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Cristina Esteves: "Tenho tempo para ser uma mãe presente"

A jornalista de RTP posou com a filha do meio, Sofia, e contou como concilia uma profissão exigente com o equilíbrio familiar.

Andreia Cardinali
29 de setembro de 2013, 10:00

Em criança, Cristina Esteves, de 42 anos, já sonhava ser jornalista e passava as noites a ver os debates na televisão e a entrevistar o seu pai. O sonho concretizou-se e atualmente é um dos rostos mais conhecidos da RTP, onde é não só pivô do Telejornal, como conduz o pro­grama A Opinião de Sócrates.
Casada há 16 anos com Luís Oliveira, de 42 anos, de quem tem três filhos, Frederico, de 13 anos, Sofia, de dez (com quem foi fotografada), e Francisca, de três, é junto da família que passa todo o tempo que tem disponível.
– Começou como apresenta­dora e não como jornalista...
Cristina Esteves –
Sim. Entrei na RTP em 1991 por concurso público, estudava na Faculdade de Direito e não sabia bem ao que ia. Fui chamada para as provas depois da pré-seleção e pediram-me para falar sobre a guerra do Golfo, que estava no seu pico. Fiz mais provas com o José Eduardo Moniz e entrei, para a apresentação dos recreativos. Tive sempre bastante cuidado naquilo que fazia e pude recusar algumas coisas que me teriam exposto demasiado. O meu objetivo era terminar o curso e seguir para jornalismo. E foi isso que aconteceu. Terminei o curso em 95 e em 96 passei para a informação, através de um novo concurso. Não foi fácil.
– Referiu que na altura optou por situações em que não tivesse de se expor demasiado. Isso é o que continua a fazer...
Sim... Acho que temos de nos salvaguardar um bocadinho. Não me custa ser reconhecida na rua nem falar com as pessoas e acho até alguma piada. Não gosto é de me expor, de sair... Sou muito caseira e adoro estar com o meu marido e os meus filhos.
– Essa dedicação à família é parte do segredo para estar casada há tantos anos?
Não sei se é segredo. Temos imenso respeito um pelo outro e ao fim e ao cabo crescemos juntos, pois começámos a namorar aos 19 anos. O meu marido acompanha-me desde sempre e é fundamental também no meu percurso, pois como não pertence ao meio – é de Gestão –, tem uma abordagem das coisas mais objetiva e isso ajuda-me bas­tante. Somos muito amigos um do outro e as coisas evoluem, não há segredo. Gostamos de estar juntos [risos]. Ele tem sido muito meu companheiro, em especial desde que comecei a fazer mais noites, com o Telejornal, o que faz com que tenhamos menos tempo para estar os dois e até com as crianças.
– Como é que consegue equilibrar as responsabilidades profissionais com as pessoais?
Como toda a gente. Tra­balho mais à noite, mas em contrapartida tenho as manhãs livres, embora esteja sempre atenta às notícias e ao que está a acontecer. É um vício, faz parte da vertente profissional. Tirando essa diferença, em comparação com as pessoas em geral, com algumas ajudas tudo se consegue, tal como noutras profissões. Consigo organizar a minha vida e ser uma mãe presente.
– Apresenta há três meses o programa A Opinião de José Sócrates. Qual o balanço?
Muito positivo. É um espaço que tem repercussão e que marca a agenda, basta ouvirmos e lermos muitas das expressões que são invocadas até no Parlamento. O constante regresso ao passado por parte de outros protagonistas também é revelador. E as audiências não podem ser escamoteadas, já que é normalmente o programa de informação não diário mais visto. É um espaço de opinião, de comentário e análise da atualidade, não de entrevista pura e dura. Agora pela mediatização, pelo peso que tem, pelo sectarismo e divisão associada, e até por ser quase unanimemente considerado o entrevistado mais difícil e bem preparado, estou consciente dos riscos que corro, das exigências que me são feitas, muitas ignóbeis face ao espírito do programa.
– José Sócrates é habilidoso a gerir as entrevistas encaminhando-as a seu favor. Como consegue contornar isso?
José Sócrates não é um contador de histórias, prepara as suas intervenções, o que, aliado às suas características intrínsecas, faz dele um dos mais eficientes e eficazes comunicadores políticos no espetro televisivo. Neste contexto, há uma curva de aprendizagem dos intervenientes, individual e mútua, na prossecução do registo certo sem que isso adultere a génese de cada um ou nos transforme em atores.
– Este programa trouxe novamente grandes audiências à RTP. Isso aumenta o peso da responsabilidade?
O profissionalismo perante a casa, os colegas, os convidados, os espectadores e nós próprios é e tem de ser imune às audiências, e ainda mais neste país em que são de fidedignidade duvidosa [risos]. Agora, é óbvio que muitos valores se levantam, que as exigências e as expectativas, a visibilidade e a notoriedade que sobre nós é depositada ou imposta realçam essas mesmas obrigações e responsabilidades. Mas tudo em conta, peso e medida [risos].
– Como reage às críticas que foram feitas à RTP por ter Sócrates?
Não reajo. Se formuladas em boa-fé, respeito e posso manifestar a minha discordância. José Sócrates tem tanta legitimidade como qualquer outro cidadão de expressar a sua opinião, pelo que entramos no campo da relevância política, jornalística e mediática e considero que preenche os requisitos essenciais. Mais, a RTP, como grupo, e até como operador de TV, demanda uma pluralidade única, pelo que se alguém não gosta ou não se revê num determinado programa, tem à disposição uma vintena de canais alternativos, sob vários meios e plataformas, a complementar o serviço público.
– Que projetos tem na RTP?
Nunca fui de fazer projetos a médio/longo prazo, até porque neste sector o panorama é de constante mutação... Tudo a seu tempo! Neste momento concentro-me numa cabal e plena execução e otimização do que tenho em mãos, nomeadamente no Telejornal e em programas de opinião e entrevistas de relevância.

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