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Miguel Esteves Cardoso: "Nada pode reforçar o amor, ele existe ou não"

O jornalista e escritor foi entrevistado por Clara Ferreira Alves sob o olhar atento da mulher, Maria João Pinheiro.

Andreia Cardinali
22 de abril de 2013, 11:15

Depois do ano atribulado por que passou em consequência do cancro da mulher, Maria João Pinheiro, de 41 anos, Miguel Esteves Cardoso, de 58, vive agora uma fase mais tranquila, o que foi visível durante a entrevista que deu a Clara Ferreira Alves, no âmbito do Festival Grant’s True Tales, no Cinema São Jorge. Perante uma sala cheia e com a mulher na primeira fila, o escritor e jornalista falou do seu percurso profissional, da forma como encara a morte e a idade. "Não tenho medo da morte, mas chateia-me isto acabar. Parece uma anedota, e de mau gosto. Para mim, a úni­ca cidade feliz seria aquela em que todos têm a mesma idade e morrem ao mesmo tempo. Não penso nos 59 anos. Gosto de viver o dia-a-dia intensamente. Eu só penso no agora e no daqui a bocadinho, o daqui a bocadinho é que me motiva."
No final, depois de hora e meia de conversa, o autor juntou-se à mulher e conversou com a CARAS. Sem reservas, Miguel explicou, por exemplo, por que decidiu partilhar publicamente, nas crónicas que assina diariamente no jornal Público, a luta que viveu junto da sua mulher, operada a um cancro na cabeça em maio do ano passado: "Quando se ama não é difícil partilhar o que se sente, em especial quando há a sorte de se ter alguém assim ao nosso lado. Levou muito tempo a conhecê-la e as pessoas têm de ter paciência nas suas relações."
O autor e a mulher contaram que agora vivem uma fase mais serena. "Deus queira que este seja um ano sem incidentes. À partida está tudo controlado. Os marinheiros espanhóis têm desde o séc. XVI uma saudação que diz: ‘Que não haja novidades’. E é isso que desejamos." Questionado sobre se a provação que passaram teria reforçado o amor entre ambos, o autor considerou que não. "Estas situações não reforçam nada, trazem somente meses de medos, terrores e lágrimas. Há um medo de morrer muito grande e isso faz com que uma pessoa dê valor à vida, mas não reforça o amor. Nada pode reforçar o amor, ele existe ou não, não há grande nem pequeno. Ninguém pede para ter um cancro para ver se reforça a sua relação", desabafou Miguel, que acaba de ver reeditados quatro livros seus e publicado um novo volume de crónicas. Maria João adiantou: "Ninguém deseja passar pelo que passámos, mas eu tenho muita sorte por ter o Miguel ao meu lado. Estamos sempre juntos e vamos os dois para todo o lado."

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