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Naomi Watts na “pele” da princesa Diana

Aos 44 anos, a atriz aceitou o desafio de dar vida à icónica Princesa do Povo. Um papel que lhe pode valer o terceiro Óscar da sua carreira.

W. Avery/Celebritext
15 de setembro de 2013, 02:11

Já nos habituámos a ver Naomi Watts nos mais variados papéis – da donzela em perigo de King Kong à enfermeira moralmente correta de Promessas Perigosas. Mais recentemente, a atriz destacou-se em O Impossível, no desempenho de uma sobrevivente do tsunami que devastou várias regiões do Índico no Natal de 2004, papel que lhe valeu uma segunda nomeação para o Óscar de Melhor Atriz. Aos 44 anos, Naomi já deixou bem claro que não há personagens que não consiga interpretar. Intensa, profunda, leve, persuasiva, erótica e mãe, consegue trabalhar os seus vários papéis com classe e dignidade, qualidades que bem poderiam descrever o seu desempenho na pele da princesa Diana no filme de carácter biográfico Diana, cuja estreia em Portugal está marcada para o próximo dia 26 de setembro, menos de um mês depois do 16.º aniversário da morte daquela que ficou conhecida como a Princesa do Povo.
Nesta entrevista exclusiva, Naomi Watts conduz-nos pelo mundo da princesa Diana. As suas alegrias, triunfos, tragédias e, finalmente, a sua morte, vêm à superfície num trabalho que poderia parecer impossível, mas que Naomi Watts consegue tornar bem sucedido, deixando uma marca indelével na história do cinema.
– Já alguma vez tinha especulado sobre qual seria o primeiro filme biográfico da sua carreira?
Naomi Watts – Bem, não sinto que este seja uma verdadeira biografia, porque se trata de um período de tempo muito específico e isolado no tempo, que se resume apenas aos dois últimos anos da vida da princesa Diana. Centrámo-nos na história de amor com Hasnat Khan, acerca da qual pouco se sabia.
– O facto de ela se ter querido libertar foi uma das razões que a levou a aceitar este papel?
– Sim, a famosa entrevista que ela deu a Martin Bashir para o programa Panorama da BBC foi uma espécie de ponto de viragem na sua vida. Foi muito criticada, mas também teve resultados positivos. Acredito que o fez porque tinha de o fazer. Ao falar abertamente, ela mudou a sua vida. Foi uma forma de dizer: ‘Quero ser livre. Quero ter uma vida o mais normal possível e tenho esse direito.’ Penso que ela fez muitas coisas certas nos dois anos que antecederam a sua morte.
– Que recordações tinha dela nessa altura?
– Eu nasci e vivi em Inglaterra até aos 14 anos e vi o casamento, mas nessa altura ainda não lia jornais. Quando me mudei para a Austrália, havia uma certa distância. Ela era igualmente popular, mas não era capa de todos os jornais diariamente por causa da altura da bainha da saia ou do que quer que fosse. Também se falava dela, mas não era tão constante. Depois mudei-me para a América, onde Diana também era famosa, mas não tanto quanto em Inglaterra. Só mais tarde comecei a acompanhar a sua vida e lembro-me de assistir à entrevista que deu a Bashir e, claro, do dia em que ela morreu. Fiquei horrorizada e chocada. Fiquei mesmo transtornada.
– Lembra-se de onde estava nesse dia?
– Sim. É como o atentado de 11 de setembro. Nunca nos esquecemos desses momentos.
– Parece que inicialmente não ficou muito entusiasmada quando lhe propuseram este papel. O que lhe disse o realizador para a convencer de que era uma boa aposta?
Creio que ele decidiu realizar este filme por causa da história de amor, essa foi a sua linha de orientação. Isso fazia com que o filme deixasse de ser biográfico, o que para mim pesou na decisão, mas creio que as coisas que me aterrorizam também me intrigam... O facto de ser absurdo e ridículo representar a mulher mais famosa de todos os tempos fez-me pensar: “Bem, que grande desafio!” As histórias reais fascinam-me e, mais cedo ou mais tarde, esta história iria ser contada por alguém.
– A entrevista de Diana à BBC foi um momento muito importante na definição da vida dela. Como é que se preparou para a gravação desse take?
Devo ter visto e ouvido essa entrevista umas dez mil vezes. Tinha-a gravada no meu iPad e no meu iPhone e cheguei a ouvi-la quando ia correr ou tomar banho. Era bom ouvir a entrevista sem ver as imagens, porque ouvimos tudo de forma diferente. Quando assistimos às imagens, estamos à procura de outras coisas, embora tanto a voz como as imagens sejam importantes, não só para aprender mais sobre a sua vida, como para apanhar o seu tom de voz e o modo como movimenta o seu rosto – que é completamente diferente da forma como eu movimento o meu.
– Tenho alguma curiosidade em saber como é que se iniciou a relação de amizade entre ela e Oonagh Toffolo [ex-freira, parteira e acupunturista]?
– Elas eram muito próximas, sim. Eu falei com Oonagh, porque foi ela quem apresentou Diana ao cirurgião paquistanês Hasnat Khan. Este tinha seguido o marido de Oonagh quando ele teve um ataque cardíaco. Diana tinha muitas pessoas assim na sua vida. E essa é uma das coisas de que mais gosto em Diana: apesar de a sua vida ter sido marcada por momentos de enorme tristeza – que começaram na infância, com o divórcio dos pais e o afastamento da mãe –, que a tornaram frágil, nunca deixou de lutar pela sua felicidade ou de procurar uma forma de se tornar uma pessoa melhor.
– Deve ter feito inúmeras pesquisas para se preparar para este trabalho. Descobriu alguma coisa que a tivesse surpreendido?
– Talvez o sentido de humor dela. Era uma pessoa inteligente e maliciosa, que não tinha medo de contar piadas, ainda que fossem politicamente incorretas. Também gostei da ‘costela’ rebelde que ela tinha.
– O que pensa que mais a atraiu no Dr. Hasnat?
Creio que ela era fascinada pela mente dele. Era um homem muito inteligente. Tinham em comum o interesse por curar pessoas das mais diversas maneiras. Ele era muito íntegro. Não tinha interesse nenhum nos media ou na imprensa. Ambos se esforçaram muito por manter o relacionamento  em segredo, não apenas por ela, mas também por ele.
– George, o neto de Diana, nasceu há um mês. Tem acompanhado as notícias?
– Nem por isso, porque estou fora de Inglaterra, mas já vi uma foto dele.
– O nascimento dele interessa-a mais agora que conhece a história da família? Sente uma ligação maior a Kate e a William?
– Sim, o filme foi produzido e concluído muito antes de se saber da gravidez, mas o timing de estreia é um pouco bizarro!
– Sabe se alguém da família real já terá visto o filme?
– Não. Definitivamente não viram. Ainda ninguém o viu.

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