Nas Bancas

Vicente da Câmara, aos 85 anos: “Sempre fui um homem de família”

O fadista posou para a CARAS ao lado dos filhos José e Manuel e dos netos Domingas, José Maria e Vasco.

Marta Mesquita
30 de junho de 2013, 16:00

Aos 85 anos, Vicente da Câ­mara garante que está no seu “apogeu” profissional e é por isso que no próximo dia 1 de junho vai subir ao palco do Coliseu dos Recreios ao lado dos filhos José e Manuel e da neta Teresa para um concerto comemorativo dos seus 65 anos de carreira. Neste concerto, o fadista vai levar ao palco as suas duas paixões – o fado e a família – e já prometeu um final de espetáculo empolgante com a presença dos seus 18 netos.
Homem de família, Vicente da Câmara esteve casado durante 56 anos com Maria Augusta de Mello Novais e Atayde, que morreu em setembro de 2011, e com ela teve seis filhos. Pai presente, o fadista sempre foi um exemplo para os seus filhos. “Para mim, o meu pai é uma referência de homem e de honestidade. É uma boa pessoa. E aos 85 anos canta de uma forma admirável. E isso foi um prémio que Deus lhe deu,” revelou José da Câmara. “Cantar ao lado do meu pai é sempre uma emoção e uma responsabilidade. O meu pai é o meu modelo. O que ele me ensinou é o que ensino aos meus filhos”, confidenciou Manuel da Câmara.
A dias deste concerto comemorativo, Vicente da Câmara posou ao lado dos seus dois filhos fadistas e de três dos 18 netos, Vasco, de 12 anos, Domingas, de dez (filhos de José), e José Maria, de nove (filho de Manuel), e conversou com a CARAS sobre as emoções que ainda quer viver dentro e fora do palco.
– O que se sente quando se celebra 65 anos de carreira?
Vicente da Câmara
– São 65 anos de carreira, mas antes dos 20 já cantava o meu fado. Quase que nasci a cantar. Faço um balanço positivo de todos estes anos. Estive muito tempo parado e só em 1982 é que comecei a dedi­car-me mais ao fado.
– Considera que o apogeu da sua carreira foi nessa altura?
– Não, o apogeu da minha carreira é agora.
– Aos 85 anos?
– Sim. Nunca levei isto muito a sério, nunca tive um agente artístico que tratasse da minha carreira. Fui um freelancer do fado e tive sempre profissões paralelas. Tinha seis filhos para sustentar e não tinha muito tempo para cantorias. Agora sim, tenho tempo. Nunca tinha cantado em casas de fado e agora até já estou a cantar numa às sextas-feiras. É uma forma de também me obrigar a sair de casa. Vamos ver quanto tempo ainda me aguento. Eu gostava de chegar aos 120 anos e estou a fazer por isso. Deixei de fumar e perdi uns 30 quilos.
– E parece que vitalidade não lhe falta, porque está a preparar um grande concerto para o dia 1 de junho...
– Sim, sinto-me com genica para o que aí vem. Este concerto é de uma grande responsabilidade, mas tinha de assinalar os 65 anos de carreira. Espero que corra bem e que as pessoas gostem. Este espetáculo vai ser uma ‘concertoferência’, como gosto de lhe chamar. Vou falar um bocadinho do fado, da minha vida e vou intercalar isso com umas cantigas. E ainda quero festejar os 70 anos de carreira.
– Acredito que goste de ver que a sua paixão pelo fado teve continuidade, já que dois dos seus filhos são fadistas e a sua neta Teresa também...
– Sim, é uma continuação. E para além da Teresinha, tenho mais dois netos que também gostam disto.
– Sente uma maior responsabilidade quando partilha o palco com a sua família?
– Não sei... Damo-nos todos bem e estamos habituados a cantar juntos. Quando estamos todos no palco, eles continuam a ser os meus filhos, a única diferença é que ali não estamos a falar e sim a cantar. Confesso que não ensaiamos muito, mas ajudamo-nos uns aos outros.
– O que é que o facto de cantar o fado trouxe à sua vida?
– Cantar o fado traz o mes­mo que a prática de qualquer outra forma de expressão artística. É algo que me realiza.
– Mas tem aquilo a que se chama alma de fadista?
– Isso não sei. Acho que isso da alma de fadista é um bocadinho de conversa. Canto o fado porque gosto de cantar. Não é nada de transcendente, nem quero transmi­tir nenhuma mensagem. Canto porque gosto!
– Tem seis filhos e 18 netos. A família sempre foi a sua grande prioridade?
– Sim, sempre fui um homem de família. Estive casado 56 anos, fui muito feliz. Para todos nós, a família sempre teve muita importância. E temos tido uma boa vida. Houve momentos melhores, outros piores, mas o balanço é positivo.
– Acredito que o facto de ter tantos netos o ajude a manter essa jovialidade...
– Claro que sim. Sempre gostei de me dar com os jovens. É bom conversarmos com eles. E tenho mesmo de me dar com as pessoas mais novas, porque da minha idade já há poucos!

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras