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Fernando Gomes: “Vivi intensamente, fiz tudo em exagero”

A CARAS conversou com Fernando Gomes no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, onde o ator estreou “Do Céu Caiu um Anjinho”, a convite do Centro Dramático de Viana.

Redação CARAS
26 de janeiro de 2013, 18:00

A energia e o espírito jovem de Fernando Gomes são contagiantes, assim como  a vontade de contribuir para a cultura em Portugal. Aos 68 anos, o ator apresenta, no Centro Cultural da Malaposta, em Odivelas, Do Céu Caiu um Anjinho, uma comédia musical da sua autoria, produzida a convite do Centro Dramático de Viana do Castelo. “Trata-se de uma peça de teatro bastante divertida que remete para os anos 40/50, com músicas dessa época. Uma comédia ligeira que remete para os tempos em que ainda não havia televisão e a rádio era a grande companhia dos portugueses”, explica o ator, que várias gerações conhecem de trabalhos tão distintos como Rua Sésamo, A Minha Família É Uma Animação, Os Malucos do Riso ou a novela Todo o Tempo do Mundo.
Mas nem só de televisão se fez a carreira de Fernando Gomes. Natural do Porto, começou por fazer ballet e participar em várias óperas como bailarino. Seguiu-se o teatro amador e a tropa. “Depois de dois anos na Guiné, regressei a Portugal, peguei numa mochila e fui viajar pela Europa. Morei em Londres e quando voltei fui direto para Lisboa, porque era onde havia mais trabalho e diversão”, recorda. Hoje, com quase 40 anos de representação, faz um balanço positivo da sua carreira e diz que o seu maior prazer nos últimos anos é “poder escolher o que faço e com quem faço”: “Estou sempre a renascer, é o segredo da minha juventude. Vivi sempre intensamente todas as fases da minha vida, fiz tudo em exagero. Tive várias paixões, vivi com várias pessoas, mas nunca me quis ligar a ninguém. Nunca me quis casar, nem desejei ter filhos. Tenho 12 sobrinhos e adoro-os.
De bem com a vida, Fernando Gomes vive um dia-a-dia tranquilo. “Ainda tenho muita energia, mas conheço os meus limites. Sei que tenho de descansar oito horas por dia, por isso é impossível fazer teatro e televisão ao mesmo tempo. Tenho de zelar pela minha saúde e bem-estar”, explica, assumindo com orgulho a idade: “Tenho espírito jovem, mas não me preocupo em parecer mais novo. É maravilhoso ter esta vida aos 68 anos. Mas também gosto muito de estar em casa a ver televisão.
Embora ainda não esteja reformado, os papéis que precisa de preencher para o ser andam consigo na mala. “Não gosto de burocracias, mas há de chegar o dia em que vou ‘meter’ os papéis. Certo é que vou continuar a trabalhar”, refere, mostrando-se desprendido de valores materiais. “O dinheiro é importante porque preciso dele para viver, mas não serve para mais do que isso. Não tenho luxos, só gasto dinheiro em viagens. Adoro ir a Londres ver espetáculos musicais. De resto, não tenho nada que me prenda. Nem casa, nem carro. Na vida, o mais importante são as relações de amor e amizade que se constroem, isso é que conta para nos sentirmos bem.

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