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Rodrigo Costa Félix e Marta Pereira da Costa: Um amor que se vive ao ritmo do fado

O fadista e a guitarrista partilharam com a CARAS como têm conciliado as suas carreiras com a vida familiar.

Marta Mesquita
1 de junho de 2013, 11:00

Marta Pereira da Costa, hoje com 30 anos, tinha apenas 17 quando conheceu Rodrigo Costa Félix, atualmente com 41. Na altura, o fadista e editor de som reparou na sua atual mulher por ela ser uma “miúda giríssima, muito vistosa” e tocar guitarra portuguesa, o que “naquela altura era algo completamente inovador”, como nos revelou. Contudo, o que começou por ser uma admiração mútua tornou-se algo mais e nem os dez anos que têm de diferença foram um impedimento para o fadista e a guitarrista começarem a namorar.Casados há sete anos, Marta e Rodrigo são pais dos gémeos Constança e Vicente, de três anos e meio, e asseguram que tem sido um desafio conciliarem os seus papéis de pais com a vida artística. Não obstante as dificuldades que as suas escolhas profissionais implicam, a guitarrista e o fadista não têm dúvidas de que as suas vidas serão sempre embaladas pelos sons do fado.
– Tendo em conta a vossa história de vida, podemos dizer que foi o fado que vos apresentou um ao outro...
Rodrigo Costa Félix
– Sim. Conhecemo-nos numa casa de fados onde cantava e a Marta começou a aparecer lá. Ela era muito nova, sou dez anos mais velho, e naquela altura era uma diferença significativa. E foi o nosso amor pelo fado que nos aproximou. Lembro-me de que fui cantar à festa de 18 anos da Marta.
– E foi um amor à primeira vista?
Marta Pereira da Costa
– Confesso que antes de conhecer o Rodrigo já o ouvia cantar e gostava imenso. Era um homem novo com uma voz de que eu gostava muito.
Rodrigo – Quando conheci a Marta achei que era uma miú­da giríssima, muito vistosa. Ela sempre foi alta, com boa figura e ainda por cima tocava guitarra, o que, naquela altura, era algo completamente inovador. Fiquei agradavelmente surpreendido. Na altura, a Marta era uma curiosidade por tocar guitarra. Hoje, ela já é uma certeza.
– Há cerca de um ano, a Marta decidiu dedicar-se em exclusivo ao fado e abandonou o emprego que tinha na área da engenharia. Arrepende-se dessa decisão?
Marta
– Não e confesso que foi uma decisão que tomei muito a medo. Quando comecei a tocar nunca pensei em fazer da guitarra a minha vida. No início, a guitarra era o meu hobby, até que cheguei a uma determinada altura em que precisava mesmo de ter mais tempo para me dedicar à música, porque queria aprender sempre mais. Entretanto, acabei o meu curso de Engenharia Civil, mas durante esses cinco anos estive sempre a dizer que ia desistir e que queria era tocar guitarra e piano. Entretanto casámo-nos, mais tarde tivemos os nossos filhos e a música continuava a ser apenas o meu escape. Até que o Rodrigo quis que fosse eu a tocar no disco dele Fados de Amor. Aceitei o desafio e percebi que tocar era o que realmente me fazia feliz. Deixei a engenharia e a partir do momento em que tomei essa decisão começaram a aparecer mais trabalhos na área da música. Nunca me acomodei e aproveito todos os minutos para aprender e para melhorar.
– Se a Marta já se dedica totalmente ao fado, o Rodrigo ainda se divide entre o mundo artístico e a sua profissão como editor de som. Acredito que não seja fácil conciliar estas duas realidades...
Rodrigo
