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Cuca Roseta: “Assumo a minha ousadia e a vontade de ser sempre diferente”

A fadista aproveitou um intervalo na agenda de concertos para descansar no Algarve. Para além da carreira, tem ainda de gerir o papel de mãe de uma criança de quatros anos e uma relação amorosa à distância.

Redação CARAS
14 de setembro de 2013, 10:00

É uma das novas vozes dofado  e desde o primeiro dia de carreiraassumiu uma abordagem despida de preconceitos e sempre em busca da essência quefaz desta uma canção única no mundo. Com 31 anos, Cuca Roseta arriscouum segundo disco, com o simbólico título Raiz, em que as letras e asmúsicas são de sua autoria. Mãe de Lopo, de quatro anos, a fadistamantém há já algum tempo um discreto namoro com David Magboulé, que vivee trabalha em Madrid, na área do marketing.
– Apresentou o seu novo disco em maio. Recentemente foi convidada paracantar ao lado de Julio Iglésias, em Lisboa, e tem uma agenda cheia deespetáculos. Para quem, por vezes, rompe com alguns preconceitos maistradicionalistas do fado, está surpreendida com este sucesso?
Cuca Roseta – Na altura, a minha editora avisou-me de que este era umtrabalho ousado, porque nunca antes uma fadista tinha composto e escrito asletras do seu próprio disco. A minha resposta foi – e é – que o fadista deveprocurar sempre a verdade e ir à sua essência para encontrar aquilo que é puroe genuíno. Assumo a minha ousadia e a vontade de ser sempre um bocadinhodiferente, mas essa ousadia é natural e não pensada. Para mim, o maisimportante é que a minha música emocione quem a ouve.
– Quando estava a preparar o disco, a escrever as letras e as músicas, nãosentiu que iria ficar muito exposta? Afinal, estão lá os seus pensamentos eemoções…
Existem músicas que dizem respeito a situações muito difíceis e, comeste disco, quando termino um concerto sinto-me exausta… morta. No fado não sedescansa. As palavras, todas elas, são ditas e cantadas com o corpo todo, commuita tensão e intenção.
– Foi para recuperar energia que se refugiou no Algarve?
Sim, com a intensidade dos concertos tenho necessidade de parar, de irpara uma praia sozinha, descansar e meditar. Pode parecer estranho, mas o quesinto é uma grande necessidade de voltar à minha essência para recuperarenergia e voltar a cantar, de novo, com toda a intensidade. Nós, artistas, nãonos podemos esquecer de que trabalhamos para fazer as pessoas felizes e não,como muitos, para aumentar o ego.
– A família, o seu filho e o seu namorado são também, nesse processo, umapoio fundamental, o seu maior refúgio?
A minha família e a minha casa, que é um espaço que é só meu e do meufilho. É aqui que consigo ir buscar energia e força.
– Entre con­certos e via­gens, qual é o segredo para ter tempo para o seufilho e para o seu namorado, que vive em Madrid?
É uma gestão difícil, muito difícil, e o segredo é ser uma pessoaorganizada. Toda a minha vida, seja o namoro, seja o trabalho, é sempre geridaem função do meu filho, de como o Lopo está e como se sente. Mas dentro destascircunstâncias até acaba por ser fácil, porque o Lopo é uma criançaexternamente independente, às vezes até mais do que eu, que acabo por sofrermais do que ele por estar fora dois ou três dias. Tendo em conta tudo isto, omais sacrificado acaba por ser o David, que vem cá muitas vezes para poderestar comigo e com o Lopo. Confesso que achava que iria ser muito pior e maiscomplicado do que na realidade é. Vamos deixando fluir e está tudo a corrermuito bem. O tempo pode ser pouco, e muitas vezes até nem o é, mas tento sempreque seja de qualidade máxima. [risos]
– Viver e casar-se com o David está nos seus planos?
Nós queremos, pensamos muito nisso. Mas enquanto um estiver em Madride o outro em Lisboa não é fácil. O mais importante é agradecer o que temos eevitar comparações com as situações dos nossos amigos que já vivem juntos,casaram e tiveram filhos. Temos de ser simples e não complicar, só assimconseguimos usufruir do presente, que é ótimo. Existe um momento para tudo, eesse momento, quando tiver de acontecer, vai mesmo acontecer.
– Esta produção fotográfica é mais um passo contra os preconceitos?
[Risos] É verdade que odeio preconceitos e sei que sou um bocadinhoradical em muitas situações. Mas, no fundo, o que faço é seguir o meu instinto,digam bem ou digam mal. É o meu caminho. As pessoas têm medo de arriscar. Euprefiro questionar e seguir o que sinto. É algo tão forte que é impossíveldizer não.
– E também assume, sem preconceitos, os seus 31 anos e a sua boa formafísica…
– Pode parecer estranho, mas não tenho medo de envelhecer e adoro celebrar osmeus aniversários. Ter entrado nos 30 não mudou nada e até penso que ter sidomãe antes retirou algum peso a essa situação. Tenho 31 anos, mas sinto-me joveme fresca.

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