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Patrick Dempsey é o novo embaixador de marca portuguesa

O ator, que é o rosto da Sacoor Brothers, deu uma entrevista onde fala sobre a carreira e a vida pessoal.

Redação CARAS
17 de outubro de 2013, 23:34

Patrick Dempsey é o novo embaixador da Sacoor Brothers. O ator, de 47 anos, que ficou conhecido pela personagem Derek Sheperd na série Anatomia de Grey, protagoniza a campanha outono-inverno 2013/2014 da marca portuguesa. Dempsey é casado há 14 anos com Jillian Fink, com quem tem três filhos, Tallulah, de 11 anos, e os gémeos Sullivan e Darby, de cinco.
A propósito da nomeação como embaixador da Sacoor, o ator deu uma entrevista à marca portuguesa onde fala sobre os seus objectivos de vida, a carreira, a família, da paixão pelo automobilismo e os projetos de solidariedade em que está envolvido.
– Após oito anos, ainda gosta de interpretar o Dr. Shepherd em Anatomia de Grey
Patrick Dempsey - Sim. Já estamos a começar a 10. temporada, o que é impressionante. Estamos perto dos 200 episódios. Foi uma viagem extraordinária. Ter um trabalho assim hoje em dia, que já dura há tanto tempo, é muito bom. Estou muito grato. Todos os anos e em cada episódio descubro coisas novas, seja à frente da câmara ou atrás dela, com o personagem ou comigo próprio. Há sempre coisas a descobrir quando as procuramos e tentamos avançar de modo criativo, com as pessoas com quem trabalhamos ou olhando para nós, pois percebemos o que temos de melhorar. Acho que a série sempre nos forçou a aperfeiçoar como pessoas e profissionais. 
– É mais fácil interpretar esta personagem agora do que no início? 
- É uma boa pergunta... No início havia a sensação de descoberta, pois sabia que o personagem ia seguir a série. Agora sei o que esperam de mim. É como fazer parte de uma banda ou orquestra sinfónica, tenho um instrumento específico que tenho de tocar para me inserir no grupo. E é isso que faço e espero tirar o máximo partido. Acho que nos concentramos em estar emocionalmente envolvidos na cena o maior tempo possível. 
– Vai ser difícil abandonar o personagem depois de a série acabar? 
- Acho que sim, pois foi um relacionamento longo. Foram dez anos. Foi uma grande parte da minha vida, foi uma experiência extraordinária, proporcionou-me uma vida boa, deu-me imensas oportunidades... Sim, é certo que vai ser difícil.  
– Esta personagem tem-lhe dado muitas oportunidades? 
- Sim. A série tem sucesso a nível mundial. E essa visibilidade ajuda-nos imenso. Aparecem coisas como esta, o que nos permite ter mais escolhas na vida e nos proporciona uma excelente qualidade de vida, que é muito aprazível. 
– Vamos falar do Patrick como pai. Tem três filhos? 
- Sim, uma rapariga com onze anos e gémeos com seis. 
– A paternidade mudou-o? 
- Claro. Acaba sempre por nos lembrar o quanto temos de trabalhar em nós. Temos de ser capazes de guiá-los de modo a criar um ambiente onde possam crescer de forma saudável e amada, para que consigam encontrar-se e desenvolver a sua própria personalidade. É muito comovente, pois faz-nos lembrar a nossa mãe, o nosso pai, a nossa infância, o que gostávamos e o que não gostávamos, como crescer com eles, faz-nos lembrar os nossos defeitos, as nossas fraquezas, os nossos pontos fortes. O mundo deixa de girar à nossa volta, temos de ser altruístas e esse é o desafio, dar-lhes um ambiente onde se possam desenvolver e também ter a disciplina necessária. 
– É mais fácil ser pai de rapazes ou de raparigas?
- Ela tem onze anos, é muito boa aluna, e eu tenho muito orgulho nela. Isso vai dar-lhe os meios e as ferramentas necessárias para voar e seguir os sonhos dela no futuro. A formação dela é muito importante, bem como a estabilidade emocional. Mas nesta idade dão algum trabalho, tal como os rapazes. É um grande desafio, muito emocionante. Os três são indivíduos completamente diferentes.
– Dê-me um conselho de pai para pais... 
- Seguir os seus instintos e saberá o que fazer, o que está certo. Também é importante escutá-los, eles dizem-nos o que fazer. 
– É verdade que tem 60 galinhas em casa, em Los Angeles? 
- Não sei, quantas (risos). Mas cerca de 60.
– Porquê? 
- Bem, é agradável ir buscar ovos frescos. São muito saborosos e acreditamos muito no ciclo da semente à mesa, que quer dizer que os cultivamos, colhemos, cozinhamos, e comemos à mesa. E é bom ver que a minha filha tem uma ligação forte com o jardim, era essa a intenção. Cresci numa cidade pequena, numa quinta e queria que os meus filhos tivessem o mesmo tipo de experiência, rodeados de animais, galinhas... e coisas assim. As crianças valorizam muito mais a vida e também se mantêm ocupados, especialmente nesta era tecnológica com os IPads, os videojogos e a televisão. É bom que se liguem à terra, pois para mim, a terra é santa, é do que trata a vida e só através dela é que nos mantemos ligados a um nível muito mais profundo. E quando vemos uma coisa, que pusemos na terra, quando a vemos crescer, a alimentamos e depois a consumimos. Acho que é uma lição muito importante. 
– Tem cuidado com o que come? 
- Sim, acho que é muito importante termos cuidado com o que comemos. Temos de fazer exercício, pois faz-nos sentir melhor, ponto número um, psicologicamente. O que pomos no nosso corpo também nos vai afectar a nível emocional, pelo que acho que uma coisa depende da outra. 
– Gosta de viajar? Costuma ter tempo para férias? 
- Acho muito importante viajar. Temos de andar pelo mundo para vermos e entendermos outras culturas. Ficamos a conhecer melhor o sítio de onde vimos e quem somos. Viajar impede-nos de julgar os outros, pois ficamos mais compassivos, compreensivos e tolerantes, já que conhecemos uma cultura diferente. Ficamos a conhecer melhor como as pessoas vivem. Acho que o mais importante é viajar e mantermos o espírito aberto. 
– Fez uma audição para o papel de Dr. House e acabou por ser cirurgião em Anatomia de Grey. Acha que conseguia ser médico na vida real?
- Não sei se seria médico na vida real, acho que há médicos muito bons. É claro que interpretar um médico na televisão e a visibilidade que isso me deu, ajudou-me a iniciar o Dempsey Centre for Cancer Hope and Healing, o que é bom. As pessoas identificam-se com o Shepherd. E ter sido capaz de fazer algo que é positivo para a comunidade onde cresci, é uma das coisas mais gratificantes que pude fazer por causa de “Anatomia de Grey”. 
– Ficou imensamente conhecido como Dr. Shepherd. Como lida com a fama?
- Acho que temos de ficar com os pés assentes na terra. Ainda bem que aconteceu nesta altura da minha vida, pois não acontece a todos. Estas oportunidades são incríveis e eu estou tremendamente grato pelo que me foi dado. Temos de abordar a situação com a máxima seriedade possível para tiramos o máximo de proveito dela, mas também não nos podemos agarrar muito a ela, pois a fama vai e vem.
– Fez muitas vezes parte da lista dos homens mais sexys do mundo. Como é que a sua mulher lida com toda a atenção feminina que tem? 
- Bem, às vezes é difícil para ela. Mas apoia-me, e isso acaba por proporcionar bem-estar à nossa família. Mas é sempre um desafio enorme. E as situações em que nos podemos encontrar também dependem de cada um.
– Os atores sentem a atual crise económica no trabalho? 
- Claro que sim! Há sempre menos oportunidades de trabalho devido à falta de dinheiro para patrocinar os filmes. A indústria cinematográfica está a encolher. Há cada vez mais oportunidades na televisão e nos media alternativos. Precisamos de conteúdo, mas os montantes que estavam a ser pagos no passado já não estão a ser pagos agora. Tenho muita sorte em estar a participar numa série há alguns anos, uma série que começou antes, passou por isto e vai sair vencedora do outro lado. Estou muito grato e tenho muito respeito pela minha posição atual. E isso também acarreta muita responsabilidade, a de devolver algo às comunidades onde nos encontramos inseridos. É muito, muito importante e muito mais satisfatório ao fim do dia. 
– Na minha pesquisa sobre si, vi, claro, que é bom ator, mas que, acima de tudo, é boa pessoa, pois construiu um centro oncológico para ajudar pessoas com cancro na sua cidade natal. Acha que os atores têm uma responsabilidade social maior? 
- Acho que qualquer um com alguma visibilidade ou sucesso tem uma responsabilidade social a partir de uma certa altura. Acho que é mais satisfatório sermos altruístas e mostramos compaixão e trabalharmos na nossa comunidade. Dá-nos muito mais prazer do que participar num filme ou termos outro tipo de sucesso. Acho que existe algo na ligação emocional com uma outra pessoa que nos dá felicidade na vida. Depois de andarmos a correr atrás do sucesso e termos algum, este deixa de nos satisfazer. A viagem para lá chegar é uma coisa, mas depois de lá chegarmos, o que fazemos com ele? E acho que nessa altura, se tivermos a possibilidade de beneficiar os que nos rodeiam com esse sucesso, a nossa vida fica muito mais preenchida e aprazível.
