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Sandra Barata Belo assume: "Sou ambiciosa, quero sempre mais"

Em cena com a peça ‘Morreste-me’, a atriz contou à CARAS como tem conseguido levar os seus sonhos ao palco. Apaixonada pelo que faz, Sandra garante que vai continuar a sonhar e a criar.

Marta Mesquita
9 de fevereiro de 2013, 10:00

"Gosto demasiado daquilo que faço para poder estar parada. Ir à procura é sempre melhor do que ficar sem fazer nada. Estar parada mata-me.” Foi esta a motivação que levou Sandra Barata Belo, de 34 anos, a adaptar, produzir, encenar e dar vida em palco ao livro Morreste-me, de José Luís Peixoto. Num monólogo que explora tanto a morte como a vida, a atriz dá corpo e alma a uma mulher que perde o pai e regressa à casa onde cresceu. Não obstante a dor e a saudade que a morte traz, Sandra garante que este projeto é uma “ode à vida e ao amor.” Dias antes de estrear esta peça – que esteve em cena no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, e está agora no Teatro do Bairro, em Lisboa –, a atriz conver­sou com a CARAS e revelou as lutas que tem travado para conseguir concretizar, no palco e na vida, todos os seus sonhos.
– O que a conquistou no livro de José Luís Peixoto?
Sandra Barata Belo
– Gosto muito dele e revejo-me imenso nas coisas que escreve. Partilho do seu imaginário. A minha família materna é alentejana e, por isso, identifico-me bastante com as descrições que ele faz. Tenho um especial gosto pela maneira como nós, portugueses, escrevemos, e apetece-me pegar em textos com os quais nos identificamos. Eu e a Cátia Ribeiro, que fez comigo a adaptação dramatúrgica e a encenação, e que ainda me dirige, tivemos como pergunta de partida ‘Como é regressar à casa da nossa infância, a um sítio onde fomos felizes ao lado de um pai que já lá não está?’ O texto está muito fiel ao livro. Depois, a música é do António Zambujo, com arranjos de Nanu Figueiredo e figurinos do Ricardo Preto.
– Com a produção desta peça, a Sandra criou o seu próprio trabalho em vez de ficar à espera de um convite...
– Tenho necessidade de criar, e como estamos numa fase em que há poucos apoios para a cultura, decidi avançar com este projeto. Há pessoas que estão ao meu lado e que acreditaram em mim desde o início. E devo referir que também tive alguns apoios, como do Mon­te Velho, das Câmaras Mu­nicipais de Estremoz e de Lisboa ou da SIC, entre outros. Portanto, não avancei totalmente sozinha para isto. E para mim este projeto só será uma vitória quando vir as salas cheias. Temos de continuar a sonhar e a lutar!
– Interpreta uma mulher que perdeu o pai. Como foi dar corpo e voz a emoções tão profundas e dolorosas?
– Esta peça é uma declaração de amor para todos aqueles que estão perto de nós e cuja perda será muito sentida. O apego que temos à família é muito português. E apesar de o texto falar de sofrimento, de dor e de perda, revisitar uma casa onde se foi feliz também traz coisas boas e, portanto, acaba por ser uma ode à vida e ao amor. Na nossa cultura não estamos preparados para a morte. E ela existe! Por isso, é importante falarmos dela. A Cátia e eu estivemos no IPO e uma das técnicas de lá disse-nos que se sentia privilegiada por poder presenciar o momento da partida, que é único e muito forte.
– Acredito que este projeto também a tenha levado a desco­brir fragilidades em si...
– Sou uma pessoa transparente e choro muitas vezes. Tenho a sensibilidade à flor da pele. Nunca consigo esconder as minhas fragilidades nem aquilo que sinto, o que acaba por não ser bom em muitas circunstâncias. Quando estou numa fase mais frágil, refugio-me, porque ninguém gosta de passar essa imagem aos outros. É também uma maneira de me proteger. Sou uma pessoa muito emocional, mas também gosto de sentir que tenho o controlo sobre mim mesma.
– Sabe exatamente aquilo que quer ou vive um dia de cada vez, aproveitando as oportunidades que surgem?
– Sei muito bem o que quero, o que me dá prazer e o que me realiza no campo profissional. Soube cedo que queria ser atriz e não vejo um fim para esse sonho. Sou ambiciosa, quero sempre mais. Quero viver mais, ser mais, ir mais além...
– E quais são os seus sonhos mais pessoais?
– São os sonhos que qualquer pessoa tem. Quero estar bem, ter a minha família, ter amor dentro de casa. Também gostava de ser mãe, mas não sei quando.
– Continua apaixonada?
– Não gosto nada de falar sobre isso. Continuo comprometida, estou bem e feliz.
– Já não tem um contrato de exclusividade com a SIC. Lidou bem com essa perda?
– Sim, lidei. Foi ótimo ter um contrato de exclusividade, mas também é bom ficar mais disponível para outros projetos. Se a RTP ou a TVI quiserem trabalhar comigo, agora posso. O lado menos bom do contrato de exclusividade é ficar em casa sem estarmos no ativo. Nós queixamo-nos muito, eu também! Mas temos de ser proativos e não baixar os braços.

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