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Adelaide Ferreira desabafa: "Tenho a minha menina comigo e estamos bem"

Depois de a filha mais velha, Luana, de 15 anos, ter feito um aborto no Brasil, a cantora falou com a CARAS acerca da situação difícil que viveu.

Inês Mestre
11 de março de 2013, 15:00

Adelaide Ferreira viveu nos últimos tempos uma fase difícil. A filha mais velha da cantora, Luana, de 15 anos, ficou grávida do namorado, Jean Carlo de Lima Arruda, de 21, e praticou um aborto no Brasil, no início deste ano. Pelo facto de a prática de aborto ser ilegal naquele país, a jovem e a mãe tiveram de prestar contas às autoridades brasileiras. Sendo uma figura pública, o caso despertou muito interesse nos meios de comunicação social brasileiros e portugueses.
Entretanto, a cantora e a filha regressaram a Portugal e Adelaide Ferreira decidiu esclarecer o que se passou na sua página do Facebook. “Queridos amigos, estamos a recuperar do tempo difícil que vivemos. A minha filha Luana, após completar o nono ano, foi de férias ao Brasil. (...) Como devem calcular, jamais deixaria a minha filha ir para o Brasil se estivesse grávida e a opção fosse o aborto, uma vez que no Brasil o aborto é ilegal. Seria um absur­do, como é pensar sequer nessa hipótese. Jamais deixaria a minha filha fazer o que fez se tivesse tido conhecimento de que estava grávida. A Luana regressou comigo a Portugal e isso é mais do que prova de que o tribunal no Brasil confiou em mim para continuar a cuidar dela.”
Luana também usou a mesma rede social para dar a sua versão da história e defender a mãe: “A minha mãe é, e sempre foi, a melhor mãe neste mundo e a melhor mulher, e não merece nada daquilo por que eu a fiz passar. A única coisa que quis e quer é a felicidade da filha. Sempre fez e faz tudo por mim!
Desde o meu primeiro ano, sempre fui a melhor aluna da minha turma, até ao nono ano, que terminei. Comecei a perder a motivação para estudar e tirar boas notas, estava cansada. Queria muito ir ao Brasil. A minha mãe decidiu deixar-me ir, para casa de pessoas amigas, de confiança, apenas como recompensa se passasse o ano com boas notas. E assim aconteceu, eu passei o ano com boas notas e a minha mãe cumpriu como sempre com a sua palavra.
Apaixonei-me, engravidei e não queria desiludir a minha mãe, que nunca me havia desiludido a mim. Decidi esconder a vergonha de ter engravidado com 15 anos e decidi fazer um aborto (coisa em que nem pensei direito... senão nunca o teria feito...). O meu maior erro nem foi engravidar, foi não ter contado à minha mãe, pois se o tivesse feito, tenho a certeza que ela me tinha trazido de volta para Portugal e dar-me-ia o acompanhamento necessário a uma gravidez.
Mesmo que a minha mãe fosse alguma vez concordar com a minha opção de abortar, ter-me-ia trazido para Portugal, visto que aqui o aborto é legal. É muita burrice e muita estupidez pensar-se o contrário(...).
Agradeço muito a todas as pessoas que deram apoio a mim e à minha mãe neste momento tão difícil nas nossas vidas. Senti o dever de escrever este texto, pois é extrema­mente injusto que por um erro, uma falha que cometi, a minha mãe seja julgada por todos. Isso faz-me sentir muito mal, porque é mesmo uma situação muito injusta.”
Dias depois destes desabafos, a CARAS encontrou Adelaide Ferreira na estreia da peça Esperando Diana, onde nos contou como está a viver este período ao lado de Luana e da filha mais nova, Alexia, de nove anos, que descreve com sendo uma criança “linda de morrer, maravilhosa e carinhosa”.
Viveu momentos muito difíceis na sequência do aborto da sua filha e a ida ao Brasil envolveu por certo uma grande tensão...
Adelaide Ferreira
– Fui numa missão até ao Brasil e voltei. Se me quiserem aceitar de volta e acarinhar, fico muito grata.
Como ficou a sua relação com a Luana?
– Vamos andando, vamos vivendo. Estamos a entender-nos o melhor que po­demos. Solidariamente.
Não lhe foi difícil vir hoje a um evento onde sabia que seria confrontada pelos jornalistas?
– A minha irmã [Mila Ferreira] avisou-me disso e perguntou-me se eu tinha coragem de sair. Eu disse-lhe que sim, porque não fiz mal a ninguém. Como ela diz: “Quem tem inocência no coração e não tem nada a esconder está feliz e bem consigo própria.” E eu estou bem, estou ótima. Tenho a minha menina comigo e estamos bem.
Falando de assuntos mais alegres. Tem novos projetos musicais?
– Estou a compor muito. Este inverno compus porque a minha alma lusitana me pediu. Como sinto que faço parte de um corpo, de uma alma portuguesa, do povo português, que está em sofrimento, compus uma balada linda acerca dessa dor. Não estou lá eu sozinha, mas todo o povo que sofre.
É mais fácil compor nas alturas difíceis?
– Este é um momento complicado para o povo. Mas sim, é. E eu sou muito sensível à dor alheia.
Ainda tem muitos objetivos por concretizar enquanto cantora?
– Já não tenho muitos objetivos, nem sonhos. O único sonho é o da música pela música, porque amo e vou amar a música até morrer. É uma sensação muito boa termos o privilégio de falar com a música e deixar que ela fale através de nós.
E tem projetos além da música?
– Sim, vou escrever um livro para o qual já tenho nome.
Qual será o tema do livro?
– Vai ser um livro com constatações acerca da vida e de experiências pessoais. E sobre a falta de liberdade com que todos nós vivemos, pois há pessoas com mentes tacanhas, pequeninas, que se recusam a evoluir. Eu sou uma pessoa com uma conduta de vida correta, faço o que tenho de fazer, sou igual às outras mães e pais. Mas também penso que o ser humano, na sua evolução, deixa muitas marcas nos seus semelhantes. E penso que é importante alertar as consciências para isso. Sempre fui muito contestatária em relação ao mundo. Acho que todos os jovens o são e quando era jovem isso também acontecia comigo. Ainda acontece agora, apesar de ser uma mulher perfeitamente inserida e integrada na sociedade, de bem com o mundo, trabalhadora e empenhada. Mas ainda estranho muito a ignorância do ser humano, a incapacidade de olhar em frente.

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