Nas Bancas

Cecília Guimarães: "Dediquei toda a minha vida ao teatro"

Este agosto, a atriz celebra 60 anos de carreira. Com uma memória invejável, Cecília Guimarães partilhou com a CARAS a sua história.

Marta Mesquita
16 de fevereiro de 2013, 10:00

É com um orgulho indisfarçável que Cecília Guimarães descreve os seus 59 anos de carreira, que começou em 1953, com a sua estreia na peça As Duas Causas, na companhia Alves da Cunha. A partir daí, a atriz pisou os mais variados palcos nacionais, destacando-se o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Nacional de São Carlos, o Teatro de Almada, o Teatro Experimental de Cascais e o Teatro da Trindade. Do extenso currículo, com o qual poucos atores portugueses conseguem concorrer, fazem ainda parte o teatro radiofónico e televisivo, algumas telenovelas e séries de televisão, como o Hotel 5 Estrelas, que estreou recentemente na RTP.
Recordando o ano de 1972, Cecília Gui­marães voltou ao Teatro Nacional de São Carlos, onde participou na ópera Guerras do Alecrim e Manjerona e conversou com a CARAS sobre as aventuras que viveu em cima de tantos palcos.
– Há 60 anos não terá sido fácil seguir uma carreira na representação...
Cecília Guimarães
– Nunca foi fácil e a palavra ‘ator’ acarreta muita responsabilidade. Atualmente é que fazem um casting para manequins e no dia seguinte para atores! Não pode ser. A pessoa tem de ter boa dicção, uma certa figura e ser um bocadinho culta.
– Fica aborrecida com esse facilitismo?
– Não pode ser, porque não sabem falar. Eu tive como mestre uma grande atriz chamada Maria Matos e ela dizia: “Meus filhos, nunca se esqueçam de que um ator quando entra em cena tudo mexe, dos miolos às tripas. Temos de estar no palco com alma.” E isso hoje não se vê.
– Como percebeu que queria ser atriz?
– Os meus pais levaram-me com cinco anos ao teatro. Quando cheguei a casa queria imitar as pessoas que via no palco. Contudo, segui os meus estudos para ser enfermeira ou médica, pois nessa altura ainda não via a representação como carreira. Mas não consegui passar a matemática, obrigatória para esses cursos, e comecei a pensar na hipótese de seguir teatro. A minha mãe não queria, mas tive o apoio do meu pai, que sempre disse que tinha de seguir aquilo que queria e matriculou-me no Conservatório de Teatro. Só me disse que se chumbasse no primeiro ano ia para a costura!
– E como era a vida de um ator na década de 50?
– Era boa. Nunca senti que fosse olhada de lado. Havia muito respeito pelas companhias de teatro, muito companheirismo entre colegas e as pessoas eram muito bem educadas, não havia cá essa coisa de ‘tu cá, tu lá’.
– Conseguiu conciliar a dedicação ao teatro com a sua vida familiar?
– Nunca tive filhos na vida real, mas no teatro tive mais de 60! Dediquei toda a minha vida ao teatro. Foi uma opção minha. Na década de 50 fui representar a Angola e aí apareceu-me um namorado. Comecei a pensar que me tinha estreado há um ano, que depois ficava cheia de filhos e não podia continuar a minha profissão e acabei o namoro. O teatro é magia, descoberta e quando o pano levanta é uma emoção! Fiz o melhor que sabia. O teatro deu-me muitas alegrias e alguns desgostos. Por exemplo, fiz uma matiné no dia em que a minha mãe morreu, porque era isso que os atores mais velhos faziam.
– O Festival de Almada prestou-lhe homenagem no ano passado. Isso deixou-a nostálgica?
– Ainda bem que me prestaram a homena­gem em vida, porque em Portugal só se lembram das pessoas depois de morrerem. Achei a homenagem justa, não me deixou nostálgica.
– Gravou recentemente a série Hotel 5 Estrelas. Gostou de voltar à televisão?
– Sim, gostei. Foi divertido, mas também muito cansativo, porque agora já não se valo­rizam muito os ensaios.
– Considera-se uma grande atriz?
– Toda a gente diz isso, portanto, não vou desmentir! Sinto que cumpri a minha missão.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras