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Diana Gomes da Silva: “Acredito que, em Abu Dhabi, os meus sonhos vão ter asas”

A piloto deixou Portugal em busca da concretização do seu sonho: a acrobacia aérea.

Paulo Brilhante
20 de julho de 2013, 11:00

Vai fazer um ano em agosto que partiu rumo ao outro lado do mundo, mais precisamente aos Emirados Árabes Unidos. Abu Dhabi passou a ser a sua nova casa e a base para a concretização dos sonhos que Portugal e a respetiva crise teimavam em adiar. O namorado, João Bettencourt, e a família ficaram em Lisboa, mas as pontes áreas são constantes, diminuindo o peso da saudade e de alguma solidão. Com 29 anos, celebrados há algumas se­manas, Diana Gomes da Silva, numa curta passagem por Portugal, garante estar feliz com a opção que tomou e até já foi promovida. Hoje, além de pilotar, também dá formação aos mais jovens.
– Está há dez meses a viver e a trabalhar numa companhia área dos Emirados Árabes Unidos. Como está a ser a experiência?
Diana Gomes da Silva – Estou felicíssima. Na verdade, não poderia estar melhor. Voo na companhia líder do mundo e já fui promovida. É muito importante vermos o nosso trabalho reconhecido, algo que em Portugal não estava, nem poderia estar, a acontecer devido à crise. Aqui estava a viver num ambiente muito pesado e com o qual não me identifico. Como sou uma lutadora, fiz as malas e fui batalhar pelos meus sonhos fora de Portugal.
– Está magoada com Por­tugal?
Estou triste por ter deixado o meu país. Adorava poder estar cá, mas infelizmente isso não é possível. Não existem oportunidades e apoios para que possa continuar com o meu sonho da acrobacia aérea. O mesmo aconteceu com o meu irmão [António Gomes da Silva], que foi o mais jovem surfista candidato a ganhar o prémio da maior onda surfada do mundo e que foi para os Estados Unidos sem qualquer tipo de apoio. Sei que um dia vou voltar a Portugal, mas também sei que não vai ser num futuro muito breve.
– Como foi a adaptação a um país de costumes e tradições tão diferentes?
O mais estranho foi ter de tratar de tudo e de montar uma casa completamente sozinha. Já conhecia o Médio Oriente e reconheço que tinha alguns preconceitos e que me senti algo intimidada nos primeiros dias, mas a verdade é que rapidamente todas essas ideias caíram por terra e até hoje fui sempre surpreendida pela positiva.
– E como tem gerido as saudades e o afastamento intercontinental do seu namorado, bem como de toda a família?
Por tudo, ainda bem que inventaram os aviões [risos]. O João vai visitar-me quase todas as semanas, o que acaba por nos dar um tempo de qualidade juntos que não tínhamos quando estava em Portugal. Sobre o futuro da nossa vida em comum ainda nada está decidido. Estamos a avaliar o nosso futuro e onde esse futuro, com os filhos que hão de vir,  irá concretizar-se. Neste momento, temos outras prioridades em conjunto, mas também sinto que o tempo ainda está a nosso favor. Mas, independentemente de tudo,  é claro que tenho saudades da minha família e dos meus amigos. Apesar de todos os fatores positivos e das visitas constantes de toda a família, há dias em que não deixo de ser uma jovem sozinha no Médio Oriente.
– Com esta mudança radical de vida, o sonho da acrobacia aérea morreu ou está apenas suspenso?
Não, de todo! Apenas abrandou por, nestes primeiros tempos, não ter sido a primeira prioridade, mas estou a programar levar o meu avião para Abu Dhabi e aí dar asas ao meu sonho de montar a escola de acrobacia, fazer espetáculos e concorrer à Red Bull Air Race. Espero concretizar no mundo árabe todos os sonhos que estavam a ser colocados em causa pela falta de apoios em Portugal.
– Ser uma mulher ocidental e piloto de acrobacias é um fator positivo ou negativo?
Percebi que existe um grande fascínio por máquinas, aviões e velocidades. E, pelo inesperado da situação – uma rapariga num avião de acrobacias – espero conseguir gerar um fascínio e admiração ainda maiores. Até ao momento, as reações têm sido fantásticas.

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