– Sim, não é nada fácil. Sinto que vou ter de tomar em breve uma decisão, porque está a tornar-se impossível conciliar tudo. Até agora achava que conseguia ter duas profissões a tempo inteiro, mas é inviável, porque acabo por não conseguir fazer nenhuma como gostaria. Claro que sou profissional e cumpro aquilo que esperam de mim, mas sei que poderia dedicar-me mais. O fado é o que realmente me apaixona. E tenho mais dois elementos em casa, os nossos filhos, que nos fazem pesar tudo de uma maneira diferente.
– Tem sido bom para a vossa estabilidade familiar trabalharem na mesma área artística?
Marta
– Para nós tem sido ótimo, porque acabamos por estar muito tempo juntos, fazemos uma coisa que adoramos, viajamos e temos luas-de-mel constantes. Mas depois também nos custa muito deixar os nossos filhos, porque morremos de saudades. Os nossos filhos ficam sem pai e mãe ao mesmo tempo e para eles isso não é bom.
Rodrigo – Os nossos pais são uma grande ajuda. Os pais da Marta vivem ao nosso lado e a minha mãe também é muito disponível e às vezes fica com os cinco netos em casa.
– Mas não têm medo de chegar a um ponto de saturação por estarem sempre juntos?
Marta
– Ainda não chegámos a esse ponto [risos].
Rodrigo – Claro que nem tudo é perfeito e acaba por haver mais tendência para termos alguns conflitos menores ou picardias, até porque somos pessoas completamente diferentes.
– E essas diferenças têm sido boas para a vossa relação? É esse o segredo do sucesso do vosso casamento?
– Não sei... Também temos vários pontos em comum. Somos apaixonados pela mesma coisa, o que só por si é algo maravilhoso. Também temos uma sensibilidade muito parecida. Agora, nas coisas do dia-a-dia somos completamente diferentes. Eu sou um sonhador e despassarado, a Marta é muito organizada e pragmática. Sempre fui um bocadinho errante, vivi em Londres, no Brasil, sempre fui mais boémio. E a Marta sempre foi muito certinha. Completamo-nos. E com o tempo, vamos limando arestas. Os nossos pequenos conflitos não fazem mossa na nossa relação.
– A Marta, quando começou a tocar guitarra portuguesa, entrou para um mundo muito masculino e teve de conquistar o seu lugar no fado. A esse desafio junta-se o facto de ter uma vida familiar para gerir. Como tem sido conciliar todos estes papéis?
Marta
– O Rodrigo é um pai fantástico e dá-me muito apoio. Ele cozinha, brinca com os miúdos, dá-lhes banho... Não sou nenhuma supermulher, tenho momentos de fraqueza e vou-me abaixo, porque quero fazer tudo e bem feito, o que me põe muita pressão em cima dos ombros.
– E como tem sido terem duas crianças gémeas em casa?
– No início foi bastante complicado. Nos dois primeiros anos não houve uma noite em que dormíssemos bem. Andávamos a ‘rastejar’. Mas depois tudo acalmou e hoje brincam muito um com o outro e são muito amigos.
– Gosta­riam de ter mais filhos?
– Quando nos casámos, disse ao Rodrigo que adorava ter uma casa cheia de filhos. Nesse campo, eu era a sonhadora e ele o pragmático. Mas gostava de ter mais um filho para saber o que é dar a nossa dedicação a apenas um bebé. Gostava de ter uma gravidez mais tranquila e calma. E eles também pedem mais um mano.
Rodrigo – Eu também gostava de ter mais um filho.
– Quais são os vossos próxi­mos projetos profissionais?
Marta
– Tenho tocado com vários fadistas, comecei a compor e tenho feito concertos a solo e com o Rodrigo. Também já sonho com o meu disco em nome próprio. Estou a trabalhar nisso e não quero apressar nada. Quero crescer passo a passo. Devo editá-lo para o ano. No dia 19 de setembro também vou dar um concerto no Museu do Oriente.
Rodrigo – Eu ainda estou a promover o meu disco Fados de Amor. No dia 28 de junho vou atuar no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa. Depois do verão, começo a pensar num próximo CD. Este ano vai ser muito ativo para os dois.

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