fazer tudo. Sei que o dia de hoje é ótimo e não me preocupo com o dia de amanhã. E essa atitude leva-nos a viver de uma maneira mais despreocupada.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras