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Naomi Watts defende: “Ser mãe é o trabalho mais árduo que há”

Perdeu o pai, de ‘overdose’, aos sete anos, passou a infância e a juventude a viajar com a mãe e o irmão e persistiu numa carreira que só lhe trouxe reconhecimento aos 33 anos, mas a determinação deu frutos.

Redação CARAS
10 de fevereiro de 2013, 10:00

A fama tardou um pouco na carreira desta atriz inglesa, mas chegou e promete não a abandonar. Naomi Watts, de 44 anos, teve de esperar pelos 33 para chegar ao grande público. “Retrospetivamente, acho que foi bom eu não ter tido sucesso quando era mais nova. Os primeiros anos foram uma verdadeira luta”, confessa, reconhecendo que essas dificuldades acabaram por lhe formar o carácter. David Lynch foi o responsável pelo filme determinante, quando a escolheu para Mulholland Drive. Desde então, somou sucessos e já vai na segunda nomeação para os Óscares. Em 2004 teve a primeira, pelo papel em 21 Gramas, agora a segunda, pelo filme O Impossível, atualmente em exibição em Portugal. E já se diz que, caso não ganhe o Óscar este ano, é provável que o obtenha no próximo, com o filme Diana (sobre os últimos dois anos de vida da ‘princesa do povo’), que a própria considera ter sido um grande desafio. E não esconde que receia tanto a reação dos filhos de Diana, William e Harry, como dos próprios compatriotas: afinal, a história baseia-se nos polémicos casos que Lady Di teve com o médico paquistanês Hasnat Khan e com o egípcio Dodi Fayed, e o resultado será, por certo, controverso.
Para já, a ansiedade da atriz deverá estar concentrada na cerimónia dos Óscares, agendada para dia 24 de fevereiro, e na qual poderá receber a sua primeira estatueta dourada, pela determinação e força que deu à personagem Maria, inspirada no caso verídico de uma espanhola que estava de férias na Tailândia com o marido e os três filhos quando foram apanhados pelo famoso tsunami de 2004 e se viram separados uns dos outros. Casada na vida real com o ator, realizador e argumentista Liev Schreiber, de quem tem dois filhos, Alexander (que trata por Sasha), de cinco anos, e Samuel, de quatro, Naomi diz que O Impossível “nos faz perceber que a família vem primeiro”. Algo especialmente relevante para a atriz, que perdeu o pai, Peter Watts (que foi road manager dos Pink Floyd), quando tinha sete anos, devido a uma overdose de heroína. Na altura os pais já estavam separados e a atriz acabou por passar a adolescência na Austrália com a mãe, Myfanwy Edwards-Roberts (filha de uma australiana), e o irmão, Ben Watts, atualmente um fotógrafo de renome.
Foi na Austrália que conheceu Nicole Kidman, ainda hoje uma das suas melhores amigas, e foi lá, também, que se estreou como atriz, numa série televisiva. Diz ela que o facto de ter andado de terra em terra – antes da Austrália a mãe tentou a sorte no País de Gales, onde nascera, e somou empregos atrás de empregos, o que obrigou os três a viagens constantes – lhe deu maior capacidade de adaptação, o que se tornou vital para o trabalho de atriz.
Talvez pela experiência algo nómada que teve na juventude, Naomi confessa que pretende dar estabilidade aos filhos nesse aspeto: os dois atores têm casa em Los Angeles e Nova Iorque, e a atriz congratula-se pelo facto de tanto o filme que deverá fazer a seguir (uma história sobre Marilyn Monroe) como a série de televisão com a qual o marido se comprometeu por um ano (Ray Donovan) serem ambos rodados em Los Angeles. Uma fonte de tranquilidade para uma atriz que assume ter os seus demónios, que não gosta de escolher caminhos fáceis (os papéis que tem feito confirmam-no) e que reconhece que, embora faça um esforço para viver mais o momento e não sentir ansiedade perante o futuro, encontra no facto de ser mãe uma barreira a esse objetivo. “Quando somos mães, nunca aproveitamos devidamente o momento. Estamos sempre a pensar: Haverá leite no frigorífico? O que é que vamos jantar?”. E conclui: “Ser mãe é algo grandioso e poderoso, como todos nos dizem, mas nem toda a gente fala da parte mais difícil. Fala-se sobre a falta de sono, mas não tanto sobre o facto de estarmos constantemente preocupados com a possibilidade de estarmos a lidar com as coisas da forma errada. Queremos que os nossos filhos estejam seguros e sejam saudáveis e autoconfiantes. Que se sintam bem no mundo lá fora, mas não queremos exagerar... Ser mãe é provavelmente o trabalho mais árduo que há.” Uma prova de que ser estrela em Hollywood não afasta necessariamente as pessoas do mundo real.

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