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Maria Ricciardi: “Crescer é difícil, porque crescemos com o sofrimento”

Ao lado de Manuel, de 11 anos, e de Luís, de 13, Maria tem nos filhos uma boa companhia e revela nesta entrevista que tipo de mãe e mulher é.

Inês Mestre
15 de setembro de 2013, 10:00

Em pequena praticou bastante desporto e o gosto por um estilo de vida saudável e que envolva atividade física ficou até aos dias de hoje. E é esse estilo de vida que permite que, aos 38 anos, Maria Ricciardi se mantenha em boa forma. Foi também por gostar de cavalos – fez equitação em criança – que Maria aceitou o desafio da prima Sara Ferreira Pinto para trabalhar na escola de equitação Horses R Us. A CARAS conversou com Maria, que, apesar de nos últimos anos ter trabalhado como relações-públicas, sente que agora que os filhos estão mais crescidos – Luís tem 13 anos e Manuel 11 – pode dedicar mais tempo à sua vida profissional.
Como é o seu dia a dia?
Maria Ricciardi – Apesar de ter estado ligada à área das relações-públicas, nos últimos anos tenho estado mais dedicada aos meus filhos. Agora que eles estão a crescer, já tenho vontade, e mais tempo, para me ligar a novos projetos e este, da Horses R Us, é dinâmico, envolve crianças e deixa-me entusiasmada.
É importante ter acompanhado a 100% os primeiros anos dos seus filhos?
– É preciso saber aproveitar cada momento que temos com os nossos filhos, e eu fiz isso. Aproveitei-os ao máximo. Gostei muito de ter podido passar tanto tempo com eles e acho que isso fez deles miúdos felizes.
Quando tem tempo para si, o que mais gosta de fazer?
– Ler. Chegam a dizer-me que sou antissocial por causa dos livros. Estou sempre a ler e leio tudo, romance, política, história... Além do desporto, claro, mas isso é terapêutico, não vivo sem ele.
Que desporto faz?
– Faço ginásio todos os dias. Quando era miúda, pratiquei muitas modalidades, gosto de ver desporto na televisão e sou muito ativa. O desporto é muito importante na formação das pessoas e também incentivo muito os miúdos por causa disso. O Manuel joga ténis, o Luís, râguebi, e os dois são surfistas. Enquanto estão a fazer desporto não estão a fazer asneiras! Acho que somos todos mais felizes e saudáveis se fizermos desporto.
Tem cuidados com a sua imagem, portanto...
– Tenho alguns cuidados, mas não sou paranoica. Não deixo de comer o que quero, mas não abuso, porque depois custa mais a recuperar. Há algumas coisas que não nos fazem bem ao corpo nem à mente! Acho que tem de haver equilíbrio. Se formos mais equilibrados, somos mais felizes.
E está numa fase equilibrada?
– Sim, estou. Já passei por fases menos boas, como todos, mas neste momento estou muito bem.
E este momento feliz pode ter a ver com algum novo amor?
– Hoje estou muito feliz! É tudo o que vou dizer. [risos]
Mas vive feliz solteira ou gosta de ter companhia?
– Gosto de ter a companhia de outra pessoa. Estou sozinha há dois anos por opção. Mas acho que todos gostamos de ter com quem partilhar o dia a dia, os problemas, as dúvidas...
Gostava de voltar a casar-se?
– Sim. Já tive essa porta completamente fechada, mas acho que cresci em relação a isso. Estive casada com o pai do Manuel e do Luís e foi ótimo. Por isso, sim, gostava de me casar outra vez.
Acredita no casamento, portanto.
– Sim, acho que não é fácil encontrar alguém e viver com essa pessoa. Mas também acho que não fomos feitos para estar sozinhos. É ótimo ter alguém ao nosso lado.
Mudando de assunto: que tipo de crianças são o Manuel e o Luís?
– Eles fazem imensa companhia, mas estão a crescer, a bater asas e a começar a voar. Faz parte do crescimento deles, nós educamo-los para serem independentes, autónomos e depois irem à vida deles. E já lhes dou alguma liberdade para irem aprendendo a viver com isso.
E custa-lhe dar-lhes essa liberdade?
– Custa muito. É difícil delinear os limites, saber até onde se pode deixar ir. Mesmo para mim, é um crescimento. Ser mãe, apesar de não ser fácil, faz-nos crescer, ensina-nos. Todos os dias passo por processos que nos fazem crescer, a mim e a eles. No fundo, crescemos todos juntos.
Que tipo de mãe é?
– Sou muito rígida, autoritária, mas também sou muito carinhosa e presente. Acho que as regras, os limites e a disciplina nunca fizeram mal a ninguém. Há quem diga que sou muito dura, mas acho que lhes faz bem, para eles serem melhores pessoas no futuro. Não é para mim, pois seria muito mais fácil deixá-los fazer quase tudo o que querem. Mas não é o melhor para eles, logo, não é o melhor para mim. Quanto mais preparados estiverem para o futuro, melhor para eles, e quanto mais felizes eles estiverem, mais feliz eu fico.
Como se imagina daqui a dez anos?
– O que mais quero é que os meus filhos sejam saudáveis e felizes. Também quero estar tão bem quanto estou hoje. E ponho a hipótese de me voltar a casar e de ter outro filho. Não sei se é por estar a ver que o tempo está a encurtar! Os miúdos estão a crescer e acho que gostava de ter mais um filho, mas não sei se isso vai acontecer.
É sonhadora?
– Não, sou realista. Há coisas que eu gostava de fazer e que gostava que acontecessem. As que estão ao meu alcance, vou fazê-las, as que não estão, deixo o universo resolver. Mas não preciso de muito para estar feliz e sentir-me bem, estável. Conseguir esta estabilidade não acontece de um dia para o outro, tive de passar por um processo interior. Talvez tenha também a ver com a idade...
Foi um processo difícil?
– Crescer é difícil, porque crescemos com o sofrimento. É a melhor maneira de crescer, não a mais fácil, mas é bom. Depois de passarmos por coisas menos boas, percebemos que a vida é fantástica. Basta que não a compliquemos.

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