Nas Bancas

Cristina Branco: "Enquanto cidadã, usar a minha voz é quase uma missão"

A cantora fala acerca do seu novo álbum, ‘Alegria’, que tem uma forte vertente social, e revela também o seu lado mais pessoal nesta entrevista.

Inês Mestre
14 de setembro de 2013, 18:00

Aos 40 anos, Cristina Branco conta com uma carreira de 17 internacionalmente reconhecida. O seu novo álbum, Alegria, retrata os tempos difíceis que vivemos e foi acerca deste trabalho que falámos com a cantora, que nos contou também como concilia os muitos espetáculos no estrangeiro com a vida familiar, confessando que sofre “horrores” quando está afastada do marido, o escritor e jornalista Tiago Salazar, de 41 anos, e dos  filhos, Martim, de nove anos, e Margarida, de quatro.
O espaço escolhido para algumas destas fotografias foi o Atelier-Museu Júlio Pomar, já que Cristina é grande amiga do pintor. “A amizade com o Júlio é antiga e duradoura. Nasceu de um longo abraço quando nos conhecemos e dura até hoje. O Júlio tem uma mente jovem e desempoeirada, e é um estímulo e um prazer ter amizades assim e tão verdadeiras”, explicou Cristina, que dia 27 de julho atua em Sines.
O que podemos encontrar neste álbum?
Cristina Branco
– É um disco com uma vertente social muito forte. São retratos de pessoas, mas podem ser também reflexos daquilo que somos. É a nossa história, mas não queria condicionar apenas aos portugueses, porque, infelizmente, pode passar-se em qualquer parte do mundo.
Abordar o tema da crise foi uma necessidade que sentiu enquanto artista?
– Sim, absolutamente. Não me imagino a viver uma realidade sem intervir de forma positiva. Enquanto cantora e pessoa que tem a possibilidade de ter uma voz mais presente e ativa, acho que é fundamental. Enquanto cidadã, tenho um papel e usar essa voz é quase uma missão.
O título do disco é Alegria. É uma pessoa alegre?
– Acho que não há ninguém que seja sempre alegre, todos temos momentos mais alegres ou mais tristes, mas, de uma maneira geral, sou alegre. Às vezes não pareço, porque sou nostálgica e reservada, mas tenho um ótimo sentido de humor e isso já ajuda!
Durante esta sessão fotográfica esteve sempre a cantarolar. Também é assim em casa?
– Sim, sou uma chata! Às vezes os meus filhos pedem-me para eu me calar. São péssimos comigo! [risos] Mas sim, ando sempre a cantarolar e a assobiar. É uma forma de ocupar o silêncio, sobretudo quando estou mais comigo ou quando me sinto desconfortável.
Os seus filhos também cantam?
– Sim. Acho que nenhum deles vai ser cantor, mas conhecem imensa música e cantam muito bem, são muitos afinados.
São muito diferentes um do outro?
– A Gigi é toda feminina, adora interpretar, faz ballet, monta espetáculos. O Martim é mais reservado, mas canta maravilhosamente, é superafinado, apesar de ele achar que não.
Como concilia a vida familiar com a carreira?
– Quando os meus filhos estão de férias e coincide com um período grande, eles vão ter comigo. Mas quem trabalha comigo sabe que eu não posso estar mais de dez dias fora de casa.
Como lida com as saudades?
– Sofro horrores! Os meus filhos não notam muito, porque nós tentamos preencher-lhes a vida de forma a que eles não sintam muito essa ausência. Falamos todos os dias pelo Skype. Sei que é sempre diferente, claro, e até na escola os professores notam que o comportamento deles é diferente quando eu não estou... Só o tempo dirá como é que esta vida complicada que os artistas têm se instala na vida dos seus filhos.
Entre a carreira e a vida familiar, tem tempo para si?
– Sim. Nós respeitamos muito a família e o privado. Quando estou cá, estou com a minha família. Mas também gosto de fotografar e de vez em quando faço uns trabalhos com o meu marido. Ele é jornalista, vamos os dois e eu fotografo.
O seu ma­rido lançou recentemente o livro Hei-de Amar-te Mais, que tem uma foto sua na capa e é dedicado a si e aos vossos filhos. Como recebeu esta homenagem?
– Recebi a sua “confissão” (porque disso fala o livro) com muito respeito e carinho, e já agora amor, pela enorme coragem que demonstra ao desnudar ali a verdade de quem ama sem falsos pudores. Porque os homens não se querem a amar desabridamente sem medo, ou até mesmo a amarem verdadeiramente, porque isso lhes confere uma vulnerabilidade pouco aceite socialmente!
É romântica?
– Não sei. Acho que não. Sou demasiado pragmática para ser romântica.
Fez 40 anos. Sente-se muito diferente do que era em 1996, quando começou?
– Sim, mas acho que isso é normal. Estamos aqui para crescer. Sou mais ponderada, madura e consciente dos meus passos. Quando era jovem, acreditava de forma mais inocente nos outros, hoje não; quando temos uma família, somos responsáveis por ela e tudo muda.
É otimista?
– Acho que já fui muito, mas agora, com a mudança de idade, deixei de ser tanto. A vida das pessoas crescidas confere-lhes um ar negativista. Talvez seja geracional ou da situação que vivemos, mas deixei de ser tão positivista e tornei-me mais pragmática.
Gosta de arriscar ou é mais ponderada?
– Cada vez mais acho que sou várias coisas e sinto-me na liberdade de fazer uma parvoíce de vez em quando. Sou impulsiva numas coisas, ponderada noutras. Não devemos ser lineares.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras