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Ana Moura: “Tenho muita vontade de me entregar à vida sem receios”

Desfado’ é o mais recente trabalho discográfico da fadista, no qual explora uma nova sonoridade. Mulher tímida e introspetiva, Ana Moura ganhou coragem e revelou-nos o seu ‘fado’.

Marta Mesquita
17 de fevereiro de 2013, 10:00

Ana Moura, de 33 anos, é uma apaixonada por aquilo que faz. O fado tem-na levado a viajar pelo mundo inteiro e a atuar em alguns dos mais importantes palcos internacionais, uma vida que admite ser “um bocadinho solitária”, mas que continua a fazê-la feliz.
Com o seu mais recente disco, Desfado, a fadista revela-se ao público numa nova sonoridade, que reflete os desafios vividos nestes mais recentes anos de carreira. Indiferente a rótulos, Ana continua a sentir-se fadista e a querer fazer do fado o seu destino.
Dias antes de partir para mais uma digressão que a vai obrigar a estar muitos dias longe da família e dos amigos, a fadista revelou-nos as emoções que leva sempre na bagagem.
– Pode apresentar-nos o seu Desfado?
Ana Moura
– É um disco com uma sonoridade diferente. Para começar, foi produzido por Larry Klein, que é americano e tem uma linguagem muito mais ligada ao jazz. Tinha este desejo de fazer um disco um bocadinho diferente e que espelhasse o que têm sido os meus últimos anos de carreira, que foram muito marcados pelas minhas colaborações com músicos de outras áreas.
– O fado tradicional já não lhe enche as medidas?
– O fado tradicional enche-me as medidas sempre. Adoro o fado tradicional e sinto-me fadista. Há muitas características dos fadistas nas quais me revejo inteiramente. Esta necessidade de fazer algo diferente vem do desejo de querer espelhar todas as minhas aven­turas na música. E os artistas têm de se reinventar. Não podemos ficar confortáveis, temos de arriscar.
– Este disco pode abrir as portas para um outro desafio musical que nada tenha que ver com o fado...
– Sim... E há quem diga que este disco já não é fado... Mas garanto que é interpretado por uma fadista!
– Essas críticas incomodam-na?
– Não me incomodam nada, porque não tenho o objetivo de dizer “isto é fado”. É um disco que faz parte da minha carreira. Sou fadista, mas tenho a liberdade de seguir o meu caminho. Este disco faz mesmo sentido nesta altura da minha vida e da minha carreira. Não gosto nada de rótulos, porque são sempre redutores.
– O seu primeiro disco foi editado há dez anos. Que balanço faz desta década dedicada à música?
– É um balanço muito positivo. Sinto-me muita grata. A vida tem sido muito generosa comigo. Adoro ser surpreendida pela vida! Gosto do inesperado e não planeio muito as coisas, porque isso cria-me um estado de ansiedade com o qual não convivo bem. Tenho uma grande vontade de me entregar à vida sem receios.
– A sua profissão e o sucesso que já alcançou obrigam-na a atuar pelo mundo inteiro. Gosta desta vida de viajante? Ou começa a estar um bocadinho cansada de ter sempre as malas feitas?
– Por vezes cansa e em alguns momentos custa sair de Portugal. Neste último ano andámos sempre de um lado para o outro, de facto a mala está sempre feita... Mas eu gosto disso e ainda não cheguei àquele ponto em que me sinto mesmo cansada.
– Andar sempre a viajar pode tornar-se uma vida um bocadinho solitária...
– Sim, acaba por ser um bocadinho solitária. Por exemplo, se estou em Portugal e quero ir ver uma exposição é muito fácil arranjar companhia. Estando lá fora, isso já não acontece, porque muitas vezes os meus músicos querem ir a outros sítios. Lá fora, não temos a nossa família nem os nossos amigos mais próximos.
– E com tantas viagens há tempo e espaço para se apaixonar?
– Há, sim. Há sempre tempo para esse lado. Gosto muito de me sentir apaixonada.
– E neste momento há alguém especial na sua vida?
– Não gosto nada de falar sobre estas coisas... Sinto-me feliz por conseguir preservar este meu lado.
– A Ana tem 33 anos. A en­trada nos 30 mudou-a de alguma maneira?
– Conscientemente, não consigo fazer essa avaliação. Sempre fui uma miúda que se interessava por coisas pelas quais as minhas colegas não se interessavam. Sempre fui muito introspetiva. Ainda hoje sou muito mais virada para o meu lado interior.
– Também é tímida...
– Sim, sou extremamente tímida. Não sou uma pessoa muito social, mas gosto muito de ser sociável, de estar com as pessoas e de me rir. Mas até conseguir sentir-me à vontade com uma pessoa demora um bocadinho. Também sou uma pessoa muito curiosa. Detesto sentir-me apática.
A Ana é considerada uma mulher bonita e sensual. Tem noção da sua sensualidade?
– Depende dos dias! Acho que é muito importante valorizarmos o nosso lado mais feminino, porque nos faz sentir muito mais seguras, sobretudo para quem tem uma exposição tão grande.
– Está em excelente forma física. Faz muitas dietas?
– Tenho de contar a verdade, não é? Não faço dietas e esforço-me é para engordar, porque tenho uma facilidade enorme em emagrecer. Na escola chamavam-me “perninhas de alicate”. Tenho de me preocupar em comer bem, porque às vezes esqueço-me das refeições. Mas comer é um dos maiores prazeres que tenho.

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