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Victoria Guerra: “Não ponho o amor em segundo plano, mas também não é o mais importante”

Aos 24 anos, Victoria Guerra é uma das mais talentosas atrizes da sua geração: já ganhou o Globo de Ouro de Revelação do Ano, prepara-se para entrar no novo filme de John Malkovich, “The Giacomo Variations”, integra o elenco da nova novela da SIC, “Ambição”, e atualmente é também embaixadora da Calzedonia e Intimissimi.

Inês Neves
7 de setembro de 2013, 10:00

Aos 15 anos, Victoria Guerra trocou a casa dos pais, em Loulé, por Lisboa, para correr atrás do sonho de ser jornalista. Viveu durante dois anos num colégio de freiras enquanto estudava, até que descobriu a sua verdadeira vocação: ser atriz. Aos 17 anos estreou-se na série Morangos Com Açúcar e a partir daí nunca mais parou de dar cartas na representação. Hoje, com 24 anos, e com um Globo de Ouro na ‘carteira’, Victoria confessa ser “muito feliz” a fazer aquilo que faz, mas adianta que quer fazer mais e melhor.
– Pareceu tão surpreendida quando ganhou o Globo de Ouro de Revelação do Ano…
Victoria Guerra – E fiquei. Não pensava que pudesse ganhar, não fazia sentido… Primeiro, estava a concorrer com o David Carreira, que tem toda uma máquina por detrás, depois, com a Joana Ribeiro, que para mim foi a revelação do ano… A nomeação já foi tão boa!
– O que mudou com o Globo?
– Em mim, nada, mas sinto que as pessoas vão estar à espera que eu erre, sinto que tenho de me pôr ainda mais à prova. As atenções ficaram muito focadas em mim, quem não sabia quem eu era, não conhecia o meu trabalho, se calhar passou a prestar mais atenção. Então, tenho um bocadinho medo de falhar.
– É muito exigente consigo própria...
– Sou, muito. Quero fazer cada vez melhor e diferente. Quando se gosta daquilo que se faz, é natural que isso aconteça, ainda para mais neste meio, que é muito competitivo e em que se é facilmente substituída. E hoje em dia há muitas caras novas a entrar... É um trabalho difícil, somos constantemente avaliados e há sempre alguém que tem uma coisa má a dizer… e isso mexe muito com a nossa autoestima e com o nosso ego.
– Tem uma boa autoestima?
– Não, mas já percebi que é normal neste meio, depois vamos aprendendo a lidar com isso.
– E quando se vê em campanhas publicitárias? Agora é embaixadora da Calzedonia e da Intimissimi…
– É tão estranho! Uma marca internacional tão boa, como é que aposta em mim? E é nessas alturas que começo a avaliar e a perceber aquilo que estou a fazer, é sinal que a minha exigência resulta, está a dar frutos.
– Como é que uma rapariga que aos 15 anos trocou Loulé por Lisboa não se deslumbrou?
– Se calhar foi por ter começado a trabalhar tão cedo. Como saí de casa dos meus pais com 15 anos e estive a morar sozinha dois anos antes de entrar nos Morangos,  tive necessariamente de crescer um bocadinho mais, passei a ter responsabilidades e a encarar o trabalho também como uma responsabilidade. Percebi que aquilo não era a escola, que tinha uma equipa inteira a contar comigo e que não podia falhar. Mas também sempre tive uma educação muito humilde, os meus pais não me deixaram deslumbrar.
– Como é que eles a deixaram vir sozinha para Lisboa tão nova?
– Porque eu era uma seca de miúda, muito bem comportada. Mas eles não me largaram aqui sozinha! Vieram comigo ver a escola, o sítio onde ia viver… Fui morar para um colégio de freiras, onde partilhava o quarto com uma miúda da minha idade, e a casa com 90 raparigas, todas diferentes. Foi muito giro, uma grande experiência.
– Para ser atriz deixou os estudos. Ainda não se arrependeu?
– Não, porque posso sempre estudar quando tiver 50 anos! É normal que os meus pais se tivessem preocupado com isso, mas oportunidades destas não aparecem todos os dias.
– Na novela Ambição interpreta o papel de Matilde, uma espécie de Julieta que luta por um amor impossível. A Victoria também é uma romântica incurável que acredita que o amor vale tudo?
– Não, não sou muito romântica. Não sou como a Matilde, que acredita que o amor é mais importante que qualquer coisa, e por isso vai contra tudo e contra todos. Eu não ponho o amor em segundo plano, mas também não é a coisa mais importante. O trabalho é das coisas mais importantes para mim, mas não fazia sentido se não tivesse o Luís [Pissarra]. E estar com o Luís não fazia sentido se não estivesse a trabalhar e a fazer as coisas de que gosto.
– Namora com o Luís há três anos e meio e já vivem juntos. Sonha com o casamento?
– Não, nem penso nisso. Não sou católica, não sou religiosa, não acredito em Deus, por isso o casamento pela igreja não faz sentido para mim. Não tenho aquele sonho de me casar de vestido de noiva, ter a grande festa… provavelmente, hei de casar-me um dia, e provavelmente com o Luís, mas será, provavelmente, numa loucura qualquer tipo Las Vegas ou ir ao registo com um ou outro amigo e já está.
– E filhos, quer?
– Ainda sou tão nova… Um dia... Falo sobre isso com o Luís várias vezes, ele quer, tal como eu, mas tudo a seu tempo. Agora, a minha prioridade é o trabalho, aproveitar a relação, o tempo a dois… O Luís respeita imenso o meu trabalho e eu o dele, somos os melhores amigos do mundo, e aproveitamos o pouco tempo livre que temos para estarmos os dois. E mesmo quando não estamos juntos, estamos sempre a falar um com o outro. Partilhamos tudo, mas não é aquela coisa doentia do querer saber o que o outro anda a fazer, a controlar, é mesmo pela partilha.

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