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Diana Matias quer fazer a diferença na moda nacional

Estagiou na Dior e na Ungaro, em Paris, e agora está em Lisboa para conquistar o seu lugar na moda nacional com a marca Didimara. A CARAS foi conhecer melhor esta estilista de 36 anos.

Inês Neves
27 de outubro de 2013, 12:00

Diana Martins veio de Paris há cerca de dez anos para conquistar o seu lugar na moda nacional. Filha de pais portugueses emigrados em França, a estilista deixou tudo o que tinha e mudou-se para Lisboa por amor, por iniciativa do seu marido na altura. Os primeiros anos não foram fáceis, criou duas marcas que não deram resultado, teve uma gravidez muito complicada e separou-se. Mas a partir daí “as coisas mudaram para melhor” e agora Diana diz que está, finalmente, “feliz e concretizada” a viver em Lisboa com o filho, Alexandre, de quatro anos, e a gerir a marca Didimara, que criou sozinha em 2010.
– Vivia e trabalhava em Paris, na capital da moda. Porque deixou tudo e veio para Portugal?
– Por amor, por causa do meu ex-marido. Ele quis muito vir para Portugal e eu vim com ele. Não foi fácil... A nível profissional as coisas não correram muito bem, depois separámo-nos, ele voltou para França e eu fiquei cá sozinha com o nosso filho. Antes de vir, tive boas propostas de trabalho para ficar... Mas não me arrependo de nada. Acho que temos mais possibilidades de crescer em Portugal, porque o país é mais pequeno e chegamos mais facilmente ao consumidor final, além disso, é um país lindo e nunca mais vou sair daqui, adoro. E agora está tudo a correr muito bem. Tenho a minha marca desde 2010, abrimos há cerca de três meses a primeira loja na Avenida de Roma, e tem sido ótimo.
– É mãe solteira, está cá sozinha sem família, tem a sua marca para gerir... Como consegue?
– Desde que o Alexandre nasceu que o levo comigo para o trabalho. Quando era bebé ficava sempre ao meu lado, no ateliê, por isso está habituado a estar com as costureiras, ao pé das máquinas... Foi difícil, mas Graças a Deus tenho pessoas à minha volta que me ajudam quando é preciso. Agora a escola dele é mesmo aqui atrás do ateliê e quando sai, fica aqui connosco. Ele tem muita energia, desarruma tudo, quer participar nas provas, tira a fita métrica e começa a medir as clientes... É muito divertido tê-lo aqui e ele adora. Estamos aqui os dois na luta. Tudo o que tenho, o que faço, é por ele. A minha motiva­ção principal é ele.
– Entretanto, já veste algumas figuras públicas, como é o caso da Rita Ferro Rodrigues...
– A Rita apareceu há pouco tempo, há cerca de três meses, na altura em que abri a loja, e tem sido uma boa amiga. Mas existem outras pessoas com as quais tive a sorte de poder contar desde o início, desde a minha primeira marca, como a Andreia Dinis, a Sónia Brazão, a Sofia Nicholson... Tenho tido sorte, mas também é fruto do meu esforço e trabalho. Inicialmente não foi fácil. Já tive duas marcas que não resultaram por várias razões, mais pessoais do que profissionais. Desde que pus fim a um relacionamento de 15 anos que pareço outra pessoa, sinto que estou a viver outra vida, muito melhor. Criei logo depois a Didimara e tem estado a correr muito bem, é a marca que me dá mais segurança. Estou a viver uma boa fase, estou muito feliz.
– E é fácil vestir figuras públicas? São muito esquisitas?
– Não é difícil, não são nada esquisitas, mas eu também não permitiria que isso acontecesse. Quando as visto para determina­das ocasiões, quero que elas usem a minha roupa, o meu estilo, não me vou adaptar ao que elas querem, no sentido de virem ter comigo com um esboço de uma peça e pedirem-me para fazer o que lá está. Normalmente sugiro-lhes algumas das minhas roupas e elas seguem a minha proposta. O objetivo é mostrar o meu trabalho, o meu estilo, não sou nenhum ateliê de costura. Mas isso aplica-se a toda a gente, não faço distinção entre as figuras públicas e as clientes normais que me procuram.
– Que figura pública portuguesa gostaria de vestir?
– Gosto muito da Clara de Sousa e gostava que ela vestisse a minha roupa. Já tentei chegar até ela, mas é difícil... mas não desisto.
– Já tem a marca estabelecida e uma loja aberta ao públi­co. Qual é o próximo passo?
– O próximo passo é criar boas raízes em Portugal, a nível de produção, conseguir que a marca fique bem conhecida, para poder depois abrir uma loja fora do país, em Paris ou Barcelona.
– Participar na ModaLisboa ou no Portugal Fashion não seria bom para isso?
– Não faz parte dos meus objetivos nem nunca foi. Sei que poderia ganhar algum destaque com isso, mas acho que estou a conseguir isso por mim. Estou a conseguir o meu espaço na moda nacional devagarinho e acho que sozinha chego lá. Prefiro continuar com os meus desfiles privados e subir a pouco e pouco.

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