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Carlos e Margarida Robalo Cordeiro: Dois médicos em família

O professor universitário e especialista em pneumologia e a dermatologista posaram em casa com as filhas, Francisca, de 20 anos, e Mariana, de 18.

Marta Mesquita
23 de junho de 2013, 12:00

Foi a paixão pela medicina que juntou Carlos e Margarida Robalo Cordeiro, de 54 e 47 anos, respetivamente. Quando era assistente na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, o médico pneumologista conheceu a aluna que seria, uns anos mais tarde, sua namorada e mulher.
Casados há 21 anos, o médico, professor universitário e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, e a dermatologista são pais de Francisca, de 20 anos, que está a estudar Direito, e Mariana, de 18, que está a completar o 12.º ano. Contando com o apoio e suporte das mulheres da sua vida, o médico tem conseguido construir uma carreira de sucesso, que já lhe valeu várias distinções, entre elas a eleição como Personalidade do Ano 2011 pela Fundação Portuguesa do Pulmão.
Carlos e Margarida Robalo Cordeiro abriram as portas da sua casa, em Coimbra, e contaram à CARAS como têm conciliado as suas carreiras com uma vida familiar feliz.
– Como surgiu o vosso interesse pela medicina?
Carlos Robalo Cordeiro
– A medicina está desde sempre na minha vida. O meu pai era médico e professor catedrático e desde cedo comecei a interessar-me pela arte médica e pela possibilidade de seguir esta vida. E hoje sou médico e professor na Faculdade de Medicina, não digo por uma questão genética, mas ambiental.
Margarida Robalo Cordeiro – Sempre quis ser médica. Nunca me passou pela cabeça ser outra coisa. Sempre tive uma enorme vontade de conhecer tudo o que diz respeito ao corpo humano. Sou a mais velha de cinco irmãos e todos eles eram meus pacientes! [Risos]
E acabou por ser essa paixão que têm em comum que vos uniu...
– Sim, é verdade. O Carlos era assistente de fisiopatologia, que é uma das cadeiras dos primeiros anos, mas a nossa relação só se desenvolveu mais tarde, quando eu já andava no 5.º ano. E já se passaram mais de 20 anos.
– Como é que tem sido gerir carreiras tão absorventes e exigentes como as de médico com o casamento e a família?
Carlos
– É  difícil e o equilíbrio que conseguimos atingir deve-se à minha mulher, que sempre compreendeu as minhas ausências em períodos de maior pressão profissional ou académica. Apesar de a Margarida ter também uma vida profissional exigente, sempre esteve muito presente no crescimentos das nossas filhas e sinto que às vezes deveria ter-lhe dado mais apoio do que aquele que dei, mas espero ter daqui para a frente maior disponibilidade para a família. À medida que ficamos mais maduros, vamos percebendo que a nossa estabilidade familiar é o mais importante.
Margarida – Para mim, também foi difícil conciliar todos esses papéis. Terminei o curso, casei-me, fiquei grávida e comecei a trabalhar. Tudo aconteceu ao mesmo tempo e quando temos 25 anos e somos confrontados com tantas responsabilidades é complicado. Mas naquela fase tudo era possível e o sonho sustentava tudo.
Sente que o facto de ser mãe e ter de suportar também a evolução profissional e académica do seu marido a impediram de investir mais na sua carreira?
– É uma pergunta complicada… É evidente que alguma coisa fica para trás, não vale a pena esconder. E quando tinha de escolher, punha sempre a minha família à frente. As minhas filhas estiveram sempre em primeiro lugar. Abraço a minha profissão com muito carinho, mas admito que podia ter avançado ou sonhado mais e não o fiz, mas estou tranquila com isso. Faço o meu trabalho com rigor e isso tranquiliza-me. E também nunca tive a ambição de ter uma carreira académica como o Carlos.
– Estão numa nova fase, com as vossas filhas cada vez mais independentes…
Carlos
– Cada vez mais tento conciliar a minha carreira com a família. As nossas filhas, dentro de pouco tempo, deixarão de estar diariamente connosco e daí ter essa necessidade de estar cada vez mais tempo com elas; é uma das minhas maiores preocupações. Quero mesmo ter mais disponibilidade para a família. As nossas filhas são seres humanos fantásticos, são pessoas sensíveis, compreensivas, inteligentes e disponíveis.
Margarida – Sinto que o meu dever de mãe está mais ou menos cumprido. Acho que passei os valores certos às minhas filhas. Ensinei-as a serem pessoas verdadeiras, humildes e a respeitarem sempre o próximo. Aqui em casa, as minhas filhas sempre tiveram abertura para contar os seus sucessos ou fracassos. Hoje, além de ter duas filhas, tenho duas amigas, com quem partilho até algumas coisas da minha intimidade. Estou numa fase relativamente tranquila. Claro que sinto alguma nostalgia por ver que as minhas filhas estão a ganhar asas e a voar, mas também fico feliz por ver que são duas miúdas espetaculares e que posso contribuir para esse voo.
– Esta fase também vos deixa mais disponíveis para se dedicarem um ao outro e usufruírem do vosso casamento…
– Ao longo dos anos tivemos os nossos desencontros, mas hoje, como nos conhecemos muito bem, tudo se torna mais fácil. É uma das vantagens da tal maturidade de que o Carlos falava. A relação de casal é difícil e exigente, sobretudo quando estamos a falar de duas pessoas com vidas profissionais muito absorventes. É preciso ter muito cuidado na forma como se gerem os relacionamentos. E agora estamos a entrar na fase em que conseguimos atingir aquele patamar de bem-estar.
– Gosta de ser o único homem cá em casa?
Carlos
– Ser o único homem cá em casa é uma experiência única. Costuma dizer-se que as meninas são sempre mais próximas do pai. Aqui não é o caso! Claro que gostam de mim e não me tenho sentido preterido. Os mimos são todos para mim e é fácil fazer com que as coisas funcionem, temos uma relação equilibrada.
– E esta é a casa que sonharam…
Margarida
– Era a casa dos meus sonhos. O Carlos e eu chegámos a morar nesta rua e sempre que passava por aqui pensava que um dia gostaria de a comprar. E assim fizemos anos mais tarde. Vivíamos num apartamento, que começou a ser pequeno para nós, começámos à procura de outra casa e lembrei-me desta. E depois de algumas semanas de espera, o antigo dono disse-nos que a vendia. Trouxe cá um arquiteto que adoro, o João Mendes Ribeiro, que me fez uma casa linda.
– É uma casa de estilo minimalista...
– O minimalismo tem a ver comigo e com a nossa forma de estar na vida. Sou uma pessoa simples, não sou complicada. Não gosto de me exibir, gosto do que é puro e despojado.

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