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Ao lado da família, Janaina Araújo admite: “Tenho a vida com que sonhei”

A empresária brasileira veio viver para Portugal por amor e é feliz.

Marta Mesquita
1 de setembro de 2013, 14:00

Janaina Araújo, de 36 anos, era assessora parlamentar no Brasil  e já era mãe de Eduardo, hoje com 18 anos, quando conheceu o seu atual marido, Vítor Ferreira, um português que estava de férias no Brasil e mal a viu entrar num restaurante, assegurou: “Acabou de entrar a mulher da minha vida!” E bastou um mês para que viessem juntos para Portugal e se tornassem marido e mulher. Pais de Bernardo, de sete anos, e de Luz, de três, a empresária brasileira, dona dos salões de beleza AbsolutLook, e o responsável por uma multinacional informática em Angola têm sabido conciliar as suas carreiras exigentes com o bem-estar fa­miliar e assumem-se, acima de tudo, como uma “família feliz”. Janaina Araújo e Vítor Ferreira receberam a CARAS em sua casa, em Cascais, onde a empresária nos contou como conseguiu vencer as dificuldades e construir a vida com que sempre sonhou.
– Foi o amor que a trouxe até Portugal...
Janaina Araújo – Sim. Co­nheci o meu marido no Brasil, apaixonei-me e percebi que se quisesse viver este amor tinha de arriscar e vir para Portugal. E foi o que fiz. O meu marido tinha ido ao Brasil de férias. Uma noite, saí para jantar com uns amigos e decidimos ir a um restaurante onde, por acaso, estava o Vítor. Quando ele me viu entrar, virou-se para os amigos e disse-lhes que eu era a mulher da vida dele. E assim foi. Conhecemo-nos e percebi que ele olhou para mim de uma maneira diferente.
– O que é que a conquistou no seu marido?
– A sua sinceridade. Arrisquei e segui em frente. Era assessora parlamentar, já tinha o Eduardo, que tinha cerca de cinco anos, e decidi seguir o meu coração e viver esse amor. Sou uma mulher muito emotiva. Conheci o meu marido e um mês depois estávamos casados.
– O seu marido passa muito tempo fora do país, uma vez que trabalha em Angola. Como é que conseguem manter um casamento feliz há 11 anos estando muitas vezes fisicamente distantes?
– Não precisamos de estar fisicamente juntos para estarmos realmente unidos. Às vezes, os casais estão na mesma casa e nem sequer comunicam. Somos uma família feliz e tudo o que temos idealizado e construído na nossa vida tem sido a dois, em conjunto, com muito trabalho e dedicação.
– No Brasil, já tinha uma carreira. Como foi para si chegar a outro país e ter de recome­çar a sua vida profissional?
– Primeiro, tive de me habituar ao sotaque. Comecei a trabalhar numa loja de malas. Depois, surgiu a oportunidade de ser coordenadora de um franchising espanhol e foi aí que entrei no mundo da moda e dos cabelos, que sempre adorei. Aí, segui novamente o meu instinto, trabalhei bastante e aprendi muito sobre o que se passava no mundo da estética. Fiquei nesse projeto durante três anos, mas, quando o Bernardo nasceu, tive de o deixar, com muita pena minha. O meu filho teve alguns problemas de saúde e eu tive mesmo de deixar tudo. Mas foi nessa altura que percebi que queria continuar a trabalhar no mundo da beleza e dos cabelos e comecei a idealizar o meu próprio cabeleireiro. Da idealização à concretização do projeto foram dois anos, mas consegui montar a minha própria empresa, que é a AbsolutLook. Já temos dois espaços em Portugal, vamos expandir-nos para Angola, estamos também a ver a possibilidade do Brasil, e decidi fazer um franchising da marca. Tenho feito tudo com muita honestidade e trabalho. Sou uma lutadora nata. Se me dissessem que ia ficar sem nada, começava do zero e sei que conseguiria reconstruir tudo.
– Ao longo dos últimos cinco anos tornou-se uma empresária de sucesso. Qual é o seu segredo?
– O segredo do meu sucesso é acreditar sempre em mim. Acredito que nesta vida tudo é possível. Temos é de ter fé e determinação. Fiquei viúva quando o Eduardo tinha dois anos e só tive uma maneira de ver a vida: seguir em frente, porque tinha um filho para cuidar. Se eu não estivesse bem, nada à minha volta estaria..
– A morte do seu primeiro marido foi um momento determinante na sua vida?
– Foi, sem dúvida. Se não tivesse passado por tudo aquilo que passei, não via a vida desta maneira. Nada me abate e tenho muita força. Nunca deixei de acreditar em mim. Tenho de aproveitar todos os momentos da vida. E acredito que se fizermos o bem, é o bem que recebemos. Não viemos ao mundo para sofrer nem para vivermos tristes. E o conceito do AbsolutLook tem que ver com essa valorização pessoal. Queremos transformar a autoestima das mulheres. Temos de nos mimar, somos mães, mulheres, empresárias, funcionárias, e temos de cuidar de nós. E esse pode ser o ponto de partida para as mulheres mudarem de vida.
– A Janaina olha sempre para o lado positivo da vida e parece ser uma mulher determinada. Mas quando se vai abaixo, onde é que arranja forças para voltar a ficar bem?
– Em Deus. Sou uma mulher de muita fé. É isso que me move. Todos temos altos e baixos, mas não podemos ficar deprimidos, temos de lutar, plantar para depois colher. Toda a gente consegue tudo, basta querer e sonhar. Eu tenho a vida com que sonhei, porque acreditei que ia conseguir.
– Optou por pintar o seu cabelo de louro platinado. O que é que a sua imagem revela sobre si?
– O meu cabelo mostra que sou uma mulher com atitude e reflete a minha filosofia de vida: “Não vim ao mundo para passar despercebida.” Gosto muito de mim e assumo isso com todo o gosto.
– Acredito que essa atitude se reflita também no tipo de mãe que é...
– Sou uma mãe muito atenta, que cuida dos seus filhos. Quan­do estão doentes, sou eu que tenho de tratar de tudo, por exemplo. E sou uma mãe motivadora. Quero criar filhos felizes e mostro-lhes que a felicidade só pode vir de dentro deles. A felicidade não tem que ver com o que têm ou podem vir a ter.
– A Janaina e o seu marido têm uma vida confortável e os vossos filhos têm acesso a um estilo de vida que muitas crianças não têm. É fácil para si enquanto mãe educá-los sem essa valorização do consumismo?
– Para que isso não aconteça, utilizo o castigo. Eles podem ter tudo se merecerem. Quando não merecem, ficam sem as coisas. Assim, percebem que podem ter tudo e ficar sem nada de um momen­to para o outro. Penso que tenho sido exi­gente com eles na medida certa. Mas, aci­ma de tudo, educo pelo exemplo. Eles sabem que se o pai não está ou se eu não consigo deitá-los à noite é porque estamos a trabalhar também por eles. E faço questão de os envolver nesse processo, para eles saberem que temos de trabalhar muito para conseguirmos ser bem sucedidos.
– Sente-se culpada por não poder ser uma sempre mãe presente?
– Não me massacro a pensar nisso. As pessoas não têm de ser perfeitas, têm de ser felizes. Para mim, o importante é os meus filhos estarem bem e valorizo muito o tempo de qualidade que passo com eles. Quando estamos juntos, nem sequer ligo ao telemóvel. Estou ali para eles.
– E esta casa é o sítio ideal para crianças: é grande, tem espaço ao ar livre, tem piscina e até tem uma sala de cinema e outra só de brinquedos...
– Quando a Luz nasceu, morávamos num apartamento grande, mas ficámos sem escritório e por isso decidimos correr atrás de uma casa maior. Como se diz, “o sonho comanda a vida.” Temos de usufruir dos nossos tesouros. E queríamos uma casa de família, em que pudéssemos realmente viver. A minha casa é também o meu porto de abrigo. Acima de tudo, aqui somos felizes.

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