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Inês Folque: “A felicidade plena só se atinge no fim da vida”

A apresentadora e atriz é apaixonada pelo seu trabalho. Passeámos com ela em Barcelona, cidade onde nasceu, enquanto falámos dos desafios e sonhos da sua vida.

Natalina Almeida
19 de outubro de 2013, 14:00

De câmara fotográfica ao pescoço, Inês Folque chega ao encontro com a CARAS ansiosa por nos mostrar a cidade onde nasceu. Sem ares de estrela nem precedida do “sou filha de”, esta jovem apresentadora de 26 anos enche-se de orgulho para falar do curso de interpretação que acaba de frequentar. “Tive aulas de representação no John Frey Studio em Lisboa, desde setembro do ano passado até final de junho, e confesso que já tinha muitas saudades de sentir o bichinho de criar uma personagem, de construir qualquer coisa diferente de mim. Serei uma eterna apaixonada pela arte de representar.” E com um sumo de frutas na mão, comprado no mercado de La Boqueria, a apresentadora atravessa a Ramblas das Flores e leva-nos pelas suas ruas preferidas da cidade. Aquelas que nos conduzem até ao Bairro Gótico, onde, ao som dos acordes de um artista de rua, é feita esta entrevista. Inês fala-nos da profissão, que adora, da sua família – a apresentadora é filha do ganadero João Maria Botelho Folque de Mendonça e da espanhola Mercedes Cool y de la Camara – e da importância que tem o sonho de se casar. A apresentadora é muito discreta em assuntos de coração mas é pública, desde o verão de 2012, a sua relação com o empresário Gonçalo Ribeiro Telles.
– Como é voltar à cidade onde nasceu?
Inês Folque – Vir a Barcelona é sempre muito bom, tenho cá a minha família materna, a minha avó e os meus tios, assim como amigas de infância, por isso é sempre como estar numa segunda casa. Esta é uma das minhas cidades preferidas e tento vir sempre que o trabalho mo permite, sinto que venho menos do que gostaria, mas quando venho, aproveito para matar saudades de tudo.
– A sua mãe é de Barcelona e o seu pai português. Tem influências da cultura espanhola?
– Confesso que adoro esta dupla nacionalidade e sinto que em mim coexiste um bom casamento das duas culturas.
– Um dia perfeito em Bar­ce­lona inclui...
– Tomar o pequeno-almoço com a minha avó na Mauri, uma das pastelarias mais antigas de Barcelona, que guarda os traços de antigamente. Da Mauri sigo para o Paseo de Gracia a pé, e neste percurso não dispenso a minha máquina fotográfica. Barcelona é das cidades mais bonitas do mundo e por isso há sempre um motivo para foto­grafar: qualquer coisa, uma pessoa, ou simplesmente captar na objetiva a azáfama de uma das cidades mais ativas da Europa.
– Vive em plena cidade de Lisboa. Tem uma vida muito cos­mopolita, mas não dispen­sa os fins de semana no campo...
– É verdade, adoro viver na cidade, acho que dificilmente dispensaria a adrenalina e a azáfama de viver no coração de uma cidade, mas o campo traz-nos uma calma e uma tranquilidade incomparáveis. Não dispenso os meus fins de semana longe de tudo, à lareira, depois de um bom passeio a cavalo. Sempre que quero recarregar baterias, é para o campo que vou.
– Tem duas irmãs. Como foi crescer numa casa com quatro mulheres?

– Pois, somos três irmãs, eu sou a do meio. Às vezes parece um galinheiro, todas a falar ao mesmo tempo, cada uma mais alto do que a outra, a verdadeira confusão, mas depois é tão bom... Somos muito amigas e damo-nos muito bem, o meu pai é que de vez em quando tem de viajar para o mundo dele, mas não se queixa, no fundo é o mais mimado lá de casa.
– Os seus pais apoiaram a sua opção de seguir uma carreira artística ou preferiam que tivesse escolhido um caminho mais tradicional e trabalhasse na área da Gestão, em que se licenciou?

– Os meus pais sempre nos apoiaram em tudo o que quiséssemos fazer, desde que fosse feito com responsabilidade e cabeça. Eu tinha um objetivo e os meus pais sempre me tentaram guiar de forma a proteger-me o melhor possível, por isso tirei um curso de Gestão e só comecei a trabalhar em televisão depois de o ter acabado. No fundo, qualquer pai quer que o seu filho tenha sucesso naquilo que o fizer mais feliz, mas que o faça num ambiente seguro. Os meus pais não conhecem minimamente o meio da televisão e isso assustou-os, o convencional, apesar de tudo, é mais seguro. Além disso, sabem das dificuldades, da competição, da constante rejeição que se enfrenta todos os dias quando se trabalha na área das artes e isso preocupa-os, mas no fim do dia eles querem que eu faça aquilo que me faz mais feliz.
– Sempre envolvida em gravações, cursos de representação, filmagens, consegue algum tempo para si? Para divertir-se, namorar?

– Claro que sim, arranjamos sempre tempo para o que nos faz mais felizes, e eu faço questão de que isso seja uma prioridade. Se não vivermos no presente, quando o faremos? Se não arranjamos tempo para as pessoas de quem mais gostamos, de que nos serve estar cá? Além disso, quando se trabalha com gosto, e eu tenho uma paixão absoluta pela minha profissão, o trabalho deixa de ser trabalho...
– Depois de um dia de tra­balho muito preenchido, o que faz para desconectar?

– Um jantar com quem mais gosto e um episódio de uma das mil séries que adoro ver. Isso ou um bom filme, no cinema ou em casa.
– O que é que prefere: ser atriz ou apresentadora?

– São coisas muito diferentes, profissões diferentes em tudo, mas é como perguntar a um pai de que filho gosta mais, essa é a sensação que tenho quando me fazem essa pergunta. Para mim, não há como escolher, sou feliz nos dois campos e sei que serei uma pessoa mais completa se continuar a investir nos dois.
– Parece ser feliz...
– Mais uma vez, digo que a felicidade é um estado de espírito que estamos constantemente a alcançar. Acho que só serei feliz, ou atingirei aquilo que se chama a felicidade plena, quando chegar ao fim da minha vida e vir que alcancei tudo aquilo a que me propus. Até lá, sou sempre quase muito feliz. Acho que o ser humano precisa de estar sempre no limite de alcançar a sua felicidade, é isso que nos move, mas nunca sentimos a felicidade plena por muito tempo. Tenho muitos momentos de felicidade plena, só acho que não me posso cegar por ela, para continuar viva e cheia de energia, para continuar a lutar pelo meu futuro todos os dias e ter essa motivação.
– Este verão assistiu ao casamento de uma das suas grandes amigas, Carolina Patrocínio. Também sonha com esse dia?

– Acho que todas as mulheres sonham um bocadinho com o dia do seu casamento! É um dia muito especial na vida de uma pessoa, mas eu acredito na instituição do casamento, no que ele significa, na promessa de uma relação para a vida e esse dia, no fundo, marca o início desse compromisso. Para mim, o que interessa mesmo no dia do casamento, como católica que sou, é a parte espiritual e sobretudo essa entrega que duas pessoas fazem uma à outra com a promessa de estarem presentes na vida uma da outra para o resto das suas vidas.

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