– Acha que os atores podem fazer mais?
-
Acho que é o gesto de cada um, independentemente da profissão, seja ele ator ou um homem de negócios ou outra pessoa com sucesso. É muito importante que os negócios e os indivíduos bem-sucedidos devolvam alguma coisa. 
– Adora corridas de carros... É um passatempo ou mais do que isso? 
- Sim, gosto mesmo muito. Bem, está a tornar-se mais do que isso... é certamente um negócio, mas muito desafiador, uma paixão, é uma necessidade minha. Mas não me imagino o tempo todo sentado num carro a competir. Gosto do mundo em que vivo com os meus concorrentes, o companheirismo da competição, o desafio mental e físico de tudo. O que acontece na pista e a concentração na corrida é muito semelhante ao que é a vida em muitas maneiras. 
– É mais fácil ser ator ou piloto? 
- É complicado responder a isso. Temos de trabalhar para termos credibilidade e respeito e isso demora tempo, temos de mostrar resultados. Já o faço há tanto tempo como faço a série, pelo que também faz parte da viagem da série Anatomia de Grey. O planeamento é sempre complicado, mas a série tem-me apoiado imenso, o que agradeço. É um escape para mim e satisfaz-me muito. 
– Só conduz depressa nas corridas? 
Conduzir depressa na cidade acho que é irresponsável. Quando estamos na pista de corridas, o carro tem uma gaiola e cintos de segurança, temos um equipamento de segurança adequado. Os carros de estrada são seguros até um certo ponto, mas se perdermos o controlo do é injusto para com as pessoas que nos rodeiam. Vemos pessoas que andam depressa nas auto-estradas e não acho que tenham as habilitações técnicas ou a habilidade de sair de situações perigosas, se estas ocorrerem. Não é interessante conduzir a alta velocidade, gosto de conduzir depressa, mas não muito depressa. 
– É bom actor, bom homem, bom pai e bom desportista. Prefere ficar no país ou ir visitar a Malásia, o Dubai ou Singapura... se a questão forem férias? 
- Adorava visitar a Malásia, Singapura e o Dubai, locais onde ainda não estive. Viajar é muito importante. Aprendemos muito sobre nós e outras culturas. Acho que existem muitos equívocos relativamente a outras culturas que provocam conflitos e alguns desses equívocos podem ser ultrapassados se viajarmos e ficarmos a conhecer melhor outras culturas. 
– Sabe alguma coisa sobre Portugal? 
- Nunca lá fui, mas gostava de ir. Mas, para já, não posso. 
– Começou por trabalhar no entretenimento, quando era adolescente. Como chegou a Hollywood? 
- Comecei por representar num bar. Fiz alguma comédia do estilo Vaudeville, e tive a oportunidade de participar num programa de talentos, que venci. Acabei por ir às finais em Nova Iorque, onde fui apresentado a um agente. Esse agente contratou-me e tive a oportunidade de fazer uma audição para uma peça na Broadway, com a qual acabei por ficar e isso abriu-me a porta para me catapultar a nível nacional e conseguir chegar à cidade de Nova Iorque. Tinha dezassete anos, pelo que há muitos anos que ando nisto.
– Este percurso tem sido bom? 
- Tive muita sorte. Tive uma carreira e sou um ator com trabalho, que é tudo o que eu queria. É uma profissão desafiadora. Acho que é importante termos interesses para além disto, que nos preencham e não girem todos à volta do negócio. Acho que não é suficientemente satisfatório. 
– Prefere a televisão ou o cinema? 
- Prefiro trabalhar. Não me interessa o quê.  
– Tem algum sonho na vida?
- Há tantas coisas que gostaria de fazer. Gostaria que o centro oncológico crescesse a nível nacional e global. Acho que é muito importante as pessoas diagnosticadas com cancro terem um centro de bem-estar, um sítio onde possam ir. É muito importante nas áreas rurais, pelo que quero que continue a crescer, mas mantendo a intimidade e o fundo emocional que fazem o nosso centro funcionar tão bem. Tudo se baseia na qualidade dos nossos voluntários e na equipa, no que podem receber e transmitir. Acho que é o mais gratificante, por isso quero que continue a crescer. Em termos de carreira, acho que quero ser realizador, e não estou a pensar no dinheiro. Espero trabalhar com as pessoas que me inspiram. Em relação às corridas, espero poder continuar a manter um bom modelo de negócio, para que possa continuar a correr a um nível muito elevado, a ser competitivo e a ganhar o campeonato. Em casa, espero que os meus filhos sejam muito bem-sucedidos.

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