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Leonor Seixas e a vida nos EUA

“Como a minha família perdeu tudo em Angola, fui educada a ser poupada”

Cláudia Alegria
2 de fevereiro de 2013, 10:00

Estas foram as primeiras férias em Portugal durante as quais  Leonor Seixas conseguiu descontrair e rever, com tempo, amigos e familiares. A viver em Los Angeles há três anos – para onde partiu em busca do sonho de trabalhar como atriz nos EUA – Leonor passou três semanas em Portugal e, antes de regressar a L.A., aceitou o convite da CARAS para fazer uma sessão fotográfica durante a qual revelou sonhos, desejos e ambições para o ano que agora começa.
– Chegou a Lisboa no dia do seu aniversário e ainda passou cá o Natal. Deve ter sido um grande presente para a sua família...
Leonor Seixas –
Sim, sobretudo para a minha mãe. Somos muito próximas e eu sou muito dependente dela. Lembro-me de que, quando fui viver para Nova Iorque, nem telemóveis havia. Hoje em dia as novas tecnologias ajudam muito, mas não há nada como estar olhos nos olhos. Portanto, acho que sim, foi um bom presente.
– Que desejos pediu para o novo ano?
A concretização de alguns objetivos e sonhos profissionais. Não ligo nenhuma à passagem de ano mas esta época é sempre uma boa oportunidade para pensarmos no ano que termina e no que queremos mudar ou melhorar. Acho que 2012 foi um ano muito positivo e espero que agora se concretizem alguns dos meus esforços. E, claro, que seja um ano cheio de boas energias.
– Parece ser muito otimista. Onde vai buscar essa inspiração?
O fundamental é aquilo que somos, independentemente do que temos e vemos. E, claro, é muito importante o nosso núcleo, as pessoas de quem nos rodeamos. Tenho pessoas fascinantes à minha volta que me inspiram diariamente, que me dão coisas bonitas. Ler também é fundamen­tal. Agora ando interessada em filosofia e em livros sobre nós próprios, como O Novo Mundo, de Eckhart Tolle, ou Siddhartha, de Hermann Hesse.
– Também terá os seus momentos de solidão. Como é que  gosta de os superar?
Todos nós os temos, mas eu tenho uma vida fantástica e não me sinto nada sozinha, pelo contrário. Gosto de ter os meus momentos, de ir ao cinema ou passear sozinha e, quando não quero estar sozinha, pego no telefone e procuro alguém.
– Começou do zero num novo país... Como é que se sustentou durante os primeiros tempos?
Agarrei-me ao facto de ser uma pessoa extremamente organi­zada há muitos anos e de juntar dinheiro. Essa é a grande chave: ir com um pé-de-meia. Tenho poupado e tenho usado muito bem o meu dinheiro.
– Então, nunca chegou a fa­zer nada que não tivesse a ver diretamente com a sua área?
Desta vez não. Quando estive em Nova Iorque cheguei a trabalhar como empregada de mesa. Em Los Angeles não precisei de o fazer. Há muitos anos que me sustento como atriz e tenho tido trabalho consecutivo, não me posso queixar. É uma questão de organização.
– Isso foi-lhe incutido ou aprendeu sozinha?
Fui educada assim. A minha família perdeu tudo quando veio de Angola e esse espírito de organização permaneceu. Era uma família com boas posses e tiveram de recomeçar a vida do zero, aos 50 anos. Por isso, cresci sempre com essa noção: não faz mal nenhum sermos organizados, porque nun­ca se sabe o dia de amanhã. Ao mesmo tempo há que aproveitar e gastar dinheiro, seja numa peça de roupa ou num jantar.
– É fácil isso acontecer?
Ainda agora estive em Lon­dres e perdi a cabeça com umas botas...
– Só perdeu a cabeça com umas botas?
Sim, e fui ao teatro, que é caro. Sou muito poupadinha, organizada e equilibrada, mas gasto imenso em viagens e roupa.
– Que estilo de roupa?
Ando numa fase muito roqueira, mas também gosto muito do estilo hippie. Gosto sobretudo de estar confortável. Sou fã de jeans, T-shirts, botas e ultimamente tenho adorado pele e cabedal.
– O que vai levar na bagagem quando regressar a L.A.?
Pouca coisa. Vou levar as botas novas que comprei em Londres [risos]. Quando fui viver para lá ia sempre com a mala cheia e voltava com a mala vazia. Agora é ao contrário, porque já tenho lá imensas coisas. Desta vez quero levar coisas de Portugal para oferecer, uns sabonetes portugueses e umas fotografias bonitas, até para algumas pessoas terem ideia do que é Portugal, além de levar muito azeite, que não há como o nosso.
– Mora numa zona que terá provavelmente o maior número de estrelas internacionais por metro quadrado a viver...
Os meus vizinhos são o Brad Pitt e a Angelina Jolie! No início achamos engraçado, mas depois torna-se rotina. É o sítio onde se fazem mais filmes, portanto, é normal ver as pessoas e depois co­meçar a conhecê-las. Tenho muitos amigos que são conhecidos.
– Deve ter histórias engraça­das para contar!
Não posso. Tenho realmente muitos amigos que são muito conhecidos. As pessoas acabam por se conhecer umas às outras, o meio não é tão grande quanto aparenta. Obviamente não vou contar coisas sobre elas, assim como espero que elas não contem sobre mim. Mas já não fico de boca aberta e fascinada como ficava antes...
– E tem namorado? Alguém especial com quem partilhar as tristezas e alegrias do dia-a-dia?
Tenho sempre alguém com quem as partilhar, afinal, tenho os melhores amigos do mundo! Sobre namorados... quando tiver de se saber, saber-se-á.

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