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Diogo Morgado garante: “Serei sempre o miúdo da Margem Sul”

Depois do sucesso nos EUA, onde foi fotografado para a CARAS, o ator regressa ao trabalho em Portugal.

Natalina de Almeida
22 de junho de 2013, 10:00

Dias antes do regresso a Portugal, a CARAS percorreu com Diogo Morgado alguns dos lugares mais emblemáticos de Los Angeles. Já em Lisboa, conversámos com o ator sobre o impacto que teve na sua vida o sucesso internacional que alcançou ao dar corpo à figura de Jesus Cristo na minissérie A Bíblia.
Sem ares de estrela, o ator português agradece o reconhecimento além-fronteiras, mas continua a pessoa de sempre, de pés bem assentes na terra. O filho, Santiago, de três anos e meio, fruto da relação com Cátia Oliveira, é a sua prioridade e assume que este lhe abriu as portas para uma nova dimensão da vida.
– No meio da euforia gerada pela sua interpretação de Jesus Cristo, em algum momento sentiu que corria o risco de deixar de ter os pés bem assentes na terra?
Diogo Morgado – Não, nunca senti isso. Serei sempre o miúdo que cresceu na Margem Sul com fome de aprender.
– Há quanto tempo está a viver fora de Portugal? É difícil lidar com as saudades?
– Se considerarmos viver fora de Portugal o estar fora uns meses e voltar, então nesse caso ando nesse vai e vem talvez há dois anos. É claro que é difícil lidar com as saudades, mas a maioria das vezes a família vai comigo.
– Dar vida a Jesus Cristo e alcançar sucesso mundial com essa interpretação trouxe inegavelmente alterações à sua vida...
– Não sinto assim tantas alterações na minha vida. Trabalhar fora de Portugal não é propriamente uma novidade para mim. A única alteração tem mais a ver com a gestão do tempo e as disponibilidades para eventuais trabalhos, é talvez o mais complicado.
– Já era um ator conhecido, mas só depois de aclamado no estrangeiro é que ganhou um certo reconhecimento em Portugal. Sente-se algo injustiçado?
– Não sinto isso. Senti que os portugueses ficaram muito orgulhosos com o reconhecimento que um português de gema teve lá fora e tudo o que recebi foi um incentivo ainda maior para continuar o que tenho vindo a fazer. Repare, eu tenho tido a felicidade de trabalhar praticamente sem interrupções, dizer que isso é não saber reconhecer o meu trabalho seria estúpido e ingrato da minha parte.
 – ‘Ser’ Jesus Cristo implica certamente uma preparação especial. Como fez a sua?
– Correndo o risco de me repetir, tenho que dizer que a preparação tem muito a ver com a disponibilidade que uma figura destas exige, disponibilidade física, mental e espiritual. Para mim foi uma experiência muito pessoal, como tal, é difícil explicar o processo. Talvez só agora comece a refletir racionalmente sobre o que aconteceu.
– Essa preparação obrigou-o a fazer, de alguma forma, uma espécie de viagem espiritual?
– Sem dúvida. Acho que, independentemente daquilo em que se acredita, da religião de cada um e das suas convicções, é inegável o poder da história e figura de Jesus Cristo. É a história do altruísmo máximo, é impossível não ser tocado por isso. Logicamente que tive de analisar e reavaliar muitas coisas na minha vida que doutra forma provavelmente não teria feito.
– A sua relação com a religião mudou?
– Até parece que a religião é uma identidade! Não vejo assim. Acho a religião uma convicção pessoal, que diz respeito a cada um. Eu sou a favor de todas as formas de religião que tornem as pessoas melhores e mais altruístas no mundo.
 – Mas acredita em Deus?
 – Acredito. Se bem que Deus quer dizer coisas diferentes para cada um.
– Num mundo que vive tempos tão conturbados, ter fé é importante?
 – Acho que o que nos distingue verdadeiramente dos animais é a nossa capacidade de amar, acreditar e ter fé. Agora, mais do que nunca, temos de acreditar.
 – Como foi gravar cenas com uma carga emotiva tão grande?
 – Não foi a carga emotiva das cenas que mexeu mais comigo, mas sim o facto de saber a importância que elas representam. Sentir que cada silêncio, cada respiração teriam uma leitura importantíssima.
 – Que momento das grava­ções se tornou inesquecível?
 – A minha cena favorita é a Última Ceia, fiquei muito contente com o que construímos ali. Nunca vi uma versão como aquela dessa cena.
 – Trabalhar com colegas e equipas de uma nacionalidade diferente não deve ser fácil. Como se sentiu?
 – Pelo contrário, é extremamente fácil. Nada do que se faz lá fora é mais ou menos do que fazemos no nosso país. A grande diferença é apenas a escala em que tudo é abordado e executado, mas no fim do dia será sempre uma equipa e atores a tentarem fazer o melhor que podem e sabem.
– Aos 32 anos, sente-se realizado como profissional?
– Sinto-me satisfeito como profissional. Realizado acho que nunca me vou sentir, porque é essa fome que nos faz querer sempre aprender e crescer.
–  E como ser humano?
– Sinto-me muito feliz e agradecido por tudo o que tenho.
– Como tem sido este regresso a Portugal?
– Para já, comecei a rodagem da nova novela da SIC, Ambição, mais tarde talvez haja mais novidades. Estou muito feliz, não só com o projeto como com a minha personagem.
– O que é que o move e o faz lutar sempre?
– Acreditar.
– É feliz?
– Sim, sou muito feliz, mas ainda quero ser mais.
– Como imagina a sua vida daqui a dez anos?
– A trabalhar, a contar historias, sejam elas de que forma for, a representar, a escrever, a realizar ou produzir, ou até talvez em cima de um banco no meio da rua. O que amo é a capacidade que o ator tem de inspirar, entreter, ou fazer refletir quem assiste. Isso é a forma de me sentir vivo.
– Gostaria de deixar algumas mensagens aos portugueses que vibraram com o seu sucesso?
– A única coisa que posso dizer é agradecer todo o carinho com que a série e o meu trabalho foram recebidos. E também que sinto um orgulho enorme no nosso país e por ter contribuído mais um bocadinho na divulgação do nome de Portugal lá fora. Temos muito mais valor e capacidade do que julgamos. Gostava que parássemos de pensar em nós como coitadinhos.

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