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António Félix da Costa admite: “Sou muito ambicioso e não desisto dos meus sonhos”

Considerado por muitos a esperança do automobilismo português, António Félix da Costa foi este ano nomeado para os Globos de Ouro nas categorias de Revelação do Ano e Melhor Desportista Masculino.

Marta Mesquita
21 de julho de 2013, 12:00

António Félix da Costa, de 21 anos, sempre quis ser piloto e quando, aos nove anos, começou a competir nos campeonatos de karting, o seu talento logo deu nas vistas.
Sempre muito focado no seu sonho – chegar à Fórmula 1 –, o jovem piloto nunca hesitou em abdicar da vida pessoal para conseguir, passo a passo, singrar no automobilismo mundial. Atualmente, integra a Red Bull Junior Team e compete na World Series by Renault 3.5, considerada a “antecâmara” da Fórmula 1. Recentemente, o seu talento e o sucesso internacional foram reconhecidos no seu próprio país ao ser nomeado para os Globos de Ouro nas categorias de Revelação do Ano e Melhor Desportista Masculino.
Aproveitando a sua estada em Portugal, pois está a viver em Inglaterra, a CARAS conversou com António Félix da Costa sobre os sonhos que ainda quer realizar nas pistas mundiais.
– Recebeu duas nomeações para os Globos de Ouro. Acredito que seja especial ver reconhecido o seu talento no seu próprio país...
António Félix da Costa
– É ótimo. Estou mais habituado a ser nomeado para prémios lá fora e ver que agora tenho esse reconhecimento cá dentro é muito bom.
– Mas o reconhecimento também aumenta as expectativas que as pessoas têm em relação a si e ao seu desempenho. Lida bem com isso?
– Sim e não deixo que isso interfira em nada. O meu trabalho é nas pistas e as nomeações e os prémios são consequências do meu trabalho. Uma corrida de Fórmula 1 é o desporto com mais espectadores do mundo, são cerca de 800 milhões de pessoas a ver uma corrida! E é aí que quero chegar. Há vários anos que trabalho para isso. Este ano já estou na antecâmara da Fórmula 1 e espero chegar lá para o ano. Gostava de levar a bandeira de Portugal às pistas e adorava pôr os portugueses a ver novamente este desporto. Há mais desportos para além do futebol em que Portugal pode brilhar.
– E para que o seu objetivo de ser um piloto da Fórmula 1 se concretize, o apoio da família tem sido essencial...
– Tem sido essencial ter a minha família, amigos e equipa a apoiarem-me. Sem eles, o sonho não seria possível. A minha família deixou-me largar tudo para fazer disto a minha vida. E foi uma decisão que compensou. O meu pai sempre me apoiou, mesmo nas más épocas. Ele acredita tanto em mim como eu próprio.
– Para chegar a este patamar profissional também teve de fazer sacrifícios. Como tem lidado com o facto de viver longe da sua família, por exemplo?
– Como gosto tanto daquilo que faço, os sacrifícios passam-me um bocadinho ao lado. Claro que custa estar longe da família, mas já aprendi a lidar com isso. Também já cheguei a dormir na oficina da equipa italiana em que competia e nessa altura tinha 14 anos. A estrada tem sido difícil até aqui, mas quando chegar à Fórmula 1 e o sonho se realizar, vai tudo valer a pena.
– Acredito que competir em tão alto nível tenha ajudado a moldar a sua personalidade...
– Sim, sem dúvida. Sou uma pessoa com uma boa autoconfiança e amadureci muito cedo. Aprendi a viver sozinho e cresci rapidamente. Aguento muito bem a pressão e aprendi a dar a volta a coisas que uma pessoa com a minha idade ainda não consegue fazer.
– De alguma maneira, a competição tirou-lhe a adolescência...
– Não sinto isso, de todo! Claro que em vários verões fiquei sem férias, mas não me importava. Tenho uma vida diferente da das outras pessoas e aceito isso. Divirto-me com aquilo que faço e sinto uma adrenalina enorme quando estou a competir. Claro que numa corrida também há riscos que podem ser fatais... É um desporto tão complexo que exige uma preparação muito grande.
– Ia precisamente falar-lhe do facto de ser um desporto de alto risco. Como lida com o medo?
– Bem, eu não tenho medo e acho que essa é a minha sorte. Em primeiro lugar, temos de ter talento, depois, temos de vencer o medo. Já senti ansiedade, mas nunca senti medo. E se algum dia isso me aconte­cer, tenho de pegar no capa­cete e nas botas e parar.
– É ambicioso?
– Sou mui­to ambicioso e não desisto dos meus sonhos. O problema dos portugueses é considerarem, por exemplo, que ir aos Jogos Olímpicos já é bom, ser convidado já é bom, e eu não penso dessa maneira. Não quero só chegar à Fórmula 1, quero lá ficar. E acredito mesmo que vou conseguir.
– Portanto, perder, para si, nem ‘a feijões’...
– Exatamente. Gosto de ganhar, não gosto nada de perder, mas aprendi a ser um bom perdedor. Temos de saber ganhar, mas também temos de saber perder.
– E é fácil, com a vida que tem, ter tempo para namorar, por exemplo?
– É complicado. As últimas tentativas não resultaram. E nunca gostei de ninguém como gosto da minha carreira. Neste momento ter alguém na minha vida não é uma prioridade.

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