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Gloria Estefan em entrevista exclusiva

“Ser avó é delicioso. O meu neto relaxa quando me ouve cantar”

Cláudia Alegria
26 de outubro de 2013, 16:00

Com 38 anos de carreira, Gloria Estefan, vencedora de sete Grammy e com mais de 100 milhões de discos vendidos, acaba de lançar o seu mais recente trabalho, The Standards, no qual reuniu 13 clássicos internacionais em inglês, italiano, espanhol, francês e português. “Cada um dos temas tem uma ligação especial a determinado momento da minha vida. El Día Que Me Quieras, por exemplo, foi a canção que tocou no meu casamento; Embraceable You gravei a pensar na minha filha, que estava em estúdio comigo e que vai este ano para a faculdade; Good Morning Heartache tem a ver com todas as vezes que tive de enfrentar momentos menos bons da minha vida”, explicou a cantora cubana em entrevista à CARAS por telefone a partir de Miami, onde vive com o músico Emilio Estefan, com quem, em 1977, formou os Miami Sound Machine. Casados há 35 anos, têm dois filhos, Nayib, de 33 anos, e Emily, de 19.
– Qual é o segredo para um casamento tão longo e estável?
Gloria Estefan –
Não é segredo nenhum. Apaixonámo-nos um pelo outro antes da fama e de toda esta loucura. Temos personalidades distintas, mas nas coisas que realmente importam, nos valores morais, nas prioridades, nos negócios e na música, raramente temos opiniões divergentes. Passámos momentos muito difíceis, que acabaram por nos unir ainda mais, como o acidente que sofremos há 23 anos e que me deixou paralisada. Na altura, o Emilio portou-se como um rei e esteve ao meu lado o tempo todo. Nós gostamos realmente muito um do outro e temos cimentado a nossa relação ao longo dos anos.
– Acompanhou durante muitos anos o seu pai, que por sofrer de esclerose múltipla esteve numa cadeira de rodas. Isso fez com que lutasse mais para recuperar e não permanecer numa cadeira de rodas?
Sim, influenciou muito a minha recuperação ter passado por essa experiência. Trabalhei arduamente para evitar passar o resto da minha vida numa cadeira de rodas. Empenhei-me muito nos exercícios, fazia seis a sete horas de fisioterapia por dia!
– A sua filha acaba de entrar num curso superior de música. Agrada-lhe a ideia de ela querer seguir os seus passos?
Sempre disse aos meus filhos para seguirem o que os fizesse felizes, porque isso é o que irão fazer grande parte da sua vida. Nunca os forcei a seguirem música, porque é algo com que se tem de nascer, têm de trazê-la no seu interior, e assim foi com eles. O meu filho, apesar de ser muito musical, gosta mais de cinema, área que acabou por seguir. A Emily, é música desde que nasceu. Tem uma voz linda para cantar, mas não quer ser cantora. Toca bateria, piano, toca tudo... está a seguir a sua paixão e eu estou feliz e apoiá-la-ei em tudo o que quiser.
– Há um ano, foi avó de um rapaz, Sasha. Como tem sido a experiência de ser avó?
É tão delicioso! Ele veio hoje de manhã para minha casa – vivem do outro lado da rua – e deitou-se ao meu lado enquanto eu tomava o café da manhã na cama. Há pouco tempo passei 11 dias sozinha com ele, quando os pais foram de férias. Estivemos só nós, sem ajuda de amas, porque acho que devemos criar este tipo de relação. Foi muito bom, porque ele adora a avó e eu não tenho de me preocupar com repreensões, só tenho de brincar com ele e fazê-lo feliz. É ótimo.
– Costuma cantar para o embalar?
Claro! Eu comecei a cantar para ele quando ainda estava na barriga da mãe e desde que nasceu que canto para o adormecer. Ele adora música, fica completamente relaxado. Quando o sento em frente ao piano ele toca notas, não se limita a fazer barulhos, como é normal as crianças fazerem. É muito musical.
– Há alguma música ou artista português que tenha chamado a sua atenção?
Adoro fado, é um pouco como o nosso ‘sentimiento’ na música cubana: muito apaixonada e, normalmente, sobre o amor. Há uma cantora maravilhosa, Ana Moura, de quem ouvi um CD quando estive em Portugal de férias. Tive um personal trainer que era da Madeira e chegámos a ir visitá-lo. Foi a única vez que estive em Portugal.
– Regressar a Cuba um dia é um sonho? Tenciona fazê-lo nos próximos anos?
O meu sonho, pessoal e profissional, aquilo que ainda me falta fazer, é cantar para uma Cuba livre, onde possam escolher o seu futuro. Eu estarei lá para ajudar a celebrar. Seria uma ótima notícia para os cubanos. Quero poder cantar para eles e saber que continuarão livres quando me vier embora.

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