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Andrew Morton: “A rainha Sofía vive para o dever, Letizia vive um mau conto de fadas”

O biógrafo de Diana esteve em Lisboa para falar do seu último livro, sobre as mulheres da família real espanhola.

Redação CARAS
9 de novembro de 2013, 14:00

Antigo jornalista, o britânico Andrew Morton, de 59 anos, tornou-se famoso em 1992 com a publicação da biografia autorizada da princesa Diana de Gales, que, soube-se depois da morte desta, colaborou dire­tamente com o autor. Depois disso, Morton assinou biografias não autorizadas de alguns famosos, entre os quais Tom Cruise e Angelina Jolie, a protagonista do escândalo da Sala Oval com o ex-presidente Bill Clinton, Monica Lewinsky, William e Kate ou David e Victoria Beckham. Agora, focou a sua atenção no país vizinho, mais concretamente em quatro mulheres da família real espanhola: a rainha Sofía, a princesa Letizia e as infantas Elena e Cristina.
O novo livro do autor inglês, Ladies de Espanha, que tem como subtítulo Entre o Dever e o Amor, nasceu por sugestão do editor de Morton em Espanha. Agora lançado em Portugal, pela Esfera dos Livros, este livro deu o mote a uma conversa da CARAS com Andrew Morton, que nos explicou que o propósito do editor espanhol foi dar ao grande público um retrato mais fiel da realidade da vida das quatro protagonistas que o traçado pela imprensa espanhola, sempre bastante delicada quando se trata de falar da família real.
Ao longo de 240 páginas, Morton descreve a rainha Sofía como alguém com um absoluto sentido do dever e de autossacrifício, a infanta Elena como uma mulher que prefere um estilo de vida comum aos luxos palacianos, Cristina como ‘vítima’ da sua enorme paixão por Iñaki Urdangarín e Letizia como aquela que passou da “inimiga dentro de portas” – por ser plebeia, jornalista, divorciada e ateia – à mulher com um estilo e postura irrepreensíveis que é hoje considerada a tábua de salvação da monarquia espanhola e o grande trunfo de Felipe, mas que, segundo o escritor, está a viver um “mau conto de fadas”, transformada numa mera figura decorativa e obrigada a permanecer calada e sem opinião.
– Como é que um jornalista inglês de grande reportagem se interessou pela realeza ao ponto de hoje escrever um livro sobre a família real espanhola?
Não era minimamente interessado pela realeza, mas em 1982 fui convidado para ser correspondente real de um jornal e isso fez com que viajasse imenso a acompanhar os membros da família real britânica. Foi fantástico. Escrevi livros, artigos e diverti-me muito. No caso da família real espanhola, foi uma sugestão do meu editor em Espanha, que dizia que a imprensa espanhola é demasiado suave com a família real. Ele pretendia que alguém de fora, um estrangeiro com algum conhecimento sobre famílias reais, mostrasse uma perspetiva diferente e objetiva. Expliquei-lhe que não sabia falar espanhol, mas que poderia tentar [risos]. E o resultado foi este livro.
– E quais foram as conclusões mais marcantes a que chegou?
– Que todas elas têm vivido sempre divididas entre o dever e o amor. A rainha Sofía, por exemplo, por ser membro de uma casa real casou-se por dever, teve sempre uma vida de dever, e só quando o rei teve o acidente de caça no Botswana é que mostrou o seu desagrado, só o indo visitar três dias depois, e por apenas 26 minutos. E Letizia é uma personagem extraordinária. Jornalista curiosa e opinativa, mal vista pelo rei e pela monarquia, teve de aprender a estar calada e a deixar que a roupa falasse por ela. Mas vê-se que está a viver um mau conto de fadas, que está desesperada por nunca poder dar o seu ponto de vista.
– Tem receio das críticas em relação ao livro?
Não, ninguém cria um status através de uma crítica.
– E teve algum feedback da casa real espanhola?
Sei através de pessoas que conhecem alguns dos membros da família que teceram comentários muito simpáticos e que escrevi sobre eles um livro verdadeiro e nunca antes visto.
– Quando escreve, pensa no que os biografados vão achar?
Não. Sinceramente, quando o meu livro sobre Diana saiu, fui duramente criticado, mas estava certo. O livro era verdadeiro, autêntico... Acho que já ultrapassei tudo isso.
– Que opinião tem sobre o filme de Diana que esteve recentemente em exibição?
Vê-se que gastaram muito dinheiro mas passaram mesmo ao lado de algumas coisas em termos dramáticos. Basicamente, fizeram uma história moderna de Romeu e Julieta: a família de Hasnat não queria que ele se casasse com Diana, porque ela era cristã e divorciada, ela não se podia casar com Hasnat por causa dos filhos. E depois os miúdos não estão envolvidos, não aparecem, não há tensão nenhuma à volta de nada. E não há referências ao príncipe Carlos e a Camilla, e durante esse tempo muita coisa aconteceu que os envolvia que realmente foi o foco de tudo.
– Continua atento à família real britânica?
Claro! Não conheço o William e o Harry, mas conheço pessoas que trabalham para eles e mantenho-me o mais atento que me é possível.
– Começou por ser jornalista. Que memórias tem do início da sua carreira, quando trabalhou no Daily Star ou no Daily Mail?
No Daily Star fazia repor­tagem, cobri a guerra das Mal­vinas, a ida do Papa à Grã-Bre­tanha, cobri todo o género de acontecimentos, foram dias gloriosos. Mas odiei trabalhar no Daily Mail e saí de lá passado três meses. Também trabalhei no News of The World, descobri a história do namoro do príncipe André com Sarah Ferguson, fiz o casamento de Carlos e Diana, foi muito divertido e interessante. Em 1987, tornei-me freelancer e foi a melhor decisão que alguma vez tomei. O meu editor disse-me que teria de optar entre ser jornalista ou escritor e optei pelos livros. E não me arrependi nem por um minuto.
– Dos livros que escreveu, qual lhe deu mais prazer?
Não diria prazer, pois todos exigem muito trabalho, mas gostei muito do livro da Angelina Jolie, pois criei boas amizades. E não gostei de escrever o do Tom Cruise, foi um pouco depressivo, pois ele tem um lado muito obscuro e fez mal a algumas pessoas.
– É complicado chegar às fontes certas para lhe contarem a história que procura?
Quando se começa é difí­cil, mas depois conhece-se uma pessoa que conhece outra e por aí em diante... Ajudou-me muito ter escrito sobre Diana, pois por causa disso as pessoas conhecem-me, já me viram na televisão, e conseguem fazer um julgamento imediato sobre mim.
– O livro de Diana é, de certa forma, o seu cartão de visita?
Tem sido um grande, gran­de cartão de visita! Em algumas entrevistas que dei, as pessoas vinham com o livro de Diana para eu autografar [risos]!
– Se alguém quisesse escrever a sua biografia, importar-se-ia?
Já fizeram um documentário sobre como fiz o livro de Diana, mas acho que a minha vida não é interessante o suficiente. Eventualmente, será interessante por causa das pessoas que conheci, mas não por minha causa. Na verdade, seria impossível eu figurar na história, seria muito aborrecido!
– Sente que tem tido uma vida preenchida?
Completamente! Tenho muito orgulho em tudo o que fiz, adoro as minhas filhas, Haley, de 30 anos, e Lydia, de 27, e o meu neto, Max, de cinco anos. Eu e o Max somos os melhores amigos. Adoro ser avô e gostava de não ter que fazer mais nada na vida a não ser estar com ele. E voltei a casar-me em outubro do ano passado. Nunca me senti tão feliz...

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