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Ao lado das filhas e da mãe, Rita Ribeiro confessa: "Sou o eixo desta família"

A atriz posou ao lado das mulheres da sua vida e contou que, aos 58 anos, vai ser bisavó.

Marta Mesquita
2 de junho de 2013, 10:00

Rita Ribeiro, que completou recentemente 58 anos, assume-se como o “motor” de uma família de mulheres. Ao lado da mãe, Maria José, de 85 anos, e das filhas, Joana, de 37, e Maria David, de 16, a atriz tem construído um núcleo familiar forte e unido, no qual o famoso lema “um por todos, todos por um” se concretiza diariamente.
No final de junho, Rita Ri­beiro prepara-se para assumir um novo papel na sua vida: o de bisavó. Gonçalo, o filho mais velho de Joana, de 19 anos, vai ser pai de Salvador, mais um homem que será muito bem acolhido no meio destas quatro mulheres. Se na vida a atriz abraça novos desafios, o mesmo acontece em cima do palco. Em maio, Rita vai interpretar o seu primeiro monólogo na peça Gisberta, em cena no Teatro Rápido, em Lisboa. Neste espetáculo, que dura cerca de 15 minutos, a atriz dá vida à mãe da transexual Gisberta, que foi assassinada no Porto em 2006.
Aproveitando uma das primeiras tardes de primavera, a atriz posou para a CARAS ao lado das filhas e da mãe e partilhou as emoções que têm feito da sua vida familiar uma ‘peça’ feliz.
– Rita, as quatro mulheres da família Ribeiro são muito parecidas?
Rita Ribeiro
– Somos muito diferentes, mas, ao mesmo tem­po, temos muitas coisas em comum. Todas sentimos uma enorme vontade em que a vida seja alegre e equilibrada. Somos quatro mulheres muito trabalhadoras, adoramos passear e não somos dadas às rotinas. Só tenho pena de que a minha mãe já não nos consiga acompanhar em tantas coisas, mas é natural, porque já tem 85 anos.
– Lida bem com o avançar da idade da sua mãe?
– Sou eu que estou a tomar conta dela, somos muito próximas. Tenho de saber lidar com o avançar da idade da minha mãe e aceitar o que tudo isso implica. Eu sou o eixo desta família e visto esse papel com algum cansaço. Por vezes ser o motor de tudo acaba por ser extenuante, mas fui eu que assumi essa função. E dá-me muito prazer saber que consigo ser o eixo de tudo.
– Foi avó aos 39 anos e esse foi um ponto de viragem na sua vida. Sente que agora que se prepara para ser bisavó também vive um momento de mudança?
– Tenho muito prazer em ser bisavó. Quando soube que o meu neto mais velho ia ser pai, fiquei radiante. O meu neto está apaixonado e tinha uma grande vonta­de de formar a sua própria família. Sempre tive a sensação de que ia ser bisavó nova, tinha esse desejo. Gosto muito de estar rodeada de crianças. Sempre fui muito maternal, mesmo com os meus amigos. Tenho um relacionamento maternal com as pessoas e gosto de tratar delas, daí não me poder queixar por elas esperarem de mim esse tipo de atitude. A vida tem sentido com sonhos e objetivos. A única coisa que nos dá alegria e mantém a nossa jovialidade é termos obje­tivos. Sou uma sonhadora.
– E profissionalmente é fácil continuar a sonhar quando já tem uma carreira tão longa como a sua?
– Sinto que ainda tenho tudo por fazer. Não penso muito no passado, apesar de o respeitar. Nós estamos sempre a mudar e não sou a mesma Rita que era há 20 ou 30 anos. Talvez seja a mesma Rita que era aos dez ou aos 15, porque tenho tentado manter a inocência dessas idades dentro de mim, redescobrindo-me, olhando para dentro e deitando fora as mágoas e frustrações.
– E como é a Rita aos 58 anos?
– Sou uma Rita com muita vontade de fazer várias coisas, de ter novas experiências que me obriguem a sair da minha zona de conforto. Sou também uma mulher de família, que está sempre a tentar arranjar espaço dentro de si para ainda poder apaixonar-se por tudo. Acima de tudo, estou apaixonada por mim e isso obriga-me a ter um grau de excelência muito grande. Gostava muito que a vida me proporcionasse um amor. Não quero uma paixão, porque já tive muitas na minha vida. E a paixão implica sempre desestabilização. Hoje procuro manter-me serena, em paz, assegurando o meu bem-estar. A vida só fica completa com amor.
– Diz que continua à procura de desafios e agora, na peça que está a preparar, interpreta o seu primeiro monólogo e veste novamente a pele de uma mãe...
– Lá está o meu lado maternal. Neste momento estou num processo de grande interiorização deste monólogo, que acaba por ser um diálogo comigo mesma e que já me proporcionou alguns pesadelos. Aliás, este monólogo de 15 minutos retrata uma experiência trágica e difícil. Tudo isto me deixa muito sensível, porque tive de puxar cá para fora o que havia dentro de mim.
– Nos últimos anos, a Rita tem-se dedicado sobretudo ao teatro musical e este trabalho obriga-a a estar num registo completamente diferente...– Há muito tempo que desejava um projeto como este. Em Portugal rotulamos muito as pessoas, aquela atriz é de musical, aquele cantor é ‘pimba’... E isso acaba por ser limitador. Adoro musicais, mas a vida não é só isso e gosto de mostrar que tenho capacidade para fazer outras coisas.
– Para terminar: está feliz com a personagem que tem representado no palco da vida?
– Sim, estou muito feliz e satisfeita com aquilo que tenho feito na minha vida e sinto um verdadeiro entusiasmo por sentir que ainda tenho coragem e espaço para fazer mais.

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