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Cristina Homem de Mello: “Ser mãe é o maior desafio da minha vida”

Casada com Francisco Vidal e mãe de Martim, de cinco anos, a atriz tem a família com que sempre sonhou.

Marta Mesquita
1 de junho de 2013, 14:00

Cristina Homem de Mello, de 47 anos, é uma mulher feliz. Com uma carreira que já conta com mais de 25 anos, a atriz sente-se totalmente realizada com os papéis que tem feito em televisão e é com especial ternura que recorda Teresa, a personagem que interpreta na novela da SIC Dancin’ Days. No campo pessoal, também tem tido motivos para sorrir, já que ao lado do marido, Francisco Vidal, empresário na área do surf e fundador da Xcult, do filho de ambos, Martim, de cinco anos, e de Carolina, de 19, filha do marido, tem construído a família que sempre quis.
A aproveitar um período de descanso, a atriz conversou com a CARAS e revelou o que faz de si uma mulher realizada.
– As gravações de Dancin’ Days já terminaram. O que tem aproveitado para fazer neste tempo de descanso?
Cristina Homem de Mello
– Este tempo de pausa é essencial para os atores, sobretudo depois de ter interpretado uma personagem tão forte e marcante como a Teresa. Aprendi muita coisa com esta personagem. Fiquei mais assertiva e apercebi-me de que comecei a falar com mais segurança e calma, o que me dá mais tempo para pensar naquilo que quero dizer, sem perder a espontaneidade.
– A experiência de vida também traz, normalmente, essa segurança que permite dizer o que se quer sem medo do que os outros possam pensar...
– Sim e noto mesmo isso. Essa segurança dá-me tempo para gozar as coisas em vez de ter medo delas. Sinto que agora, que estou perto dos 50 anos, sou muito mais eu própria. Desbastei os medos e lixos que tinha cá dentro e fiquei uma pessoa mais verdadeira, confiante, que sabe aproveitar mais a vida. A experiência de vida fez de mim uma atriz melhor. Quando comecei a trabalhar era muito má!
– Então, a idade não é um problema...
– Bom... A idade é uma mais-valia, mas também traz algumas coisas menos boas, sobretudo no que diz respeito à saúde. O corpo já começa a ter algumas mazelas, mas que podem ser controladas com uma alimentação saudável e com a prática de exercício físico, como o ioga ou ginásticas menos agressivas.
– E que cuidados tem no seu dia-a-dia para manter a boa forma física?
– Tenho apostado em mim e no meu bem-estar. Durmo bem, faço ginástica e passeios na praia. Também tenho feito um tratamento facial, de reeducação muscular, que se chama Caci, no Body in Balance Centre. Na minha profissão, o rosto é muito importante e estava a precisar de fazer este tratamento, que é indolor, rápido e notei resultados logo ao fim da primeira sessão. Tenho feito duas sessões por semana e estou muito contente, a minha pele está mesmo mais bonita. Depois, também tenho tido tempo para me dedicar àquilo que me faz feliz, como estar mais tempo com a minha família, ler, ver filmes e séries. Adoro ir ao cinema sozinha, por exemplo. Aprendo muito a ver os outros a representar.
– Há pouco confessou que quando começou a trabalhar era uma atriz muito má. É preciso coragem e humildade para admitir isso, sobretudo alguém que já trabalha neste meio há mais de 25 anos…
– É muito bom sentir hoje que estou a desfrutar da minha maturidade como atriz. É uma profissão fabulosa, porque sinto que posso representar até morrer! E isso, por exemplo, é uma das coisas que me ajudam a não ficar assustada com o avançar da idade. E devo dizer que fico fascinada com a coragem e o talento dos miúdas de agora, como a Joana Ribeiro, a Ana Guiomar, a Maya Booth... São incomparavelmente muito mais talentosas do que eu quando tinha a idade delas! Tive de trabalhar muito para chegar onde cheguei. Tive de experimentar muito, observar bastante para ser a atriz que sou hoje. Acho que elas vão ter de se esforçar um bocadinho menos, porque são melhores. Eu não me expunha tanto como elas, que vão para o palco, fazem televisão e mais uma série de coisas... Mas foi assim o meu percurso e estou feliz.
– Tem feito sobretudo televisão. Não gostava de pisar mais vezes o palco?
– É um assunto sobre o qual tenho pensado. Há algum tempo, um colega de quem gosto muito desafiou-me para fazer uma peça e eu disse-lhe que não. Na altura tive uma conversa muito séria comigo mesma e cheguei à conclusão de que não tenho de ter vergonha daquilo que sou e a verdade é que o teatro não me fascina. Gosto de ver pessoas a representar num palco, mas o teatro não me deslumbra e não gosto de trabalhar à noite.
– Para a generalidade dos atores, estar em cima de um palco é o ponto alto da representação...
– Pode eventualmente ser a arte maior, porque ali não há rede. Mas eu tenho de ser verdadeira e não me quero forçar a nada. Adoro as câmaras! Gosto de cinema, mas há pouca oferta e há atrizes da minha idade que puxam mais público do que eu. Sou muito feliz a fazer novela, porque gosto de poder crescer com aquela personagem. Agora, gostava muito de fazer séries. Já há séries muito interessantes produzidas em Portugal.
– Se é feliz profissionalmente, o mesmo se pode dizer no campo pessoal. Como têm sido estes quase seis anos de casamento?
– Acho que escolhi muito bem a pessoa para estar ao meu lado. Penso que o Francisco e eu nos completamos. Numa determinada altura, quis recuperar a alegria que tinha perdido ao longo da vida. E o Francisco manteve sempre essa alegria, essa espontaneidade e uma coragem de viver. Ele vai para o mar sozinho e isso mostra a atitude que ele tem perante a vida. E tenho aprendido muito com o exemplo dele. Eu sou mais a sua retaguarda, aquela que proporciona bem-estar. Mas a vida a dois é muito difícil. A rotina e a exigência dos filhos prejudicam muitas vezes um casamento. Mas o facto de ser atriz também me ajuda a conseguir reinventar-me, o que permite lidar melhor com tudo isso.
– Esta atitude do seu marido acaba também por desafiá-la...
– Sim, é verdade. Eu preciso muito dos outros. Acho que não sou, por exemplo, uma atriz para fazer monólogos, porque preciso sempre do desafio com o outro. Gosto muito de trabalhar em equipa. Claro que também preciso dos meus momentos a sós, durante os quais tenho os meus diálogos interiores.
– Ser mãe será outro desafio...
– Ser mãe é o maior desafio da minha vida. Ter um filho é a melhor coisa do mundo, porque experimentamos aquele amor incondi­cional, sobretudo aquele que uma criança sente por nós. O Martim gosta de mim exatamente como sou! Como fui mãe depois dos 40, senti algumas angústias e nervos quando o meu filho era bebé. Por isso, adoro vê-lo agora, com cinco anos, porque é muito cúmplice e companheiro.
Já sabe qual vai ser o seu próximo pro­jeto profissional?
– Ainda não e já estou um bocadinho angustiada, porque gosto de saber o que se segue. Preciso de saber que contam comigo para algo. Há projetos a começar, vamos esperar...

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